O triste fim da Era Lauro no Juventude

0 148

Publicidade

A carreira de Lauro, um dos maiores ídolos da história do Juventude, foi encerrada no dia 10 de julho de 2010. Pouco mais de dois meses depois, o time de Caxias do Sul viveu outro momento triste, agora ainda mais grave: o rebaixamento na Série C foi confirmado no último domingo, 20 de setembro de 2010, com certeza o dia mais triste da história do clube.

Em quatro anos, o envergonhado Juventude passou por três rebaixamentos
Em quatro anos, o envergonhado Juventude passou por três rebaixamentos

O que mais impressiona nessa história é a rápida queda pela qual o Juventude passou. Há 11 anos, o time surpreendeu o Brasil ao bater o Botafogo na final da Copa do Brasil de 1999. Faturou o importante título nacional quando todas equipes do país ainda participavam da competição. Um ano antes, tinha sido campeão gaúcho. Desde 1995, com patrocínio e investimento da Parmalat, ele já disputava a primeira divisão do futebol brasileiro. Lá ficou até 2007, quando começou a sua decadência.

Rebaixado para a Série B, o Juventude chegou a dar algum suspiro de ânimo para seus torcedores um ano depois. Foi quando o time disputou a final do Campeonato Gaúcho de 2008 e até venceu o Internacional por 1 a 0 no Alfredo Jaconi. Entretanto, veio outro vexame no jogo de volta: os Colorados venceram por 8 a 1, com direito a gol de Clemer, em cobrança de pênalti. Foi o jogo de número 500 de Lauro pelo Ju. Pelo menos nesse ano não houve nenhuma queda.

O alívio em Caxias do Sul durou pouco: em 2009, veio a inesperada queda para a Série C e Milton Scola, presidente do clube em 1999, foi o escolhido para levar o Juventude novamente aos tempos de glória. Nada feito. Ele sofreu com as dívidas acumuladas nos últimos anos, teve que investir pouco no futebol e montou um elenco recheado de jovens, sonhando com a volta para a Série B. Um dos destaques era Fausto, artilheiro ex-Linense, que já foi entrevistado pelo Última Divisão e marcou o último gol do Juventude na Série C de 2010.

As dificuldades foram tão grandes que até o técnico teve que ser mudado durante a competição – Osmar Loss saiu, Beto Almeida entrou -, mas nada resolveu. A torcida teve que se contentar em aplaudir o time que jogou com raça contra o Criciúma, no último domingo, e foi rebaixado.

Milton Scola não assume total responsabilidade pela queda. Em entrevista recente para o Uol, ele criticou a arbitragem e a CBF. Também citou a pressão como um obstáculo: “credito a queda ao futebol mesmo e à competição que jogamos. Era muito curta, apenas oito jogos. Os times eram muito parelhos e nós entramos muito pressionados”, lamentou presidente, que é candidato à reeleição e já faz campanha em reportagem do GloboEsporte.com: “todos os presidentes anteriores tiveram chance de se recuperar, então também quero a minha”.

A Era Lauro
Foram mais de 500 jogos com a camisa alviverde. O meio-campista Lauro fez história no Juventude. Marcou época. É ídolo. Participou dos principais títulos do clube. Também esteve lá nos momentos ruins, é claro. E resolveu se aposentar justo quando o pior deles estava prestes a acontecer. Lauro não estava em campo quando o Ju foi rebaixado para a Série D, mas certamente sofreu tanto quanto qualquer fanático pelo time.

Trata-se de um jogador que, fora do time de Caxias do Sul, fez pouco sucesso: acumulou duas passagens pelo Palmeiras, em 1998 e 2004, e pelo Grêmio, em 2002. Chegou até a conquistar uma Copa Mercosul pelo Palmeiras, além de títulos de divisões inferiores pelo Paulista, mas certamente ficará mais marcado por tudo que fez com a camisa do Juventude, participando desde a campanha da Série B de 1994.

Em um jogo festivo contra o Grêmio, no estadio Alfredo Jaconi, Lauro se despediu humildemente: “agradeço ao Juventude por ter cuidado de mim nos momentos que mais precisei”, declarou, emocionado.

O resultado do jogo, um empate por 2 a 2, era o que menos importava. Importante mesmo eram as 10 mil pessoas que compareceram, os aplausos, os fogos de artifício e também a bela camisa comemorativa lançada para o jogador. Nela havia até uma linha do tempo para representar a história de “Lauro Guerreiro”, apelido eternizado na parte de trás uniforme:

A camisa fez justiça ao belo passado de Lauro no Juventude
A camisa fez justiça ao belo passado de Lauro no Juventude

“Sempre ao teu lado, eu nunca te abandono. E aonde for jogar eu vou te apoiar. Passam os anos e nada muda esse sentimento. Em todos os momentos te quero igual. Juventude, não podemos perder! Não importa o que acontecer. Papada te prepara, hoje iremos vencer!”, cantaram os torcedores do Juventude após o rebaixamento na Série C. E devem continuar a cantar na Série D. Sem desistir jamais.

Torcida do Juventude

Você pode gostar também
Comentários
Carregando...