Mazembe: 10 anos depois, onde estão os jogadores da zebra histórica no Mundial de Clubes?

880

Há dez anos, pela primeira vez uma final de Mundial de Clubes não era disputada entre um clube do eixo Europa e América do Sul. Isso porque o TP Mazembe da República Democrática do Congo fez bonito na competição, despachou o Pachuca do México e protagonizou uma das zebras mais inacreditáveis do futebol ao bater o Inter de Porto Alegre por 2 a 0. Um momento mágico que ficou eternizado pela inesquecível dancinha do goleiro Kidiaba.

O clube africano depois perdeu para a Inter de Milão na final por 3 a 0, mas isso é o menos importante. A equipe do Mazembe seria recebida como heróis pela população congolesa, que, após anos de guerras civis e crises humanitárias, enfim tinha motivos para se orgulhar.

Mas, dez anos depois daquele feito, por onde andam os 12 jogadores (11 titulares e um reserva) e o técnico que participaram daquela façanha histórica? Fomos atrás e contamos a seguir:


Publicidade

Goleiro – Robert Muteba Kidiaba

O folclórico Kidiaba continuou sob as metas do Mazembe até se aposentar em 2018, com status de lenda no clube. Também era titular absoluto na seleção congolesa e ajudou a equipe a chegar ao terceiro lugar na Copa Africana de Nações de 2015. Em 2019, ele foi eleito deputado pela província de Katanga. Logicamente, comemorou a vitória fazendo sua eterna dancinha.

Lateral – Eric Nkulukuta

Aos 38 anos, o lateral continua na ativa. Permaneceu no Mazembe até 2015, com 118 jogos disputados. Desde então está no Don Bosco, cujo dono é Champion Katumbi, filho de Moïse Katumbi, e que funciona como uma espécie de time B do Mazembe.

Zagueiro –  Joël Kimwaki

Chegou ao Mazembe em 2010 e só saiu no final de 2019, acumulando 161 partidas com a camisa alvinegra. Nesse período ele ajudou o clube a conquistar 5 campeonatos congolês e dois troféus de campeão africano. Também estava no elenco do Congo da Copa Africana de Nações de 2015. Atualmente está no FC Renaissance do Congo.

Zagueiro – Mihayo Kazembe

Revelado no Mazembe, ele foi o capitão do time naquele Mundial. Permaneceu até 2012 quando se aposentou. Em 2017 se tornou técnico do Mazembe, cargo que exerceu até março, após a eliminação na Liga dos Campeões da CAF. Uma curiosidade: em 2008, ele chegou a fazer um período de testes no Arsenal-ING, mas não foi aprovado.

Lateral – Jean Kasusula

Prata da casa, jogou no Mazembe de 2003 até janeiro de 2020 e nessa passagem marcou 4 gols pela equipe, sendo um deles contra o Auckland City no Mundial de Clubes de 2009. Aos 38 anos, ele deixou o Mazembe e está sem clube, embora não esteja muito claro se ele se aposentou ou não. Assim como Kidiaba, ele chegou a tentar a carreira política em 2015.

Volante – Narcisse Ekanga

Ekanga é nascido no Camarões e se naturalizou como jogador da Guiné Equatorial (junto com um monte de brasileiros). Chegou ao Mazembe em 2007 e deixou o clube em 2011 para defender o Al-Hilal do Sudão. Ainda jogou no Leones Vegetarianos time da Guiné-Equatorial e depois foi para a Turquia. Em 2018, estava no Buildcon da Zâmbia.

Volante – Mbenza Bedi

Foi um dos poucos jogadores do Mazembe a ir para o futebol europeu. Em 2012, Bedi foi negociado com o Anderlecht da Bélgica. Porém, sua passagem não foi muito proveitosa, e ele retornou à África no ano seguinte. Jogou no Club Africain na Tunísia e no Renaissance do Congo. Atualmente está no Groupe Bazano do Congo.

Meia – Isaac Kasongo

Outro jogador histórico do Mazembe, Kasongo ficou no clube de 2002 a 2013, quando se aposentou. Depois foi trabalhar no Don Bosco, o time B do Mazembe, onde chegou a ser treinador de 2018 a 2020. Em outubro, se tornou assistente-técnico no Mazembe.

Meia – Dioko Kaluyituka

Foi autor do segundo gol contra o Internacional e foi premiado com a bola de prata do Mundial de 2010 (Eto’o ficou com a de ouro e Dale com a de bronze). Dyoko deixou seu país em 2011 e foi fazer carreira no Catar. As últimas informações que encontramos são de 2017, quando estava no Muaither SC, então é possível que ele esteja aposentado.

Atacante – Patou Kabangu

Autor do primeiro gol contra o Internacional, ele permaneceu no Mazembe até 2012, quando se transferiu para o Anderlecht. Teve poucas chances, e, em 2013, decidiu se transferir para o Al Ahli do Catar. Em 2017, retornou ao Mazembe, onde atua até hoje.

Atacante – Given Singuluma

O eterno camisa 10 do time, Singuluma permaneceu no Mazembe até 2017 quando decidiu voltar à Zâmbia (seu país de origem) para defender o Buildcon, onde joga atualmente. Pela seleção zambiana, ele se desentendeu com a comissão técnica e foi cortado da equipe que disputaria a Copa Africana de Nações de 2012. Para azar dele, a Zâmbia acabou se sagrando campeã daquela edição.

Substituto – Déo Kanda (atacante)

Entrou no lugar de Singuluma no final do jogo. Em 2013, se transferiu para o Raja Casablanca do Marrocos e curiosamente também entrou no jogo que eliminou o Atlético-MG no Mundial. Em 2014 ele defendeu o Vita Club do Congo e em 2015 retornou ao Mazembe. Desde 2019 está no Simba Sports Club da Tanzânia.

https://twitter.com/SimbaSCTanzania/status/1237678850257141760

Técnico – Lamine N’Diaye

O senegalês foi contratado em setembro de 2010 e, dois meses depois, levou o clube ao bicampeonato africano. Como jogador, N’Diaye fez carreira no Cannes (FRA) e no Mulhouse (FRA), onde se aposentou. Como técnico, chegou a treinar a seleção senegalesa em 2008, mas foi demitido 9 meses depois após a eliminação nas Eliminatórias da Copa. Com o Mazembe ainda foi bicampeão do Congo (2011 e 2012) e em 2013 ele passou a ser diretor-técnico do clube. Atualmente ele é treinador no Horoya de Guiné.

 

Comentários