“O Serginho tem medo de ler a biografia”

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Serginho Chulapa é um dos personagens mais polêmicos do futebol brasileiro. A trajetória do jogador está recheada de confusões dentro e fora dos gramados. Ídolo do São Paulo e do Santos, o atacante foi fundamental na conquista de títulos inesquecíveis para as duas torcidas como o Campeonato Brasileiro de 77 e o Paulista de 84.

O jornalista Wladimir Miranda sempre quis escrever a biografia do atacante. Com empenho e dedicação, o repórter conseguiu seu objetivo. O Artilheiro Indomável – As Incríveis Histórias de Serginho Chulapa é resultado de sete anos de pesquisa. A obra publicada pela editora Publisher Brasil é um dos destaques do mercado editorial no segmento futebol.

Última Divisão conversou com Wladimir Miranda. Ele conta alguns episódios da carreira de Chulapa.

Última Divisão: Como surgiu a ideia de você fazer a biografia do Serginho Chulapa?
Wladimir Miranda:
Sempre achei o Serginho um personagem interessante. Ainda não era jornalista e já pensava em escrever a biografia dele. Chamava a minha atenção o fato de ele ser um atacante decisivo, que fazia gols em jogos importantes e ao mesmo tempo estar sempre envolvido em confusões, dentro e fora de campo. Pensava, como um jogador como ele, que acumulava tantos momentos de desequilíbrio poderia atuar no São Paulo, que sempre foi considerado um clube modelo na maneira de tratar e preservar seus ídolos. Foi por isso que o procurei para escrever o livro da vida dele.

Serginho é ídolo do São Paulo e do Santos

UD: É verdade que você demorou muitos anos fazendo o livro?
WM:
Sim. Superei vários obstáculos para escrever a biografia. Primeiro porque foi um projeto pessoal, sem o aporte financeiro de uma editora. E também porque sempre tive trabalhos paralelos nos jornais em que trabalhava e sobrava pouco tempo para me dedicar ao livro do Serginho. Comecei a escrever o livro em 2004. Mas interrompi o projeto várias vezes. Cheguei a ficar quatro anos sem mexer na biografia. O Serginho era e continua sendo um sujeito indomável. Bem, se não fosse indomável eu não teria feito a sua biografia. O título do livro diz com exatidão como é a personalidade dele. O Serginho é uma pessoa de muitas facetas. É amigo dos amigos e inimigos de quem mexe com ele. Tive muitos problemas com ele com relação a horários. Ele fica a maior parte do tempo em Santos e eu moro em São Paulo. Esse aspecto prejudicou bastante o processo. Muitas vezes marquei entrevistas com ele em Santos e ele não aparecia. O Serginho é assim: um grande personagem. Controverso e por isto mesmo justifica plenamente a realização da biografia.

UD: Tem algum episódio que o personagem pediu para que ficasse fora da obra?
WM:
Nenhum. Não posso reclamar do Serginho neste aspecto. Ele me deixou completamente à vontade para entrevistar quem eu quisesse. Falei com os amigos, inimigos, árbitros, comentaristas, mulheres, namoradas, ex-mulheres, enfim, com quem eu quis e o meu tempo permitiu. Trata-se de uma biografia autorizada, mas que nada tem de chapa-branca. O Serginho ainda não leu o livro. E disse numa entrevista recente que tem medo de ler a biografia. Portanto, ele não prejudicou o processo neste aspecto.

UD: O Serginho colecionou muitos amigos e inimigos dentro do futebol. Algum deles não quis falar com você?
WM:
Todos falaram. A única pessoa que não quis falar foi a primeira mulher dele, com quem ele teve um problema. Ele teria agredido ela quando eram casados. O caso foi parar na delegacia e foi aberto um boletim de ocorrência. Relatei o episódio no livro, com a ressalva de que ela não quis dar entrevista. Mesmo assim escrevi que foi feito um boletim de ocorrência sobre a suposta agressão. Serginho nega que a agrediu. As ex-mulheres dele disseram que ele sempre foi mulherengo, mas nunca as maltratou. Enfim, o meu papel de repórter foi feito.

UD: Ele também tentou a carreira de cantor e ator de cinema. Você chegou a ouvir o disco gravado por ele? E os filmes que ele fez?
WM:
Não, não ouvi. Ainda bem, pois ele mesmo diz que o disco era muito ruim. O ex-empresário dele, Heriberto Monteiro, já falecido, disse também que o Serginho cantava muito mal. Tudo que foi falado sobre ele, elogios e críticas, está na biografia. Filmes? Sei que o Serginho participou de comerciais para televisão. Filmes, sinceramente eu desconheço. Não tenho essa informação.

O atleta foi protagonista do filme “As Panteras Negras do Sexo”, do diretor Ubiratan Gonçalves

UD: No livro, o atacante deixa claro que ele poderia ter rendido melhor na Seleção se tivesse sido chamado na Copa de 78. Você também acredita nisso?
WM:
O Serginho disse que disputou a Copa errada. Ele disse que seu estilo não combinava com a seleção montada pelo Telê Santana, que era de toque de bola, com muitos jogadores habilidosos. Segundo ele, a Copa de 78 foi mais de choque, que tem mais a ver com as características que ele mostrava em campo. Neste aspecto eu concordo com ele.

UD: Qual foi a maior dificuldade em fazer o livro?
WM:
A maior dificuldade foi em relação aos horários. Por ele morar em Santos, tivemos problemas para conciliar as agendas. Mesmo assim, o livro traz todos os personagens que eu queria entrevistar, com exceção da primeira mulher dele.

 UD: Quais são seus próximos projetos? Você pretende escrever mais biografias sobre outros ídolos do futebol?
WM:
Pretendo, sim. Já estou em outro projeto. Só não posso revelar neste momento.

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