O maior ramo da Figueira

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As gerações mais jovens passaram a conhecer o Figueirense na última década, após o polêmico acesso sobre o Caxias em 2001, e podem até imaginar que os maiores ídolos do clube sejam posteriores a este período, como o zagueiro Cleber, o meia Fernandes ou o atacante Edmundo. Engano: quem acompanha o time o Estádio Orlando Scarpelli conhece bem a fama de Albeneir Marques Pereira, ou simplesmente Albeneir.

Mineiro de Belo Horizonte, Albeneir nasceu em 9 de setembro de 1957. E apesar de iniciar sua carreira nas categorias de base do Cruzeiro em 1974, o então atacante de 1,98 m não se firmou no clube mineiro. De lá, passou por Nacional-AM, Brasília, Operário-MS e Matsubara, conquistando títulos estaduais no Distrito Federal (1978 e 1980) e no Mato Grosso do Sul (1979). Em 1981, enfim chegou ao Figueirense, e lá fez história.

Curiosamente, Albeneir jamais conquistou títulos pelo Figueira. Mesmo assim, escreveu suas passagens pelo clube com gols – foram 93. Contratado em 1981, permaneceu até 1984. Naquele mesmo ano, brigou por vaga na Seleção Brasileira que iria aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, mas ficou de fora. Teve uma rápida passagem pelo Joinville em março, antes de voltar ao Figueira. De lá, enfim, foi para o Grêmio em outubro.

Em outubro daquele mesmo ano, Albeneir vivia boa fase pelo Grêmio, marcando gols em partidas pelo Campeonato Gaúcho – contra Inter de Santa Maria, Aimoré e Pelotas. Porém, em mais uma “ida e vinda”, foi apresentado no Figueirense para disputar o Catarinense de 1985. Passagem rápida, e lá estava Albeneir de volta ao Grêmio para ser campeão gaúcho em 1985 e 1986.


Albeneir no Grêmio: dois títulos estaduais

No mesmo ano, passou ainda por Novorizontino e Goiás. E em 1987, retornou ao rebaixado Figueirense para disputar a segunda divisão do Campeonato Catarinense. Não decepcionou: marcou 20 gols e ajudou a recolocar o time na elite estadual. Porém, perdeu a artilharia do torneio para Francisco Costão, do Blumenau (21 gols), e o título da competição para o próprio Blumenau. O time-base do técnico Casagrande tinha Peçanha; Rocha, Luiz Antônio, Meira e Assis; Alaércio, Marquinhos e Albeneir; Amarildo, Guilherme e Sérgio Gil.

Albeneir ficou no Estreito até 1989. Fez as malas e passou por Glória de Vacaria, Grêmio Maringá, Aimoré e Marcílio Dias. Em 1992, voltou para sua quinta e última passagem pela equipe. Ficou pouco tempo e foi para o rival Avaí, pelo qual marcou dez gols. Ali, enfim, se aposentou em 1993, aos 35 anos, vítima de problemas nos joelhos.

Apesar de jamais ter levantado uma taça pelo Figueirense, Albeneir deixou o futebol como o segundo maior artilheiro da história do time – Carlos Moritz, o meia-atacante Calico, marcou 94 gols na década de 30, e só foi recentemente superado pelo meia Fernandes. Ainda hoje, é o terceiro da lista, e tem espaço guardado no coração da torcida.

Em 1983, Albeneir esteve em campo no último
clássico do extinto Campo da Liga

“Cheguei no Figueirense em 1981. Foram sete anos, indo e voltando, em que aconteceram coisas maravilhosas. Vivi uma relação de amor e ódio com a torcida. Fui vaiado, mas na maioria das vezes aplaudido. Nem sabia que eu tinha feito 93 gols. Se soubesse, me esforçaria para fazer mais. Mas tudo que fiz foi com amor a camisa, com amor à torcida. Sou um cara privilegiado e hoje sou torcedor do clube”, declarou Albeneir ao portal ClicRBS.

Fora dos gramados, Albeneir segue vivendo em Santa Catarina. Hoje, mora em São José e trabalha na cidade de Biguaçu, onde preside o Conselho Municipal de Entorpecentes e é voluntário no Centro de Tratamento Recanto Silvestre, desempenhando importante papel na prevenção do uso de drogas.

Informações e fotos: RSSSF.com, Wikipédia, Futebol80, Terceiro Tempo, ClicRBS, Já Joguei no Grêmio e HowStuffWorks.

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