Nada justifica Arséne Wenger

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Não gosto de Arséne Wenger. É uma opinião pessoal, e você tem todo o direito de discordar se achar que deve – o campo de comentários está no fim do texto para tal. Mas acho um técnico muito ruim, daqueles que a gente respeita sem nem saber o porquê.

Você está falando comigo? Você? Comigo?
Você está falando comigo? Você? Comigo?

Vamos explicar. Em 2010, a Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) divulgou uma lista de melhores técnico da primeira década do século. Wenger foi o escolhido a partir de um critério matemático, imediatamente à frente de Alex Ferguson, José Mourinho, Guus Hiddink, Fabio Capello e Luiz Felipe Scolari.

“O ranking é feito de acordo com os pontos dados pela IFFHS a cada treinador todos os anos. Assim, a entidade organizou as listas de ‘Top 20’ entre 2001 e 2010 e pontuou os técnicos de acordo com suas posições nestas listas. Wenger somou 142, nove a mais que Ferguson. Felipão, único campeão da Copa do Mundo entre os seis primeiros, fez 101”, diz a nota do Globo Esporte.com da qual retiramos a lista.

Não é exatamente um absurdo, afinal o Arsenal campeão inglês invicto 2003/2004 foi um dos maiores times já vistos no futebol europeu. O problema: o último título de Wenger na década em questão foi na temporada 2004/2005. Foi, aliás, o último título dele desde então: a Copa da Inglaterra da temporada 2004/2005. Ou seja: nenhum título em sete anos. SETE ANOS.

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O pior (ou melhor, depende do ponto de vista) é que, em um levantamento recente da mesma IFFHS, Wenger foi escolhido o terceiro melhor treinador do mundo no século XXI, atrás de Alex Ferguson e José Mourinho. É estranho ver alguém que não ganha algo relevante há tanto tempo à frente de nomes como Vicente Del Bosque (campeão da Eurocopa e do mundo com a Espanha), mas ao menos alguém percebeu que ele, definitivamente, não é o melhor do mundo.

(Detalhe importante: na lista de janeiro de 2013, Pep Guardiola nem sequer aparecia entre os 10 melhores do mundo no ofício.)

Ao que tudo indica, Wenger completará oito temporadas sem um caneco para chamar de seu no Emirates Stadium. Na Liga dos Campeões da Europa, o time recebeu o Bayern de Munique pelas oitavas de final e perdeu por 3 a 1. No Campeonato Inglês, o time londrino é o quinto colocado, com 44 pontos em 26 jogos (o Manchester United lidera, com 65 pontos em 26 jogos). Na Copa da Inglaterra, caiu na quinta fase (oitavas de final) diante do Blackburn Rovers, atualmente na segunda divisão. E na Copa da Liga Inglesa, o favorito de todos: caiu nos pênaltis nas quartas de final diante do Bradford City, da quarta divisão.

Detalhe que o Dalai Lama nem jogou para o Bradford
Detalhe que o Dalai Lama nem jogou para o Bradford

OK, talvez um fã do Wenger já esteja espumando. Se chegou até aqui, nem sequer vai ao fim do texto e correrá para despejar ofensas nos comentários. Se o fizer, pode pular os argumentos que constam em sua página em português na Wikipédia, em artigo provavelmente escrito por algum fã:

  • “Seu estilo de comandar a equipe é diferente da maioria dos treinadores: não gosta de contratar estrelas, prefere contratar jogadores jovens, geralmente antes dos 20 anos de idade (como Cesc Fàbregas, Denílson, Aaron Ramsey e muitos outros), e ‘moldá-los’ ao longo de suas carreiras.”
  • “Possui um elenco muito jovem e de muita qualidade no Arsenal, por tudo isso pode ser considerado um dos melhores técnicos do mundo, se não o melhor.”
  • “Mais do que um grande estrategista, a aura de Wenger – o treinador-cavalheiro, a quem o futebol inglês atribuiu o prêmio fair-play em 1998 – reside sobretudo na capacidade de transmitir força mental às equipes que orienta.”

Certo, tudo isso já é sabido – embora ninguém leve muito a sério depois de algum tempo. Afinal, graças a tal vontade de contratar jogadores jovens para “moldá-los ao longo de suas carreiras”, optou por contratar feras como Reyes, Senderos, Pascal Cygan e André Santos.

Molda essa fera aí então, "melhor do mundo"
Molda essa fera aí então, “melhor do mundo”

Em compensação, deixou de lado a contratação de jovens como Zlatan Ibrahimovic. Sério.

Mais fácil moldar o Senderos
Mais fácil moldar o Senderos

Até aqui, talvez tenha tudo ficado com cara de achismo. Mas então, vamos comparar Wenger a outros técnicos na Europa desde a temporada 2005/2006. Você já parou para pensar em quem conquistou alguma coisa desde então?

Obviamente, não é necessário colocar aqui que Wenger nunca conquistou a Libertadores, o Clausura Argentino, a Série B do Campeonato Brasileiro ou a divisão de acesso do Campeonato Capixaba. Basta comparar com os torneios conquistados na Inglaterra e na Europa por outros treinadores. Aí, fica mais difícil entender o que Wenger faz em uma lista de melhores técnicos.

Campeonato Inglês
2005/2006: José Mourinho (Chelsea)
2006/2007: Alex Ferguson (Manchester United)
2007/2008: Alex Ferguson (Manchester United)
2008/2009: Alex Ferguson (Manchester United)
2009/2010: Carlo Ancelotti (Chelsea)
2010/2011: Alex Ferguson (Manchester United)
2011/2012: Roberto Mancini (Manchester City)

Copa da Inglaterra
2005/2006: Rafa Benítez (Liverpool)
2006/2007: José Mourinho (Chelsea)
2007/2008: Harry Redknapp (Portsmouth)
2008/2009: Guus Hiddink (Chelsea)
2009/2010: Carlo Ancelotti (Chelsea)
2010/2011: Roberto Mancini (Manchester City)
2011/2012: Roberto di Matteo (Chelsea)

Copa da Liga Inglesa
2005/2006: Alex Ferguson (Manchester United)
2006/2007: José Mourinho (Chelsea)
2007/2008: Juande Ramos (Tottenham)
2008/2009: Alex Ferguson (Manchester United)
2009/2010: Alex Ferguson (Manchester United)
2010/2011: Alex McLeish (Birmingham)
2011/2012: Kenny Dalglish (Liverpool)

Liga dos Campeões
2005/2006: Frank Rijkaard (Barcelona)
2006/2007: Carlo Ancelotti (Milan)
2007/2008: Alex Ferguson (Manchester United)
2008/2009: Pep Guardiola (Barcelona)
2009/2010: José Mourinho (Inter de Milão)
2010/2011: Pep Guardiola (Barcelona)
2011/2012: Roberto di Matteo (Chelsea)

Copa da Uefa
2005/2006: Juande Ramos (Sevilla)
2006/2007: Juande Ramos (Sevilla)
2007/2008: Dick Advocaat (Zenit St. Petersburg)
2008/2009: Mircea Lucescu (Shakhtar Donetsk)

Liga Europa
2009/2010: Quique Sanchez Flores (Atlético de Madrid)
2010/2011: André Villas-Boas (Porto)
2011/2012: Diego Simeone (Atlético de Madrid)

Ou seja: em sete anos, Alex Ferguson conquistou o Campeonato Inglês (quatro vezes), a Copa da Liga Inglesa (três) e a Liga dos Campeões (uma). José Mourinho conquistou o Campeonato Inglês (uma vez), a Copa da Inglaterra (uma vez), a Copa da Liga Inglesa (uma vez) e a Liga dos Campeões (uma vez). E times como Tottenham, Portsmouth e Birmingham conquistaram taças que o Arsenal de Wenger não conquistou neste intervalo.

Mas pode ser mesmo que Arséne Wenger seja mesmo o melhor técnico do mundo, um revelador de jogadores, um OLEIRO de craques. Mas nestes quase oito anos moldando jogadores, o mais perto que chegou de títulos foram os vices na Liga dos Campeões 2005/2006 e na Copa da Liga Inglesa 2010/2011.

Alguém ligue na IFFHS e pergunte de onde eles tiraram os pontos para Arséne Wenger?

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