O mais profissional dos amadores

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A convocação de Leandro Damião para a Seleção Brasileira fez com que as origens do atacante fossem resgatadas por torcedores e jornalistas. Jovem joia do Internacional, Damião foi revelado pelo Estrela da Saúde, clube da várzea de São Paulo, e de lá foi para o Atlético de Ibirama, onde atendia por Leandrão. De lá, seguiu para Porto Alegre. Assim, muita gente se lembrou da tradicional equipe paulistana – que, embora amadora, tem hino, torcida e até mesmo passagens pelas categorias profissionais.

Time juvenil do Estrela, 4º colocado no Campeonato da FPF de 1966. Em pé: Robertinho, Reynaldo, Sebastião, Acácio, Bernardo, Ariovaldo, Rubinho, Geraldo e Camarão. Agachados: Dula, Wanderley, Cidão, Walter, Beiça, Antônio Carlos e Rocco (massagista)
Time juvenil do Estrela, 4º colocado no Campeonato da FPF de 1966. Em pé: Robertinho, Reynaldo, Sebastião, Acácio, Bernardo, Ariovaldo, Rubinho, Geraldo e Camarão. Agachados: Dula, Wanderley, Cidão, Walter, Beiça, Antônio Carlos e Rocco (massagista)

Fundado em 1913, o Estrela da Saúde foi criado por imigrantes italianos das Indústrias de Fiação Moinho Santista, que utilizavam um terreno baldio atrás da empresa – localizada no bairro paulistano da Saúde – para a disputa de jogos de futebol. Mesmo assim, a data de fundação oficial do clube é 1° de setembro de 1917, uma vez que as atividades da equipe tiveram que ser paralisadas em função da Primeira Guerra Mundial. O nome e as cores azul e branco do time, os fundadores creditaram ao céu de São Paulo na data de fundação.

Entre as décadas de 20 e 60, o time figurou com regularidade entre as segunda e terceira divisões do Campeonato Paulista. As informações sobre tais passagens são um tanto quanto desencontradas, mas sabe-se que o Estrela jamais conseguiu passar à elite bandeirante, batendo na trave em duas ocasiões: em 1952, quando foi lanterna de sua chave na segunda fase, e em 1959, quando foi a sexta colocada da última fase da divisão. Nas duas ocasiões, o acesso era disputado em duas fases.

Equipe profissional do Estrela, em 1962. Em pé: Vagalume, Antonio Colitti, Anésio, Coronel e Nêgo. Agachados: Roberto, Soares, Wilson, Dula e Valdir
Equipe profissional do Estrela, em 1962. Em pé: Vagalume, Antonio Colitti, Anésio, Coronel e Nêgo. Agachados: Roberto, Soares, Wilson, Dula e Valdir

No ano de 1961, porém, o clube sofreu com um golpe decisivo: a venda do terreno do Estádio Miguel Estefano para um empreendimento imobiliário. O clube contava com um razoável montante de dinheiro para comprar um novo terreno na região da Rua Vergueiro, em São Paulo; porém, um assalto custou à equipe a nova casa, obrigando o Estrela da Saúde a se mudar para as margens da represa de Guarapiranga, em uma região afastada do centro de São Paulo.

O clube conseguiu levantar sua nova sede, concluída em 1973 com o Campo da Guarapiranga. Mesmo assim, a partir daí, teve dificuldades para manter seus times de base. Por isso, para amortizar a dívida que se seguiu, o presidente Geraldo Delapíno procurou o São Paulo Futebol Clube, que topou a proposta alviazul: assumiu a dívida, os times infantil, juvenil e júnior, e o CT de Guarapiranga, em comodato por 60 anos.

Campo da Guarapiranga (Crédito: São Paulo FC/Divulgação)
Campo da Guarapiranga (Crédito: São Paulo FC/Divulgação)

Hoje, o Estrela da Saúde é um time amador, como em sua origem, e nem passa perto de disputar o Campeonato Paulista. Nos últimos anos, além de revelar jogadores como Leandro Damião, o time é presença constante em competições tradicionais da várzea paulistana.

Informações e fotos: Wikipedia, Esporte Alto Vale, Jogos Perdidos e SIMMM – O Site do Esporte Amador.

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