Nossos cumprimentos ao beisebol

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A despeito da presença de jogadores como David Beckham e Robbie Keane na ascendente Major League Soccer, é comum que se critique o futebol dos Estados Unidos com argumentos do tipo “americano só entende de futebol com a mão”, “ianque gosta é de basquete” ou “o negócio deles é o beisebol”. É uma injustiça, mas é bem verdade que os EUA tem uma pequena dívida de gratidão com o beisebol. Afinal, foi graças à modalidade que o país desenvolveu suas primeiras atividades nos mais tradicionais gramados do mundo.

No fim do século XIX, o beisebol era talvez o grande esporte americano. A única entidade a organizar partidas do esporte na época era a National League of Professional Baseball Clubs (ou simplesmente National League), fundada em 1876. E assim foi até 1901, quando foi criada a American League – desde então, o encontro dos campeões das duas ligas resulta no campeão da World Series.

Mas em 1894, os dirigentes da National League tiveram uma ideia inusitada: para ocuparem os estádios de beisebol durante o inverno, criaram uma liga de futebol com suas próprias equipes. Assim, trariam também publicidade para o beisebol, apostando no interesse dos americanos na então emergente e exótica modalidade dos pés – que, na época, ainda disputava espaço com o futebol americano. Desta forma, estava criada a American League of Professional Football (ALPF).

A competição estreou com seis equipes patrocinadas pela National League: Brooklyn Bridegrooms (hoje o Los Angeles Dodgers), Baltimore Orioles (não o atual), Boston Beneaters (hoje o Atlanta Braves), New York Giants (hoje em San Francisco), Philadelphia Phillies e Washington Senators (extinto). Em campo, jogadores de beisebol dividiam espaço com jogadores ingleses de futebol.

Polo Grounds, inaugurado em 1888 (foto) era o estádio de Nova York para os jogos de futebol. Repare nas colunas de madeira

Em ação, porém, a ALPF não teve o sucesso esperado. Apesar dos preços baixos dos ingressos (cerca de 25 centavos), a média de público dos jogos era de 500 espectadores – o Baltimore Orioles, porém, vivia boa fase no beisebol e levava até 8 mil torcedores a suas partidas. Para efeito de comparação, os Giants atraíam em média 6 mil fãs a seus compromissos pela National League.

Além disso, os proprietários dos demais clubes acusaram os Orioles justamente de utilizarem irregularmente jogadores ingleses, o que era proibido e que foi investigado pelos representantes legais da imigração dos EUA. De quebra, os dirigentes da National League perderam o interesse no futebol à medida que rumores de uma nova liga de beisebol estaria surgindo – desta forma, jogadores e torcedores poderiam abandonar a própria National League.

A ALPF, que já tropeçava nesse momento, viu seu fim chegar quando a American Football Association, criada em 1884 e incomodada com a “invasão” à sua modalidade, ameaçou banir de seus jogos de futebol os atletas que atuassem pela “liga rival” – como a AFA era aliada inglesa, ficou difícil para a turma do beisebol competir. Assim, estava decretado o fim da primeira competição de futebol dos Estados Unidos.

Em campo, a falta de organização da jovem ALPF era visível. O Brooklyn Bridegrooms foi campeão com 10 pontos (cinco vitórias e uma derrota), mas o Baltimore Orioles venceu todos os quatro jogos que disputou, somando oito pontos. O Philadelphia Phillies disputou nove jogos, vencendo dois e perdendo sete. Curiosamente, nenhuma das partidas da ALPF terminou empatada.

Fotos e informações: Wikipedia, RSSSF e Steve Holroyd.

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