LA Galaxy rasga o ‘fair play’ e impede time amador de fazer história

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“Não sabemos quase nada sobre eles, mas o objetivo é ganhar. Puro e simples: jogando bem, devemos vencer”. A “análise” de véspera do treinador Bruce Arena não deixa dúvidas sobre a confiança do Los Angeles Galaxy em derrotar o inexpressivo La Maquina FC pela quarta rodada da U.S. Open Cup, a “Copa do Brasil americana”, na noite da última terça-feira (14 de junho).

Tudo realmente indicava para um jogo muito fácil. Apesar do jejum de quatro partidas sem vitórias, a equipe de Arena nunca se imaginaria enfrentando dificuldades diante de um time amador, que atua poucas vezes por ano na United Premier Soccer League, competição regional da Costa Oeste equivalente à quinta divisão do futebol dos Estados Unidos (mesmo campeonato do Corinthians USA).

Em campo, a diferença de nível entre os clubes era nítida. De um lado, mesmo sem as maiores estrelas do elenco (Ashley Cole, Steven Gerrard, Giovani dos Santos, De Jong, Robbie Keane…), o Galaxy tinha alguns nomes conhecidos, como Emmanuel Boateng, e era empurrado pela torcida no StubHub Center. Já entre os oponentes, muitos jogadores fora de peso e baixinhos – de todos eles, apenas o atacante mexicano Edwin Borboa, de 33 anos, possuía currículo no futebol profissional, com passagens remotas por Chivas Guadalajara e Atlante.

O “imponderável”

Mas, there’s no fool playing soccer anymore, right? É o que os americanos estão aprendendo: não tem mais bobo no futebol! Os favoritos abriram o placar com 15 minutos de jogo, porém, na sequência, uma expulsão do volante Rafael Garcia incrivelmente equilibrou a partida. Em vantagem numérica, o La Maquina empatou ainda no primeiro tempo e conseguiu levar o duelo para a prorrogação.

Na centenária U.S. Open Cup, os confrontos são decididos em jogos únicos. Foi dessa forma que o La Maquina eliminou uma equipe Sub-23 e dois times da quarta divisão até se encontrar com o Galaxy, o maior campeão da Major League Soccer, sem dúvida uma das principais camisas do país. Levar a partida para o tempo extra já era um feito, mas dava para almejar algo ainda maior.LaMaquinaUPSL

O valente azarão sonhava em protagonizar uma das maiores zebras da história americana. Acabou, no entanto, sendo parte de um escândalo inesquecível. Para vencer, o Los Angeles Galaxy ignorou completamente o fair play e anotou um gol absurdo, que pode ser assistido aqui.

Enquanto Jose Villareal, do Galaxy, se contorcia no chão e atraía a atenção de jogadores dos dois times, seu companheiro bósnio Baggio Hasidic cobrou falta rapidamente, deixando Dave Romney na cara do gol para finalizar. Atônito, o goleiro Luis Sosa, do La Maquina, parecia não entender o que estava acontecendo.

Apesar da malandragem, o gol não foi ilegal e terminou validado. A injustiça mudou completamente a partida, que terminou vencida pelo clube de Los Angeles por 4 a 1. Não foi desta vez que um time de quinta divisão eliminou uma grande força da Major League Soccer, mas, pelas circunstâncias em campo, a equipe dos gordinhos e baixinhos poderá sempre ostentar uma vitória moral.

De mau exemplo a vítima

Fica aqui nossa homenagem ao La Maquina, que sequer tem site oficial, apenas uma conta no Twitter. Do pouco que pudemos apurar, descobrimos que o time, sediado na cidade californiana de Santa Ana, foi fundado pelo mexicano Alex Uribe, ex-atleta juvenil do Cruz Azul (inspiração para o símbolo maquinero) que imigrou aos Estados Unidos na adolescência.

Até a partida contra o Galaxy, o La Maquina não tinha grandes motivos para se orgulhar nem mesmo de suas performances na quinta divisão – aliás, o clube atualmente cumpre suspensão de seis meses no torneio, por conta de uma briga entre jogador e torcedor na última temporada.

São as ironias do esporte: o time suspenso por briga é hoje vítima de um lamentável lance antidesportivo. Vão aprendendo, americanos. O futebol é assim mesmo… às vezes injusto, às vezes polêmico, às vezes sujo… mas sempre cativante.

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