“O título de 79 foi a grande tacada da minha carreira”

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Em 2011, o Fernandópolis Futebol Clube completa 50 anos de existência. Fundado originalmente como Associação Bancária de Esportes (ABE), a Fefecê é um dos times mais tradicionais e queridos do interior de São Paulo. Um dos maiores momentos da história da Águia aconteceu em 1979, quando a equipe foi campeã da Segundona e conseguiu acesso para a Série Intermediária (atual A-2).

Geraldo da Cruz, Carlos Silva, Zé Vera, Durval, Mané Bilheteiro e Miguel Branco
Geraldo da Cruz, Carlos Silva, Zé Vera, Durval, Mané Bilheteiro e Miguel Branco

Naquela ocasião, o esquadrão alvi-azul ficou invicto durante 16 jogos consecutivos. O time tinha jogadores de renome como o goleiro Durval e o meia Carlos Silva (que posteriormente foi comprado pelo Santos). Mas o artilheiro daquela equipe foi o atacante Antonio Carlos Scanfera, o Tato, um dos maiores nomes da história da Fefecê.

Aos 60 anos, o ex-jogador trabalha na prefeitura de Fernandópolis. “Sempre conciliei a carreira de futebol com trabalho senão não dava”, afirma. Personagem importante do futebol no interior do estado, Tato conversou por telefone com a reportagem do Última Divisão. Além da Fefecê, o ex-atleta atuou no Votuporanguense, XV de Piracicaba e Independente de Limeira.

Última Divisão: Como foi formado aquele time do Fefecê de 1979?
Tato: A base era de jogadores da região. Já tinha uma espinha dorsal formada, mas depois fomos buscar alguns atletas em outros lugares. Me lembro que nós buscamos três em Goiás: o Greco, Silva e o Jorginho. Com esses reforços formamos um dos melhores times da cidade.

Time do Fernandópolis que foi campeão em 79. Tato é o segundo agachado da esquerda para direita.
Time do Fernandópolis que foi campeão em 79. Tato é o segundo agachado da esquerda para direita.

Última Divisão: A torcida da cidade acompanhou muito aquele time?
Tato: Sim. Onde nós fossemos jogar ia muita gente de Fernandópolis. Naquele campeonato, o nosso maior adversário foi o Jaboticabal. Qualquer bobeada que a gente dava eles acabavam passando a gente. Foram o grande adversário naquele ano. Depois que subimos, a Fefecê acabou não emplacando por dificuldades financeiras.

Última Divisão: Depois de atuar pelo Fernandópolis, o Carlos Silva se transferiu pro Santos?
Tato: Sim. O Carlos era um jogador de uma habilidade muito grande. Tanto que depois do Fernandópolis ele foi pro Santos de Pita, Batata, Juary. A gente foi jogar contra a Santista em Santos e o Clodoaldo assistiu a partida. Ele foi a pessoa que levou o Silva pro time da Vila.

Última Divisão: O senhor jogou na Fefecê e também no Votuporanguense. Como eram os clássicos entre os dois times antigamente?
Tato: Nossa Senhora! Era um Deus nos acuda. Na semana de clássico, na cidade só se falava nisso. Era radialista de Votuporanga que vinha fazer reportagem aqui (Fernandópolis), radialista daqui indo pra Votuporanga. Na época, os repórteres usavam aqueles gravadores grandes. A rivalidade entre os dois times existe até hoje. Mas acho que naquela época era bem maior, mais gente ia nos estádios.

Última Divisão: O que representou aquele título de 79 pra carreira do senhor?
Tato: Foi o meu primeiro e último título. Na realidade, foi a grande tacada da minha carreira. Eu já tinha de 29 pra 30 anos. Sempre gostei de jogar futebol. Mas não tenho paciência pra acompanhar jogos na televisão. Inclusive porque o meu time, o Palmeiras, não anda muito bem (risos).

Calma! A matéria da Placar dizia respeito aos ciúmes que o time provocava nos rivais
Calma! A matéria da Placar dizia respeito aos ciúmes que o time provocava nos rivais

Última Divisão: Na opinião do senhor, por que o futebol do interior decaiu tanto?
Tato: Eu estou meio afastado. Mas acredito que a Federação tem culpa nisso. Eles ficaram exigindo que os estádios dos times aumentassem. Isso prejudicou as equipes.

Última Divisão: Antigamente, os jogos do Fernandópolis tinham mais público?
Tato: Bem mais. Hoje só tem gato pingado. Antigamente, um jogo nosso dava em média 10.000 pessoas. Uma partida hoje deve dar 500, 1.000 pagantes.

Última Divisão: Faz tempo que o senhor não vai em estádio?
Tato: Pra te ser sincero, no domingo (dia 1º de maio, no jogo Fernandópolis e Assisense) eu acabei indo. Coisa que eu não fazia há muito tempo. O Soares (ex-jogador da Fefecê) e outros me encheram tanto a paciência que eu acabei indo. Mas não tive paciência, acabei saindo no primeiro tempo mesmo. Não pretendo voltar.

Última Divisão: O senhor acha que o Fernandópolis pode subir esse ano?
Tato: Acho difícil. O time tem muitos problemas de ordem financeira. Antigamente, era tudo mais fácil, o futebol atraia mais pessoas e tinha certos patrocínios. Infelizmente, o time foi caindo.

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