Mirassol na Série C: o acesso do time que sabe se reinventar

Léo Roveroni/Agência Mirassol
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Na temporada 2020, todos times tiveram que se reinventar, por causa da pandemia. E nenhum soube fazer isso tão bem quanto o Mirassol. O elenco foi desmanchado duas vezes, mas conseguiu surpreender no Campeonato Paulista e subir pra Série C.

No estadual, todos viram: depois de começar bem, o time perdeu vários jogadores importantes. Muitos deles saíram pra Ponte Preta. Mesmo assim o Mirassol saiu contratando reforços muito bem e eliminou o São Paulo. Mas aquele time foi praticamente desmanchado de novo. Até o técnico Ricardo Catalá saiu. 

A outra reinvenção foi mais discreta. A maioria dos jogadores contratados não tinha passagens por grandes clubes. Muitos deles eram jovens. E o elenco contou com muitos jogadores das categorias de base também. Mas cresceu ao longo da competição e teve reforços importantes pro mata-mata.

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Além disso, o Mirassol tem um técnico que está se reinventando: Eduardo Baptista, que já treinou o Palmeiras na Copa Libertadores, topou disputar a Série D porque não queria continuar sendo demitido nas divisões de cima, onde quase nunca há um planejamento decente. E deu muito certo. Com mais tranquilidade, ele fez um grande trabalho.

Campanha

O Mirassol terminou a fase de grupos em 2º lugar no Grupo 7. Era uma chave com adversários difíceis (Ferroviária, Cabofriense, FC Cascavel, Portuguesa e Bangu) e 2 “sacos da pancadas”, Toledo e Nacional-PR. O que chamou atenção foi a capacidade de golear. O Mirassol venceu por 8 a 0, 6 a 0, 5 a 2… Foi o 2º melhor ataque da fase de grupos.

No mata-mata só veio pedreira: Caxias, Brasiliense e Aparecidense. Primeiro passou no sufoco, nos pênaltis. Depois goleou o Brasiliense em casa, no jogo de ida, e já “matou” o duelo. 

Por fim, no jogo do acesso, o Mirassol venceu a Aparecidense duas vezes. Mas não foi moleza. As duas vitórias foram de virada. E no 2º jogo, a equipe estava perdendo quando teve um jogador expulso. Mesmo assim virou e venceu por 3 a 2, com muita emoção.

Ponto forte

o Mirassol teve um aproveitamento incrível em casa: dos 10 jogos, venceu 9 e empatou 1, apenas o primeiro. A postura ofensiva do time é o que explica.

Técnico

Eduardo Baptista é quem está por trás dessa mentalidade ofensiva. Apesar dos fracassos dele no Palmeiras e em outros times, sempre mostrou ideias interessantes e modernas. O Mirassol deu condições para aplicá-las finalmente, como fez no Sport e na Ponte Preta em alguns momentos.

Nos 2 jogos do acesso, contra a Aparecidense, Baptista enfrentou um técnico bem menos experiente, Thiago Carvalho, 32 anos. E isso fez diferença. O técnico do Mirassol fez substituições ousadas e decisivas. Não é à toa que as vitórias vieram de virada. No 2º jogo, ele trocou um volante, Daniel, por um atacante, Lucas Silva. E foi justamente Lucas Silva que decidiu, com um gol, uma assistência e um pênalti sofrido.

Craque do time

Não houve um só craque decisivo. Mas Cássio Gabriel foi o atleta de mais destaque. Era o meia que organizava o time, com bons passes e movimentação inteligente. Ele caiu de produção na reta final e até foi substituído no intervalo no jogo do acesso, mas merece ser elogiado pela campanha.

Jovem destaque

Fabrício Daniel, de 23 anos. É o artilheiro do Mirassol na competição, com 9 gols. Na fase de grupos mostrou ser um centroavante que saía bem da área. No mata-mata, com a chegada de João Carlos (ex-centroavante do Volta Redonda), ele foi deslocado para a ponta e fez bem a movimentação diagonal. É canhoto e sabe se posicionar. Olho nele!

Famoso

O Mirassol não apostou em medalhões conhecidos. Entre jogadores com passagens por times da Série A, tem o lateral Moraes, que foi formado pelo Flamengo e jogou no Atlético-GO. 

Outros destaques

Vale chamar atenção para João Carlos, que tinha feito um ótimo Campeonato Carioca pelo Volta Redonda. Depois disputou a Série C e chegou ao Mirassol na hora do mata-mata. Fez 3 gols decisivos e trouxe a experiência que o elenco precisava. Ao todo, na temporada, tem 19 gols em 34 jogos.

Curiosidade

Mirassol é um time tradicional, com 95 anos de existência, mas está no auge agora. E não é à toa. O time realmente investiu em estrutura e categorias de base – uma receita de sucesso que parece óbvia, mas é pouco praticada no Brasil. O clube formou Luiz Araújo, ganhou dinheiro e usou isso para criar um Centro de Treinamento de ponta.

Eduardo Baptista já destacou que esse CT foi fundamental na campanha do Mirassol.

“A estrutura que temos muitos ainda não conhecem, mas estamos chegando onde estamos muito por causa dela. Tivemos apenas uma lesão muscular em toda a competição, isso é devido aos profissionais que temos e pela estrutura. Isso ainda vai surpreender muitas pessoas. ‘Nossa, o Mirassol está na Série B, depois subiu para a Série A’. Isso acontecerá pela filosofia e pela ótima gestão”, disse Baptista ao Globoesporte.

Quando você se reinventa uma vez e dá certo, pode ser sorte. Mas quando isso acontece duas vezes no mesmo ano, é competência mesmo. E isso indica que o acesso pra Série C pode ser apenas o começo de um grande crescimento do Mirassol no futuro. 

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