Ídolo, Parraga lembra 1974 e torce por sequência do Inter de Lages na elite

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Foram 12 anos longe da elite estadual, mas enfim o tradicional Internacional de Lages retornou à elite de Santa Catarina após conquistar a segunda divisão no ano passado. Para esta temporada, a diretoria contratou dois veteranos conhecidos: Marcelinho Paraíba, ex-atacante do São Paulo, e Fernando Henrique, goleiro que já defendeu Fluminense e Ceará. “São dois bons nomes, mas nome não ganha jogo”, analisa o técnico Jorge Parraga, que defendeu o clube lageano durante três temporadas.

Atacante trombador, o treinador foi artilheiro da agremiação em 1974, quando o colorado sagrou-se vice-campeão estadual. Atualmente, Parraga mora em Campinas, interior de São Paulo e é coordenador das divisões de base da Ponte Preta. Ele conversou com o Última Divisão sobre sua passagem pelo Leão da Serra.

Última Divisão: O senhor iniciou sua carreira na Inter de Lages. Como foi isso?

Jorge Parraga: Foi através do Camargo Filho, um radialista da Rádio Clube de Lages. Eu jogava na várzea de Porto Alegre e ele me viu jogando, fazendo gols. Na época, tinha acabado de sair do juvenil do Grêmio e não tinha conseguido me profissionalizar. Quando eu jogava, me espelhava no Alcindo do Grêmio, que também era atacante. O Camargo Filho me indicou e acabei indo para Lages. Fui contratado e desandei a fazer gols. Por isso, me firmei e fiquei três temporadas no Internacional.

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Parraga e Gaspar antes de jogo pelo Inter de Lages, em 1974

UD: Como foi montado aquele time de 1974?

JP: Acredito que tenha sido o Roberto Caramuru, treinador na época. Ele foi buscando as peças ideais para encaixar naquela equipe. Ele trouxe Victor Hugo, Gaspar, Mário José. Alguns eram da cidade, caso do Eduardo. Mas foi um time fantástico, que fez uma campanha memorável e ficou na história. O Caramuru era um cara legal, gente fina. Um boleirão muito bacana.

UD: Como era a mobilização da cidade com o time? 

JP: Os jogos em Lages sempre lotavam. Eu acho que nós ganhamos todos naquela temporada de 74 dentro de casa. Pelo menos não lembro de nenhuma partida que a gente tenha perdido em casa naquele ano. [Nota da Redação: o Inter Lages venceu todas as partidas que disputou em casa (10, ao todo), exceto o primeiro jogo da final, em que empatou em 0-0].

UD: Vocês chegaram na decisão contra o Figueirense e acabaram derrotados numa final contestada até hoje. Como foi isso?

JP: Eles fizeram a final em três partidas. A primeira foi em Lages e a segunda em Florianópolis. A terceira deveria ter sido em um campo neutro. Fizeram um sorteio com duas possibilidades. Tinha dois papéis dentro de uma caixa. Em um papel estava escrito Florianópolis e no outro Capital (risos). Mas se a final tivesse sido em Lages o resultado poderia ter sido outro. Eu não lembro da gente ter perdido nenhuma partida em casa naquele ano.

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Inter de Lages durante o Campeonato Catarinense de 1974, em que terminou como vice-campeão; Parraga está agachado, o terceiro da esquerda para a direita

UD: O senhor veio de Porto Alegre para o colorado lageano. O futebol catarinense daquela época era diferente do gaúcho?

JP: O interior de Santa Catarina tinha um futebol bem jogado. Os times com mais estrutura do estado eram mesmo o Figueirense e o Avaí. Mas o interior tinha times bons como o Próspera de Criciúma, o Palmeirinha de Blumenau, o Carlos Renaux de Brusque. A própria Chapecoense estava começando. Criciúma e Joinville ainda não existiam. Mas o futebol do interior de Santa Catarina daquele tempo era um futebol bem jogado. Principalmente quando formava times fortes como aquele do Inter em 74.

UD: O senhor chegou a acompanhar a volta do Inter de Lages a primeira divisão?

JP: Não cheguei a acompanhar, mas fiquei feliz. Foram dois acessos seguidos: da terceira pra segunda e depois da segunda pra primeira. Muita gente de Lages me liga pedindo entrevista. Eu fico muito feliz que o Inter tenha voltado e espero que a equipe se mantenha na primeira divisão. Eu gosto muito do Inter de Lages porque foi lá que comecei no futebol.

UD: O atacante Marcelinho Paraíba e o goleiro Fernando Henrique foram anunciados como os principais reforços desta temporada. O senhor acredita que eles possam ajudar o clube?

JP: São dois nomes fortes, mas nome não ganha jogo. Não sei se o Marcelinho Paraíba vai estar ligado na intensidade do futebol lageano. Ele é veterano e precisa ter pique pra disputar a primeira divisão catarinense. Apesar de estar descendente, o Fernando Henrique é muito bom goleiro. Espero que eles se dediquem porque, conforme eu disse antes, nome não ganha jogo.

UD: Qual importância o Inter de Lages teve na carreira do senhor?

JP: Sou muito grato e tenho um carinho especial pelo Internacional. Apesar de todas as dificuldades que tínhamos naquela época, como salário e moradia, o time ajudou muito na minha sequência profissional. Sou grato ao Inter e à cidade com a qual criei uma identidade muito boa. Inclusive lançaram um livro sobre o clube alguns anos e tinham duas ou três páginas falando sobre mim. Foi muito importante no início da minha carreira profissional. Depois me transferi para a Ponte Preta e dei sequência a minha carreira.

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