O que é que a Segundona Paulista tem?

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Colaboraram Allan Brito, Emanuel Colombari, Matheus Trunk e Sérgio Oliveira

Ex-Corinthians, Daniel Grando (Primavera) e Tupãzinho (Tupã) disputam Segundona como atleta e dirigente, respectivamente

Esqueça os clubes de grande estrutura, dinheiro jorrando a partir de seus departamentos de marketing e craques de nível internacional, ainda que em idade de se aposentar. Esqueça também as boas jogadas, os dois toques rápidos e as táticas mirabolantes de técnicos que sonham em ser José Mourinho. Na quarta e última divisão do Campeonato Paulista, chamada eufemisticamente de Série B, o buraco é mais embaixo. Aliás, o buraco é pelo campo todo, seja qual for o estádio. Mesmo assim, o degrau mais baixo do futebol profissional do estado de São Paulo é um torneio fascinante e tão disputado quanto o aclamado Campeonato Brasileiro da Série A. E você vai entender por que.

A trajetória não é fácil. Ao todo, serão 414 jogos disputados em cinco fases para chegar à definição do campeão e vice, que serão os únicos a receberem alguma recompensa financeira, ainda que não especificada pelo regulamento oficial do campeonato. O dinheiro, aliás, é algo que passa longe da Série B do Campeonato Paulista. Não há ajuda de custo para transportes e hospedagens dos clubes durante a competição, nem em fases mais avançadas, o que sempre provoca alguma desistência de última hora. Pelo menos há uma divisão regional na tabela da primeira fase, agregando times de uma mesma região a fim de evitar grandes deslocamentos e, consequentemente, mais gastos.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) é a gestora do torneio e se limita a pagar apenas a taxa de arbitragem das partidas. Por outro lado, explora lugares nobres do gramado com placas de publicidade, a fim de aparecer nas transmissões da Rede Vida e da TV FPF, únicas a transmitir algumas partidas do torneio, que, neste ano, vai de 30 de abril a 6 de novembro. Em outras palavras, a Segundona é uma competição deficitária para os clubes… mas muito divertida para os torcedores, especialmente aqueles de regiões que não tem um time disputando divisões profissionais.

E para provar o quão interessante pode ser a Série B do Campeonato Paulista, o Última Divisão selecionou um fato interessante de cada um dos 44 times que irá tentar o acesso neste ano. Tem jogador veterano com passagem por grandes clubes do Brasil e do exterior, atleta estrangeiro tentando vingar no país do futebol, profissional de outras áreas atacando de técnico, time sem qualquer planejamento a algumas semanas do primeiro jogo, prefeituras bancando equipes com dinheiro público, enfim. A Segundona Paulista é onde o futebol sobrevive, mesmo feito aos trancos e barrancos, com muito amor.

Grupo 1
Bandeirante: Time será treinado por Edson Fumaça, que deu entrevista para o UD e, como jogador, levou a equipe para a primeira divisão paulista em 1986.
Votuporanguense: O time não é a tradicional Associação Atlética. Na verdade trata-se do Clube Atlético, clube-empresa criado por uma fundação angolana.
Assisense: O técnico Neto só assumiu o time após reduzir sua carga horária na Secretaria de Educação, em cargo conquistado através de concurso público.
Fernandópolis: É mais um time do interior a contar com forte apoio da prefeitura: o presidente é Ademir de Almeida, secretário de esportes da cidade.
José Bonifácio: Com o objetivo de conquistar o acesso, o time anunciou uma parceria com a empresa Dhuan Comércio Exterior, de Curitiba.
Tanabi: Quem comprar o carnê “Torcedor Fidelidade” e comparecer em todos jogos do Tanabi pode ganhar um carro, que ficará exposto no estádio.
Tupã: O “talismã” corintiano Tupãzinho é diretor de futebol do time. Ele chegou a ser improvisado como técnico, mas agora Carlão assumiu o comando.

Grupo 2
Américo: Reformou o estádio Joaquim Justo para tentar o acesso inédito. O técnico é Laércio Júnior, ex-Cascavel. Fique de olho no meia Renan Gadiel.
Barretos: Vai a campo com o quarto distintivo de sua história. O principal reforço é o atacante Alan, ex-São Caetano.
Guariba: Desde janeiro, é presidido por Vanessa Evangelista de Souza, ex-assessora da Prefeitura. Graduada em jornalismo, é a primeira mulher a encabeçar a diretoria do clube.
Jaboticabal: Completa 100 anos em 2011. A meta é repetir o Velo Clube, que coroou seu centenário em 2010 com o acesso à Série A-3. Leandro Fonseca, ex-Hannover, é o craque.
Olé Brasil: O time será treinado por Gil Baiano, ex-lateral do Bragantino e Palmeiras. Mas o destaque está mesmo no time sub-17: Matheus Mancini, filho do técnico Vagner Mancini.
Olímpia: Tem a seu lado a parceira Brumed Sports, de São José do Rio Preto, e o técnico José Roberto de Oliveira, que conquistou o acesso com o time na então terceira divisão em 1987.
Matonense: Sofre para voltar à Série A-1, e deve apostar na basedo time do Paulista Sub-20 de 2010. De concreto, pouca coisa no Estádio Dr. Hudson Buck Ferreira.

Grupo 3
Independente: O treinador da agremiação é Jorge Parraga, que atuou na Ponte Preta e dirigiu o Palmeiras no ano passado.
Bariri: A equipe será treinada pelo ex-jogador Lela, ídolo da Ponte Preta e do Coritiba, pelo qual foi campeão brasileiro em 1985.
Guaçuano: O time lançou o “Cartão Torcedor 2011”. Por apenas 50 reais, o torcedor pode assistir todos os jogos do Mandi como mandante no ano.
Brasilis: O presidente de honra é o ex-zagueiro Oscar Bernardi, que atuou na Ponte Preta, São Paulo e na Seleção Brasileira nas Copas de 82 e 86.
São Judas: Este é o primeiro clube profissional de futebol que a cidade de Jaguariúna terá na história.
Palmeirinha: O presidente da agremiação, João Roberto Bellini, é também dono do principal jornal de Porto Ferreira.

Grupo 4
Capivariano: Tem uma duradoura parceria com o São Paulo FC e utiliza atletas das categorias de base tricolor na competição.
Cotia: É o novato da competição. Foi apresentado oficialmente para a cidade apenas na semana passada e contará com o apoio da Prefeitura Municipal para brigar pelo acesso.
Desportivo Brasil: É o time da Traffic e conta com uma das melhores estruturas da competição. Além disso, disputará a competição com o elenco que chegou em terceiro na Copa São Paulo 2011.
Elosport: O grande destaque do Galo do Sul para a temporada 2011 é o atacante Alex Cambalhota, ex-Itaipirense e Taboão da Serra.
Primavera: O principal jogador do Fantasma da Sorocabana para a competição será o atacante Daniel Grando, conhecido do grande publico por causa de sua passagem pelo Corinthians.
Osasco: Jogará com parte do elenco do Grêmio Osasco, que está na segunda fase da Série A-3. Chegou a cogitar a contratação de Viola para ser técnico, mas o jogador não aceitou a proposta.
Atibaia: Pela primeira vez, o time terá patrocínio na competição: conseguiu o apoio de duas empresas da cidade. Quando caminhou com as próprias pernas, sempre bateu na trave.
Sumaré: A novidade no elenco é a presença de um jogador angolano. Trata-se do atacante Paulino Brown, de 25 anos.

Grupo 5
Guarulhos: A equipe da Grande São Paulo aposta nos atletas da base para fazer uma boa campanha. A equipe será dirigida por Toninho Oliveira, ex-lateral campeão paulista pelo Santos em 1984.
Manthiqueira: Time mais alternativo da competição, irá representar a cidade de Guaratinguetá após a mudança do EC Guaratinguetá para Americana.
Joseense: Parceria com o Fluminense-BA foi renovada e time deverá receber cinco atletas por empréstimo. A equipe só não quer repetir a campanha dos baianos, que quase foram rebaixados.
ECUS: A grande novidade é o atacante camaronês Patrik Lukupeta, que teve passagens pela seleção de base de seu país e atuou por Comercial (SP), Portuguesa Santista e Osvaldo Cruz.
União Suzano: Foi o último colocado da primeira fase em 2010, mas promete uma campanha mais vitoriosa. Para isso, o Javali contratou o zagueiro Alexandre, que estava no Spartak Nautic da Rússia.
Primeira Camisa: É assessorado por Acaz Felleger, que costuma criar polêmicas bizarras. Recentemente, expulsou um jornalista aos berros no treino do Primeira.
Jacareí: O estádio do JEC se chama Stravos Papadopoulos, homenagem ao empresário grego que patrocinou a construção do estádio.
União Mogi: O técnico é José Luiz Soares, ex-Vila Nova e Fortaleza, e dono de um centro de formação de atletas… no Rio Grande do Sul!

Grupo 6
Portuguesa Santista: Depois de duas quedas, a Briosa aposta na base para voltar à A-3. Douglas Vieira, beque e filho do investidor, segue no time. Para desespero da torcida.
Guarujá: Retorna ao profissionalismo depois de dois anos fora da Segundona. Por isso mesmo, ainda é uma das maiores incógnitas da competição.
EC São Bernardo: Apesar das dificuldades apontadas por Passarelli, o time aposta no bom futebol do meia Robben que, ainda que não seja holandês, tem se destacado na preparação.
Mauaense: Como em 2010, o time receberá aporte financeiro do São Bernardo FC. A diferença é que o tutor vinha de acesso à A-1 no ano passado e agora acaba de cair à A-2, o que pode afetar o repasse.
Jabaquara: Pelo quinto ano, o Jabuca será representado pelo Litoral FC, time do Pelé. E se não tem o Rei, ao menos terá um Michell Platini, que adota o apelido Gomes pela semelhança com o goleiro.
Nacional: Depois de levar os juniores às oitavas da Copa SP 2011, Nogueira Jr. terá que superar a desconfiança do time principal, derrotado por 8 a 1 pelo Primeira Camisa em seu primeiro teste.
Palestra: Time de São Bernardo inova e terá como treinador o jornalista Lombardi Jr., filho do ex-locutor do patrão com larga carreira no futebol amador.
São Vicente: O ano nem começou e a equipe já está no terceiro técnico. Depois da saída de Nenê Belarmino para o Oeste, o assistente Paulo Séregio assumiu, mas foi trocado por Arizinho. Mau sinal.

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