O outro time de Elton John

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Que Elton John é apaixonado pelo Watford todo mundo já deve saber. O Rocket Man inclusive foi presidente do Golden Boys em duas ocasiões e fez uma gestão histórica: levou o time da quarta divisão à elite do campeonato inglês em 1982, classificou-os para a UEFA Cup em 1983/1984 e levou-os à final da FA Cup em 1984. O sucesso astronômico do time de Vicarage Road lhe rendeu o título de presidente honorário e deixou seu nome eternizado em um dos setores do estádio.

O que poucos devem saber é que Elton John também foi proprietário de um outro time de futebol, só que do outro lado do Atlântico. Nos anos 70, durante a era de ouro da milionária North American Soccer League (NASL), diversos clubes de futebol começaram a surgir nos EUA, e um deles foi o Los Angeles Aztecs.

A NASL, que não é a mesma NASL dos dias atuais, foi a liga criada em 1968 nos EUA e no Canadá para ser o equivalente ao futebol da NFL e da NBA. A liga acabou ficando famosa pela constelação de craques que jogou por lá, sobretudo no New York Cosmos. Alguns deles você deve ter ouvido falar: Pelé, Carlos Alberto Torres e Beckenbauer.

Em 1974, Elton John já era vice-presidente do Watford – um cargo mais figurativo do que de gerência no futebol britânico – e se tornava uma celebridade da música. Seus principais discos são dessa época, incluindo Goodbye Yellow Brick Road (1973), considerado um dos melhores da sua carreira.

Foi nesse ano que Dr. Jack Gregory, um magnata do setor imobiliário, o convidou para ser sócio do Los Angeles Aztecs. Em uma entrevista à TV local, ele disse que o motivo por trás do convite era ajudar a disseminar o esporte nos EUA, sendo ele uma figura conhecida do show business. Como o cantor tinha residência em Los Angeles e era fã de futebol, ele não viu porque não aceitar a proposta.

Outra possível explicação pode ser afetiva. Seu primo Roy Dwight, ex-ponta direita do Nottingham Forest e campeão da FA Cup de 1959, intermediou a ida de clubes britânicos no primeiro campeonato organizado pela United Soccer Association (USA), em 1967.

Esse torneio de primavera contou com times de diversos países, incluindo o Bangu, que jogou sob o nome de Houston Stars, e foi uma tentativa de alavancar o interesse dos norte-americanos no famigerado ‘soccer’. Contamos a história desse torneio aqui.

A primeira temporada do Aztecs não poderia ser melhor: campeão nos pênaltis em cima do Miami Toros no estádio Orange Bowl, em Miami. Porém, esse seria o primeiro e último título do time laranja na NASL.

Isso porque, em 1975, a chegada de Pelé para o Cosmos e Eusébio para o Boston Minutemen mexeram com as estruturas do futebol estadunidense. Os times viram que a parada atingiu outro patamar e era preciso se reforçar. E foi então que o time da Costa Oeste contra-atacou e sagazmente assinou com ninguém menos que o craque norte-irlandês George Best.

John e Best

Óbvio que a ligação de Elton John com o Aztecs é muito menor do que com o Watford – ele próprio admite isso em seu site oficial – e conta-se que ele era raramente visto nas dependências do clube, mas especula-se que só sua presença teria garantido ao time americano a aquisição do atacante ídolo do Manchester United.

Em 1974, Best deixou definitivamente os Diabos Vermelhos depois de deixar um rastro de confusão pelo caminho. Deu um sumiço de três dias na equipe, foi preso por furto, anunciou sua aposentadoria e voltou atrás, e participou da desastrosa campanha do rebaixamento para a segunda divisão. Tudo isso num intervalo de duas temporadas.

Aos 30 anos, o “El Beatle” perambulou por diversos times menores no Reino Unido, e até se aventurou no Jewish Guild da África do Sul, e estava muito perto de encerrar a carreira quando foi chamado para jogar nos EUA, em 1976.

Fã confesso de rock e o mais perfeito exemplo de rebelde do futebol, Best era uma aposta da NASL para alavancar o interesse do público pelo esporte. Por isso, a luta dos clubes para conseguir seu passe foi intensa.

Prevaleceu a lógica: bon-vivant e chegado na tríade “festas, mulheres e bebedeira”, Best se estabeleceu em Los Angeles, onde abriu um pub em Hermosa Beach e passou a viver entre os artistas. Inclusive foi na cidade que ele conheceu sua primeira mulher, Angie Best, ex-modelo e ex-coelhinha da Playboy.

Mais do que isso, o futebol viu o excêntrico rapaz de Belfast voltar ao estilo que o consagrou em campo, marcando 15 gols em 23 jogos e entrando no time dos 11 melhores da temporada, ao lado de Pelé, Bobby Moore e Giorgio Chinaglia.

Mas, ainda no verão de 1976, Best e John voltariam à Inglaterra. O craque norte-irlandês defenderia o Fullham, então na segunda divisão, mas voltaria à terra do Tio Sam no ano seguinte. Já o cantor, aos 29 anos, enfim se tornaria presidente do Watford após comprar as ações majoritárias do antigo dono.

Então, Elton John vendeu sua parte do Aztecs para Alan Rothenberg, que futuramente se tornaria presidente do US Soccer Federation e intermediaria a ida da Copa do Mundo para os EUA – cuja final, por acaso, foi no estádio Rose Bowl, a casa do finado LA Aztecs.

Nos anos seguintes, após a saída de Best para o Fort Lauderdale Strikers, o Los Angeles Aztecs assinaria com outras duas lendas europeias em 1979: o técnico Rinus Michel e o atacante Johan Cruyff, dois dos monstros sagrados do Carrossel Holandês de 1974. Mas dois anos depois, endividado e sem os resultados esperados dentro de campo, o Aztecs fecharia as portas em 1981.

Elton John mostrando intimidade com a bola, enquanto George Best só assiste
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