Michael Boateng foi punido por manipulação de resultados e tenta dar a volta por cima

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Um jovem com o sonho de ser um jogador de futebol. Michael Boateng, nascido em Londres e de família senegalesa, era apenas mais um entre os inúmeros jovens ingleses que são apaixonados pelo esporte. Atuando na posição de lateral direito, Boateng frequentou a base do Crystal Palace até ser liberado e começar uma aventura pelas divisões inferiores do país em busca de seu sonho.

Após um período na base do Woking, time semiprofissional de Londres, despertou interesse do Carshalton Athletic, que atualmente frequenta a sétima divisão inglesa, e emplacou boas atuações. No maior salto de sua carreira, foi contratado pelo Bristol Rovers, equipe profissional que perambula entre as 3ª e 4ª divisões do país. Lá, não obteve muito sucesso e após alguns empréstimos, passou por mais alguns times das 4ª e 5ª divisões do país, como Sutton United, Bromley e Newport County. Então, na maior descendente de sua carreira, foi apresentado no Whitehawk, da sétima divisão, e lá conheceu o lado obscuro do futebol.

Em 2013, aos 21 anos, Boateng -que não possui nenhum tipo de parentesco com os famosos do futebol de mesmo sobrenome-, aceitou se encontrar com dois empresários que o prometeram muito dinheiro, que seria conquistado através do mercado de apostas asiático. Em uma entrevista ao portal inglês Daily Mail, detalhou todas as questões sobre a reunião.

O ex-atleta conta que chegou a ouvir histórias de jogadores que recebem até 80 mil libras mensais nesse mercado. Também comentou que um cartão amarelo ou um gol contra poderiam gerar um ganho de até 5 mil libras. “Tem algo muito aparente acontecendo, especialmente na non-league (ligas semiprofissionais)”, conta.

Boateng foi ao encontro com um companheiro de equipe. Após o encontro, um policial que estava disfarçado abordou Boateng e seu companheiro e os levou à prisão. O ex-lateral conta que se sente injustiçado, pois foi preso apenas por comparecer ao encontro, não tendo aceitado, muito menos cometido o crime de manipulação. Ele acredita que pode ter sido uma espécie de punição-exemplo para futuros casos como este.

Michael Boateng foi condenado a 16 meses de prisão e banido permanentemente do futebol. O ex-jogador não pode disputar nem as ligas amadoras na Inglaterra. Já seu companheiro, que estava junto no encontro, chegou a ser preso com o jogador, mas alegou não saber de nada e foi liberado em seguida. Mike guarda muita mágoa do acontecido, já que ambos estavam juntos na reunião e se sentiu traído pelo melhor amigo. “Ouvi dizer que quando as pessoas o vêem, ele demonstra estar com muito medo e preocupado. Prefiro não viver assim, não desejaria isso a ninguém. Não tenho nenhum problema com ele, as pessoas cedem sob pressão”, comenta.

Após sair da prisão, Mike ainda foi preso por tráfico de drogas e ficou mais um período atrás das grades. Mas hoje, aos 29 anos, o ex-jogador finalmente dá a volta por cima.

Boa

Na base do Crystal Palace, Boateng fez amizade com jogadores de muito sucesso no futebol, como a estrela da liga inglesa Wilfred Zaha, e o jogador Victor Moses, que atualmente defende o Chelsea. Essas influências o ajudaram a começar uma nova carreira, a de mentor e uma espécie de guarda-costas de grandes promessas do futebol inglês. Além de lições de vida e sobre seu tempo na prisão, Boateng treina e auxilia os jogadores na gestão de suas carreiras. Ele também acompanha as futuras estrelas em eventos, festas e noitadas, como uma espécie de segurança, garantindo que nada seja gravado, roubado ou prejudicial à carreira e imagem do jogador. Entre seus clientes estão as promessas do Chelsea Reece James, Ampadu e Hudson-Odoi, além de Ryan Sessegnon, considerado talvez a maior promessa da atual geração inglesa.

Apesar da volta por cima, Mike ainda acha injusta a decisão por seu banimento permanente do futebol. Ele conta que muitos ainda comentam que ele foi apenas o azarado, pois tudo isso é muito comum e gera muito dinheiro aos envolvidos. “É como se eu tivesse matado alguém dentro de um campo de futebol. Não estou querendo dizer que não fiz nada, mas ir apenas a um encontro sobre manipulação de resultados, onde nada foi acordado e nenhum dinheiro foi envolvido, me parece um exagero o banimento permanente”, completa.