Onde foi parar o elenco do Botafogo-SP que surpreendeu em 2001?

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Poucas vezes a torcida do Botafogo de Ribeirão Preto sentiu orgulho de seu time nos últimos anos. Uma delas foi em 2001, quando o time quase foi campeão paulista. A outra foi em 2010, com uma boa campanha no Campeonato Paulista e o título do Torneio do Interior.

Naquele ano de 2001, o Botafogo-SP surpreendeu ao disputar a final do Campeonato Paulista contra o Corinthians. O título não veio, mas aquele time ficou na história, até por revelar alguns bons talentos para o Brasil e para o exterior depois.

Mas por onde andam os heróis daquela campanha? Nem todos vingaram no futebol com o passar dos anos, então vale a pena correr atrás da história de alguns e ver quais foram seus destinos. Lembremos:

Chicão
Cotado para reforçar o Corinthians após aquele Paulistão, Chicão foi preso em 2002, condenado como co-autor de um homicício ocorrido em Iracemápolis. Passou oito anos atrás das grades. Recebeu liberdade condicional em 2010, e voltou a procurar o Botafogo-SP atrás de uma chance. “Eu errei, paguei o meu preço e me arrependo muito”, disse, na ocasião.

Chris
O defensor tinha apenas 22 anos na época. Ganhou oportunidades e conquistou espaço no time ao longo daquele campeonato. Foi importante por dar mais segurança defensiva a um time que tinha características ofensivas. Em 2001, antes da final contra o Corinthians, chegou a prometer que doaria cestas básicas na sua cidade (Timbó-SC) e iria a dez missas seguidas, em agradecimento a Santo Expedito, o padroeiro das causas impossíveis.

O título não veio, ele não teve que cumprir nada e ainda ficou sem contrato logo depois do fim da competição estadual. Posteriormente, aconteceu o acerto com o Coritiba e com o Eintracht Frankfurt, onde passou a ser conhecido como Chris Hening. Nos anos seguintes, passou por Wolfsburg (2011 a 2012) e Hoffenheim (2012 a 2013).

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O goleiro é um dos que ficaram mais famosos após o vice-campeonato paulista do Botafogo-SP. Isso porque ele se destacou ao defender pênaltis, conseguir defesas brilhantes e ser eleito a principal revelação pela Federação Paulista de Futebol (FPF), o que logo chamou a atenção do Corinthians.

Sem sucesso no time paulista, passou ainda por Cruzeiro e Santos antes de chegar ao Juventude, clube no qual conseguiu a chance da sua vida: ficou amigo de Antônio Carlos Zago, que o indicou para a Roma, da Itália, em 2005.

Doni até conseguiu se firmar no país da bota por um tempo, conquistando a Copa América de 2007 pela Seleção Brasileira como titular e virando reserva na Copa do Mundo de 2010. Mesmo assim, seguiu alvo de críticas: virou reserva de Júlio Sérgio na Roma, passou discretamente pelo Liverpool (2011 a 2012) e voltou ao Botafogo-SP (2013). Aposentou-se, vítima de problemas cardíacos.

Douglas
Revelado pelo próprio Botafogo-SP na década de 90, o volante passou por clubes como Sport, Náutico, Nacional-AM e São Paulo antes de retornar ao Botinha em 2001. Após o vice-campeonato paulista, atuou por São Paulo, Atlético-PR, Santo André e Joinville, antes de encerrar a carreira em 2005.

Em 2006, Douglas iniciou sua carreira como treinador no Mato Grosso do Sul. Passou Ivinhema, Águia Negra, Ubiratan e Nova Andradina. Entre 2011 e 2013, trabalhou ainda como secretário de esportes e cultura da cidade de Ivinhema.

Gauchinho
O importante atacante da campanha de 2001 virou um verdadeiro andarilho do futebol. Para perceber isso, basta ver que, só em 2010, ele passou por três clubes diferentes. Sim, três clubes em aproximadamente cinco meses: Inter-SM, Brasília e Luverdense-MT. Aliás, ele já era um velho conhecido da torcida deste último, pois era o maior artilheiro da história do time matogrossensse em 2010, quando se aposentou, aos 34 anos.

Em 2001, seus gols também foram essenciais ao Botafogo-SP durante o Campeonato Paulista, mas logo depois ele foi para o Avaí e recomeçou sua intensa mudança de clubes. Desde 2011 é treinador de clubes, tendo passagem por Crac-GO e Brasília.

Gustavo
Ele ainda era muito jovem em 2001 e, também por causa da sua baixa estatura, era chamado até de Gustavinho. Mesmo assim, participou de alguns jogos, principalmente como ala-direito, e foi importante no vice-campeonato de 2001.

Em 2010, foi atuar na Grécia, onde passou a jogar como meia — seguindo a tendência de laterais que saem do Brasil e, por sua ofensividade, são adiantados pelos técnicos europeus. Gustavo defendeu o Kerkyra entre 2010 e 2012, antes de retornar ao Botafogo-SP em 2013.

Jadílson
O ala-esquerdo atuou em praticamente todos os jogos do Botafogo-SP em 2001 e era uma importante arma ofensiva do time. Dessa forma, não demorou a chamar a atenção de outros clubes, até porque seu contrato com o clube de Ribeirão Preto era curto.

Então Jadílson continuou sua carreira cheia de altos e baixos no Guarani, ainda em 2001. Depois disso, chegou a atuar por grandes clubes, como São Paulo, Cruzeiro e Grêmio, mas sem tanto sucesso. Em 2010, foi para sua segunda passagem pelo Goiás, então comandado por Émerson Leão. Depois disso, passou por Grêmio Prudente (2011), Anapolina (2011), CRB (2012), Pelotas (2013), Serrano (2014), Águia de Marabá (2014) e Remo (2014). Em 2018, fechou com o Coruripe.

Junior chegou a jogar contra o Corinthians
Junior chegou a jogar contra o Corinthians

Junior
O atacante foi reserva durante praticamente toda a campanha do Botafogo-SP, mas costumava entrar durante os jogos com razoável freqüência. Sendo assim, não conseguiu se destacar a ponto de chamar a atenção de clubes grandes, como vários dos seus companheiros fizeram.

Durante a carreira, acumulou passagens por times do interior paulista e acumulou algumas tentativas de sucesso no futebol português e chinês. Também chegou a voltar para o Botafogo-SP em 2004. Em 2008, ele tentou a sorte em Cingapura, no Geylang United, e depois foi para o Desportiva Ferroviária-ES, em 2009.

Leandro
O atacante, que posteriormente ganhou o sobrenome “Gianecchini” por sua beleza ímpar, foi provavelmente o principal destaque daquele elenco surpreendente de 2001. Ele marcou seis gols durante a campanha e ficou com a artilharia dividida do time, além de ter sido eleito o melhor jogador do interior pela FPF.

O principal é que sua carreira não ficou só nisso. Ele foi para o Corinthians quando saiu do Botafogo-SP e lá ficou até 2003, sempre conquistando títulos. Saiu para a Europa, voltou ao Brasil e brilhou novamente, tanto pelo Fluminense quanto São Paulo. Passou ainda por Grêmio e Vasco. Em 2015, chegou ao Catanduvense para disputar a Série A-2 do Campeonato Paulista.

Luciano Ratinho
O meia era outro grande destaque do Botafogo-SP de 2001. Armador de bom passe formado nas categorias de base do time, tinha apenas 20 anos e também virou alvo de grandes clubes após o estadual. No final, ele seguiu o mesmo destino de Doni e Leandro: foi para o Corinthians. Mas lá não conseguiu se firmar.

A partir daí, acumulou passagens por clubes menores, incluindo times de Portugal e China. Nos últimos anos, atuou por Chapecoense, Sertãozinho (2010), Monte Azul, Tupi (2011) e Anapolina (2012). Depois disso, aos 32 anos, pendurou as chuteiras.

Robert no Palmeiras
Robert no Palmeiras

Robert
Foi o outro artilheiro do Botafogo-SP no Campeonato Paulista de 2001, ao lado de Leandro “Gianecchini”, também com seis gols. Ele tinha apenas 20 anos na época e era considerado outra boa revelação do time.

Ainda com o sobrenome “de Pinho”, ele também tinha um contrato de curta duração com o Botafogo-SP e não demorou a sair: foi para o futebol suíço, voltou para o Brasil jogando pelo São Caetano e a partir daí rodou o mundo – jogou no Japão, Rússia, México, Holanda, Espanha, Oriente Médio, etc…

Até que o Palmeiras se lembrou do jogador e resolveu resgatá-lo no meio do ano de 2009. Ele voltou ao Brasil e fez pouco sucesso entre os torcedores, apesar de ter balançado as redes 19 vezes em 38 jogos pelo time paulista.

Desde então, passou por Cruzeiro, Bahia, Avaí, Ceará, Boa e Fortaleza, além de voltar ao exterior – esteve na Coreia do Sul e no México. Em 2018, foi jogar pelo Floresta-CE fazendo dupla de ataque com o também veterano Magno Alves. Haja currículo!

Técnico Lori Sandri
O comandante daquele time era o já experiente Lori Sandri. Apesar de ter desempenhado um bom trabalho naquela competição, ele não ficou no clube logo depois. Sem deixar de fazer duras críticas ao Botafogo-SP, ele assinou com o Goiás. Morreu em 2014, aos 65 anos, vítima de um tumor cerebral.

Festa e decadência

Mesmo sem o título, os jogadores do Botafogo-SP foram recebidos com festa em Ribeirão Preto, no estádio Santa Cruz. Cerca de 500 pessoas foram ao local para festejar o vice como se fosse um título – com música, hino do time e até fogos de artifício até de madrugada. Autógrafos e fotos foram distribuídos para uma cidade apaixonada por futebol, mas carente de conquistas.

Esse ótimo ambiente não demorou a acabar. O time estava na primeira divisão do Campeonato Brasileiro daquele ano e ainda estreou com um resultado razoável: 2 a 2 com o São Paulo em casa. No entanto, o time acabou na 26ª posição entre 28 clubes e foi rebaixado junto com Santa Cruz, América-MG e Sport.

Jogadores não encontrados

Nem todo o elenco do surpreendente Botafogo-SP de 2001 foi encontrado pelo Última Divisão. O destino de alguns jogadores ficou desconhecido. Segue a lista de quem não foi achado. Se você souber onde eles foram parar, comente abaixo:

Maurício (goleiro), Augusto Silva (zagueiro) Leonardo Bell (zagueiro), Rogério (zagueiro), Renatinho (lateral-esquerdo), Chicão (volante), Douglas (volante), Edgar (volante), Robson Nese (volante) César (meia) e Birinha (atacante).

(Atualizado em agosto de 2018)

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