O patriotismo infundado e a famosa Batalha de Berna

(Arquivo Nacional Fundo Correio da Manhã)
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Brasil x Hungria, quartas de final, Copa do Mundo de 1954, na Suíça. De um lado, a atual seleção vice-campeã do mundo, com a alma ainda ferida pelo Maracanazo de quatro anos antes. Do outro lado, a sensação Hungria, atual campeã olímpica e que vinha distribuindo goleadas sem piedade no Mundial.

Era o roteiro perfeito para um jogo eletrizante no estádio Wankdorf, em Berna. Mas poucos imaginavam que ali também seria o palco da famigerada Batalha de Berna.

 

O JOGO

No vestiário, dirigentes brasileiros esbravejavam patriotismo, obrigando os atletas a beijar a bandeira da Força Expedicionária Brasileira (FEB) — força militar que enviou cerca de 25 mil soldados para lutar na Itália na Segunda Guerra Mundial — e os pilhando para vingar os mortos de Pistóia (cemitério italiano onde foram enterrados os mortos).

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Segundo Nilton Santos, o Brasil entrou com nervos à flor da pele.

A Hungria venceu por 4 a 2 e o resultado foi o menor dos problemas nesse dia. Então… não falarei do jogo, já que o resultado ainda foi desanimador. A confusão começou de verdade durante a etapa final, quando Nilton Santos e Boszik trocaram socos e foram expulsos de campo.

 

PÓS JOGO – A Batalha começava

Quando o árbitro apitou o final da partida, aí sim começou a verdadeira “Batalha de Berna”.

Puskas, que não havia jogado e estava na arquibancada, foi ao campo provocar os rivais. PRONTO! Agora começou de verdade – de novo.

Quando um policial foi tentar conter os ânimos, levou uma rasteira de um jornalista brasileiro, que só piorou a situação. Didi, que manjava de capoeira, distribuía pontapés em quem passasse pela frente. Lira Filho, ainda atordoado com o discurso no vestiário, simplesmente pegou a bandeira da FEB e corria sem rumo pelo campo. UMA LOUCURA!

A batalha envolveu todos: jogadores, dirigentes, policiais e até jornalistas.

O técnico brasileiro Zezé Moreira usou uma chuteira — pegou a que estava em mãos (ou nos pés?) — para atacar o rosto de um estranho que estava no campo e ainda disparou a própria contra o Ministro do Esporte da Hungria. A confusão foi GENERALIZADA!

Enquanto tudo isso acontecia, Mario Vianna — árbitro brasileiro que havia apitado um jogo naquela Copa — esbravejava no microfone de uma rádio do Brasil que o que estava acontecendo era parte de um complô para favorecer os comunistas. Isso inflou os brasileiros, que foram depredar a embaixada da Suécia no Rio de Janeiro.

“Perdemos o jogo para a Hungria e o torneio foi na Suíça. No calor das emoções, entretanto, todos os gatos são pardos. Os indignados torcedores cariocas, como bravos guerreiros tupinambás, quebraram, em desagravo ao pavilhão auriverde, a embaixada da Suécia”

Até hoje uma das maiores “batalhas” relacionada ao futebol. E só um adendo para terminar: futebol e política se juntam SIM!

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