O Sporting está de volta ao futebol feminino. Pelo clube, mas de olho no próprio futebol feminino

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A liga portuguesa feminina de futebol não é das mais competitivas da Europa, mas ganhou um nome de peso para a disputa da temporada 2016/2017. Em 20 de maio de 2016, o Sporting anunciou sua volta ao certame após 21 anos de ausência.

Campeonato_feminino_logoCriado em 1993, o Campeonato Nacional de Futebol Feminino – ou simplesmente “Campeonato Nacional” – é figurante entre as ligas femininas da Europa. Enquanto os clubes masculinos do país terminaram a temporada 2015/2016 na quinta colocação entre as melhores nacionalidades do continentes, os clubes femininos de Portugal fecharam a temporada com a modesta 29ª colocação na lista de quoficientes da Uefa, atrás de países como Cazaquistão (15º), Chipre (19º) e Bielorrússia (24º).

Para efeito de comparação, entre as principais ligas femininas europeias, a mais antiga é a da Itália, fundada em 1968. Na esteira, vieram o Campeonato Belga (1971), a Copa da Inglaterra (1971) e as ligas de Áustria (1972), Dinamarca (1973) e França (1975). Na década seguinte, vieram os campeonatos de Bulgária (1985), Espanha e Suécia (ambas em 1988). Na década de 90, surgiram as competições de Alemanha (1990) e Croácia (1992). Apenas no século XXI, foram criados torneios femininos na Bósnia (2001), na Finlândia (2006) e na Holanda (2007), além da Liga dos Campeões da Europa (temporada 2001/2002) e da Women’s Super League na Inglaterra (2011).

Nestas três décadas de existência em Portugal, o Campeonato Nacional foi amplamente dominado por duas equipes: 1º de Dezembro e Boavista. Embora donas de resultados discretos no futebol masculino, as duas equipes somam nada menos que 23 títulos entre as mulheres – o 1º de Dezembro levou 12, um a mais que o Boavista.

Imagem do confronto Benfica 0 x 0 Albergaria na temporada 2015/2016 (Crédito: FPF.pt)
Imagem do confronto Benfica 0 x 0 Albergaria na temporada 2015/2016 (Crédito: FPF.pt)

Por outro lado, Porto, Benfica e Sporting, que dominam a liga masculina, não dão as caras na liga feminina. Os primeiros títulos do trio foram conquistados apenas nas temporada 2014/2015 e 2015/2016, quando a equipe feminina do Benfica terminou a temporada em primeiro lugar.

Entretanto, em Portugal, os grandes clubes masculinos não podem mais fugir do crescente interesse feminino no futebol. Quando anunciou a retomada de seu equipe feminina, em 20 de maio de 2016, o próprio Sporting afirmou que, “segundo dados estatísticos da Federação Portuguesa de Futebol, o número de federadas aumenta em média 20% todos os anos”.

Elenco de olho no crescimento

E foi de olho no aumento do interesse das portuguesas pelo futebol que o time feminino do Sporting voltou aos gramados. O elenco, formado do zero no primeiro semestre de 2016, foi apresentado em pouco tempo. Em comum, as novidades chegaram com o discurso de apoio à retomada do futebol feminino em José Alvalade.

(Crédito: César Santos/Sporting.pt)
(Crédito: César Santos/Sporting.pt)

“O clube, ao ter esta iniciativa, vai chamar muito mais pessoas ao futebol feminino, o campeonato terá muito maior protagonismo”, apostou a meio-campista Fátima Pinto, ex-Santa Teresa (Espanha), em sua apresentação no dia 10 de junho. No mesmo dia, chegaram também as atacantes Solange Carvalhas e Diana Silva – em comum, as três (foto) contam com passagens pela seleção portuguesa no currículo.

“Esta iniciativa tem tudo para se tornar um grande avanço para o futebol das mulheres e das meninas, e vai também trazer grandes vantagens ao Sporting”, afirmou o técnico Nuno Cristóvão, tricampeão nacional feminino (2009/2010, 2010/2011 e 2011/2012) pelo 1º Dezembro, em sua apresentação no dia 30 de junho.

Da esquerda para a direita: Tânia, Nadine e Sara (Crédito: José Cruz/Sporting.pt)
Da esquerda para a direita: Tânia, Nadine e Sara (Crédito: José Cruz/Sporting.pt)

No fim de junho, o elenco passou a ser apresentado. No dia 20, chegou a goleira Patrícia Morais. Um dia depois, apresentaram-se Ana Rita Viegas, Ana Capeta e Matilde Figueiras (foto que abre este texto). No dia 23, foram apresentadas a volante Bruna Costa e a meia-atacante Bárbara Marques (ex-Estoril Praia). No dia seguinte, mais três jogadoras: a volante Nadine Cordeiro, a meia Sara Granja e a atacante Tânia Rodrigues.

Em 25 de junho, o Sporting contratou a jovem goleira Inês Pereira, de 17 anos, que vinha de duas temporadas pelo Estoril. Em 27 de junho, mais quatro: a zagueira Catarina Lopes, a meia Elsa Ventura e a atacante Constança Silva, além da lateral direita Rita Fontemanha. No dia 28, chegaram a lateral Joana Marchão (vinda do Ouriense) e a atacante Filipa Mandeiro (ex-Estoril Praia).

Campeonato Nacional em expansão

Os moldes do Campeonato Nacional, por si só, já apontam a expansão que o Sporting percebeu – e do qual ele é parte. Nas temporadas 2014/2015 e 2015/2016, dez equipes estiveram em ação. Já na temporada 2016/2017, serão 14 times – além do Sporting, entraram também Sporting Braga, Belenenses e Estoril Praia. O CAC Pontinha foi promovido do Campeonato da Promoção (segunda divisão), substituíndo os rebaixados Cadima e Laura Santos.

Na atual temporada, os 14 times serão divididos em três grupos regionais. O Grupo Norte terá quatro times (Boavista, Sporting Braga, Vilaverdense e Valadares Gaia), um a menos que o Grupo Sul (Albergaria, União Ferreirense, A-dos-Francos, Ouriense e Viseu 2001) e que o Grupo de Lisboa (Benfica, Belenenses, Estoril Praia, CAC Pontinha e Sporting).

Até a última temporada, as quatro melhores equipes da primeira fase (grupo único) disputavam o quadrangular do título. Para a temporada 2016/2017, porém, ainda não há notícias a respeito do regulamento.

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