Na Série C, Guaratinguetá está à disposição para quem quiser assumir o comando

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O Guaratinguetá está à venda. Não literalmente, mas à venda. Sem conseguir o acesso à Série A1 do Campeonato Paulista, e rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro, o time do Vale do Paraíba encerra o ano de 2013 à disposição de quem queira pagar bem para assumir o comando de um clube em uma das regiões mais ricas do Brasil. O motivo: falta de apoio.

O script não é novo, mas a “disponibilidade” do clube é surpreendente demais. Quem acompanhou os últimos anos do Grêmio Barueri sabe bem: o time emerge em uma cidade, muda-se em busca de apoio, sofre com a falta de resultados, volta para a cidade de origem e colhe resultados ainda piores diante da rejeição em sua cidade-natal. A novidade é, justamente, a decisão drástica do Guará.

A notícia foi divulgada neste domingo, em nota oficial. A diretoria do clube afirma que esperava apoio da prefeitura para encontrar patrocínios locais. “Queremos esclarecer que o Guaratinguetá Futebol jamais quis qualquer dinheiro público para honrar seus compromissos”, diz o comunicado, explicando que a equipe assumiu prejuízos para atuar ao longo de 2012 e 2013.

“Em várias oportunidades mesmo levando o nome da cidade no clube, foi necessário gastar quantias para a manutenção do campo de jogo, e o poder público não nos ajudou nem para manter a estrutura do Estádio Dario Leite Rodrigues (sic)”, diz o clube – o nome do estádio, por sinal, é Dario Rodrigues Leite. “Por tudo isso, diante dos aspectos do dia a dia a diretoria decide deixar de apoiar financeiramente o clube”, completou.

É o preço que o clube pagou. O projeto bem feito da última década naufragou na mudança para Americana em 2011, justamente quando o diretor de futebol Eduardo Ferreira e o empresário Sony Douer (da Sony Sports) esboçavam uma reconstrução do clube. Sem apoio em Americana (onde a torcida do Rio Branco era predominante) e rejeitado na volta a Guaratinguetá (em 2010, o clube chegou a mandar seus últimos jogos da Série B de 2010 a Bragança Paulista para fugir da fúria dos torcedores), o clube sentiu o efeito do desgaste da relação com o público – e, obviamente, com os patrocinadores locais.

Resta saber quem assume o Guaratinguetá, “à deriva” a partir de agora. Fica a dúvida se os próximos controladores da equipe terão interesse em mantê-lo na cidade – afinal, um time na Série A2 do Paulista e na Série C do Brasileiro pode ser ótimo para uma cidade que não tem nem isso.

Confira a nota oficial divulgada no site oficial do Guaratinguetá:

Lamentando toda falta de apoio de boa parte dos anos em que a direção do Guaratinguetá se manteve na cidade, queremos comunicar aos torcedores do clube que infelizmente, por acreditar muitas vezes nas promessas feitas pelos dois últimos prefeitos locais, de que ajudariam o clube em relação a contatos com possíveis patrocinadores da cidade, nesse momento sentimos informar, que pela falta total de apoio, o Guaratinguetá dará o prazo, de até a próxima sexta-feira (06 de dezembro), para que apareçam pessoas da própria cidade, bem intencionadas em assumir a direção do clube.

Esse prazo é colocado para que após esse período qualquer outra pessoa, sempre com muita responsabilidade possa assumir uma equipe que tem um calendário nacional de duas competições ao ano, a Série A2 do Campeonato paulista e o Brasileiro da Série C.

O que a direção vai explicar são alguns fatos dos últimos anos. Primeiro, sempre pedimos aos prefeitos que nos ajudassem com possíveis patrocinadores na cidade, sempre recebemos promessas e jamais foram cumpridas, queremos esclarecer que o Guaratingueta Futebol jamais quis qualquer dinheiro público para honnar seus compromissos. Para jogar, o clube tinha um prejuízo de aproximadamente 15 mil reais por jogo. Na última partida da temporada, que o Guaratinguetá fez em casa, foram cerca de 900 pagantes.

Em várias oportunidades mesmo levando o nome da cidade no clube, foi necessário gastar quantias para a manutenção do campo de jogo e o poder público não nos ajudou nem para manter a estrutura do estádio Dario Leite Rodrigues.

Por tudo isso, diante dos aspectos do dia a dia a diretoria decide deixar de apoiar financeiramente o clube.

Desejamos a quem tiver essa oportunidade, toda a sorte do mundo, porque todos os compromissos financeiros até aqui foram honrados por essa direção.

Guaratinguetá: na volta para casa, rejeição por parte do público e dos patrocinadores locais resultaram em prejuízo para os cofres da diretoria (Crédito: Fabio Rubinato/AGF/Site oficial)
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