Nosso papo com um bósnio

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“Uma pequena nação, ressurgindo das cinzas, ainda enfrentando corrupção no governo, possui uma coisa que ilumina os olhos de todo homem, mulher e criança, e permite que eles se esqueçam, mesmo que por um segundo, do horror que suportaram. Futebol. Agora é a hora de marcar um momento bom em nossa história. É a nossa chance de jogar a prestigiada Copa do Mundo pela primeira vez. É a nossa hora de brilhar. A chance de colocar nosso pequeno país nos holofotes. Essa é a nossa jornada. Bósnia: das bombas ao Brasil”.

Se a expectativa de todo o mundo é imensa às vésperas da Copa, no caso da Bósnia, única estreante do torneio, ela é ainda maior. O tamanho desse sentimento pode ser medido pelo entusiasmo do texto acima, introdução do vídeo Bosnia: From Bombs to Brazil, produzido pelo canal de Youtube do site BH Dragons, dedicado a cobrir o desempenho bósnio em todos os esportes – mas que, obviamente, nos últimos meses só tem falado de futebol.

O Última Divisão conversou com Albinko Hasic (o da foto acima), um dos fundadores da página, que conta com seis colaboradores de origem bósnia espalhados pelo mundo.  Estudante da Universidade de Connecticut, Hasic é fã inveterado de Edin Dezeko e do seu Manchester City, temas de textos em sua coluna no Bleacher Report, site em que também colabora.

Conversamos com ele em uma troca de e-mails, para aprender um pouco mais sobre o futebol bósnio. No ápice da entrevista, nosso amigo descreveu de forma arrebatadora como a seleção do país tem reaproximado grupos étnicos historicamente rivais: “o futebol está voltando a unir velhos amigos”.

Após a leitura, vale uma visita ao site BH Dragons, que vive clima de euforia nas vésperas da estreia, especialmente pelas vitórias do time de Dzeko em amistosos contra o México e a Costa do Marfim (que já começaram a Copa vencendo). No prognóstico deles, a Bósnia passará em segundo no seu grupo e enfrentará a Suíça nas oitavas, rival batível para avançar e figurar entre as oito melhores seleções do mundo. Já pensou? Tomara!

Como o BH Dragons começou? Qual a história dos colaboradores?
Eu abri o site há cerca de um ano. Percebi que não havia cobertura dos esportes bósnios em inglês, apenas em bósnio. Queria mostrar ao mundo os feitos do nosso país na língua universal. Na época éramos apenas dois colaboradores, mas hoje já somos seis, de diversas partes do mundo, como Estados Unidos, onde vivo, Alemanha e Austrália, todos trabalhando de graça. Como resultado da diáspora bósnia, apenas dois dos nossos membros realmente nasceram no país, mas isso não importa, a Bósnia é a nação que amamos.

O futebol é o principal esporte da Bósnia? Quais outras modalidades são populares?
Futebol é definitivamente o esporte mais popular, embora também tenhamos muitos fãs de handebol e basquete.  Mirza Teletovic, do Brooklyn Nets, é como um Edin Dzeko no basquetebol, um verdadeiro ídolo nacional.

Você esperava que a Bósnia se classificaria para a Copa? Como se sentiu quando isso se concretizou?
Esperava, nós somos imensamente orgulhosos do nosso time. A noite da classificação foi inesquecível, vibrei muito, difícil descrever a sensação. Na Bósnia, milhares de pessoas foram às ruas, foi lindo.

O que espera da seleção na Copa?
Não quero fazer previsões, mas posso garantir que o time está pronto para representar bem o nosso país na Copa.

Qual a importância dessa classificação para a história da Bósnia? No Brasil lemos que o futebol conseguiu unir grupos étnicos que historicamente eram rivais, você vê dessa forma?
Os jogadores são os melhores diplomatas que temos. O país infelizmente é extremamente corrupto e os políticos são odiados, mas o nosso time é amado e os jogadores são tratados como embaixadores da Bósnia no mundo. Futebol é mais do que um esporte, é um remédio para as nossas feridas. Sim, é verdade, o futebol está voltando a unir velhos amigos. As disputas étnicas estão sendo esquecidas para que possamos torcer pelo nosso time como um país unido. Futebol não se importa com raça, religião ou etnia e por isso todos os bósnios estão juntos para compartilhar esse orgulho. Nosso pequeno país finalmente está na Copa! Melhor ainda, jogamos um futebol bonito, ofensivo e agradável de se ver. Acompanhar a seleção é um momento de prazer que nos permite esquecer um pouco as cicatrizes da guerra e nossa sofrida realidade atual.

O BH Dragons está pedindo doações para vir ao Brasil. Como está indo? Algum de vocês virá para cá? Muitos bósnios virão?
Infelizmente não tivemos muito sucesso com as doações. Viajar ao Brasil é muito caro, então não conseguiremos ver a Copa in loco. Teremos que acompanhar nossa seleção pela TV, como a maioria das pessoas. A viagem é muito cara e poucos bósnios conseguirão ir.

O que os bósnios pensam sobre o Brasil como país?
Quando se fala do Brasil na Bósnia logo as pessoas pensam em futebol, natureza maravilhosa, praias, florestas, pessoas alegres e simpáticas, carnaval e dança. São palavras que logo podemos associar na mente. O Brasil é um lugar bem conhecido no mundo e é a casa do futebol.

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