Ídolo, Adhemar quer "portas abertas" para salvar São Caetano da Série C

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A situação do São Caetano em 2013 nem de longe lembra a situação do clube do ABCD Paulista há dez anos. Em 2003, o time era um dos favoritos ao título do Campeonato Paulista (caiu nas quartas de final frente ao Palmeiras) e terminou o Campeonato Brasileiro em quarto lugar, classificando-se para a Copa Libertadores da América do ano seguinte. Hoje, além de ter sido rebaixado para a Série A2 do Campeonato Paulista, o time ainda caminha a passos largos para a Série C do Brasileiro.

Sensação do futebol brasileiro na virada do século, o São Caetano nem de longe lembra o time que foi duas vezes vice-campeão brasileiro (2000 e 2001), vice-campeão da Copa Libertadores (2002) e campeão paulista (2004). Fora da Série A do Campeonato Brasileiro desde o fim de 2006, o time passa pelos piores momentos desde o fim da década de 90 – afinal, não disputa a Série C desde 1998 e a Série A2 do Campeonato Paulista desde 2000.

O que justifica tamanha derrocada nos últimos anos? Muitos apontariam a morte do zagueiro Serginho em outubro de 2004 como um divisor de águas. No entanto, isso não é o suficiente para Adhemar: maior ídolo da história do clube, o ex-camisa 18 vê a diretoria do clube esvaziada e fechada para ex-atletas que têm vontade de ajudar.

Referência do São Caetano no início da última década, Adhemar ajudou o clube do ABCD Paulista a se destacar no cenário nacional e internacional; hoje, assiste à queda livre do time (Crédito: Gazeta Press)

“Eu gostaria de me envolver mais com o futebol do São Caetano (…). Tanto eu quanto outros atletas que passaram por lá poderíamos ter um envolvimento maior. Mas a gente não tem abertura da diretoria. A gente tem que ficar à parte de tudo e só responder mesmo por cima, sem saber o que se passa lá dentro”, disse Adhemar, em entrevista exclusiva, pedindo a volta de antigos dirigentes do clube – embora o presidente da época de ouro, Nairo Ferreira de Souza, seja o mesmo que encabeça a diretoria do clube hoje.

Para Adhemar, é hora de reação no Estádio Anacleto Campanella. “As pessoas que comandaram essa época vitoriosa têm que voltar, se é que ainda estão no meio do futebol, para que possam colocar o São Caetano no lugar em que ele deveria estar”, disse o ex-atacante de chute forte. “Espero que (o time) não caia para a Série C do Brasileiro, porque aí pode virar um Juventude da vida”, analisou, em referência à queda do time gaúcho entre a primeira e a quarta divisões nacionais entre 2007 (quando caiu da Série A) e 2013 (quando subiu da Série D).

Confira a entrevista:

Última Divisão – Você é uma referência quando se trata de São Caetano. É possível comentar o momento atual do time? Caiu para a Série A2 do Campeonato Paulista, está perto de cair para a Série C do Campeonato Brasileiro… Como você avalia a situação do time?

Adhemar – Uma fórmula para isso, eu não sei. Mas a diretoria deve saber. Não credito toda a culpa à diretoria, mas são os mesmos que estão à frente (no caso, Nairo Ferreira de Souza) e que tiveram um planejamento de acesso durante o tempo que eu estive lá, de 1996 até a conquista do título paulista (2004). Eles têm esse parâmetro para saber o que eles acertaram e o que eles erraram. Eles têm que pegar e colocar no papel agora, fazer um ‘replanejamento’. Espero que (o time) não caia para a Série C do Brasileiro, porque aí pode virar um Juventude da vida.

Ex-camisa 18 quer portas abertas no São Caetano para que ex-jogadores do clubes possam ajudar a reerguê-lo (Crédito: AFP)

Última Divisão – Você acha que, como se diz, o São Caetano “bateu no teto”? Acha que dá para chegar onde já chegou antes?

Adhemar – Pode recuperar. Agora, vai ter que rever todos os conceitos, os jogadores que contrataram. As pessoas que comandaram essa época vitoriosa têm que voltar, se é que ainda estão no meio do futebol, para que possam colocar o São Caetano no lugar em que ele deveria estar: brigou muito tempo com os grandes, sendo praticamente o segundo time de todo torcedor paulista. Hoje a gente vê essa situação triste e delicada.

Última Divisão – Hoje então você não tem mais contato com o pessoal da diretoria lá?

Adhemar – Até tenho contato, mas é bem restrito. Eu gostaria de me envolver mais com o futebol do São Caetano, (assim como) os ex-atletas que participaram e tiveram uma história em cada clube. Hoje a gente tem visto o Sylvinho e o Edu (Gaspar) no Corinthians, o Marcos no Palmeiras, e outros atletas. Tanto eu quanto outros atletas que passaram por lá poderíamos ter um envolvimento maior. Mas a gente não tem abertura da diretoria. A gente tem que ficar à parte de tudo e só responder mesmo por cima, sem saber o que se passa lá dentro.

Última Divisão – Como assim, “abertura da diretoria”? Digamos que há uma porta um pouco fechada para ex-atleta lá?

Adhemar – Eu creio que sim. Se você analisar, há poucos atletas que fazem parte da situação de estar junto com o grupo hoje. Eu sei do Marcio Griggio (ex-meia-atacante da equipe entre 1999 e 2001), que trabalha na categoria de base (coordenador), e alguns outros atletas que trabalharam. Mas tem muitos outros atletas que passaram por lá e que tem capacidade para administrar, tomar conta de algum cargo lá. Além disso, têm comprometimento com o clube, vestem a camisa. Pode ser que outra pessoa que não jogou futebol administre bem, de forma correta, mas não consiga passar a emoção de estar lá dentro, a emoção de defender uma equipe que brigou por muito tempo nas cabeças, e que hoje está à beira de uma Série C.

Nairo abre portas, mas pede projeto

O blog procurou Nairo Ferreira de Souza para saber a posição do clube a respeito da relação com ex-atletas. O presidente do São Caetano discordou das críticas de Adhemar e disse que a equipe não vê problemas em receber antigos jogadores para visitas ou para trabalhar – mas para trabalhar no Estádio Anacleto Campanella, adverte Nairo, é preciso preparo, projeto e trabalho sério.

“Todo ex-atleta é bem vindo ao São Caetano. É questão de estar perto ou longe”, contou Nairo por telefone. “O Adhemar também. Ele mora em Porto Feliz (SP), a quase 200 km. Quando ele está aqui na região… O São Caetano sempre teve abertura com todos os ex-jogadores. Quando dá para se encontrar, se encontra”, completou.

Quando foi questionado a respeito da “oferta” de trabalho de Adhemar, o presidente do clube mostrou disponibilidade para negociar. Porém, pediu para que o ex-camisa 18 apresentasse mais do que vontade, trazendo também para o time uma função definida dentro de um projeto.

“Não sei qual a função dele hoje. Quando o jogador sai, é preparador, empresário, treinador. Abertura para trabalhar, nós temos. O nosso departamento de futebol hoje tem o Galeano como gerente, que era do Palmeiras e que se estabeleceu. Na minha base hoje, tem o Márcio Griggio, que é coordenador. O Marquinhos Pitbull (ex-Botafogo), por exemplo, é o técnico da equipe Sub-17”, disse Nairo.

O dirigente ainda afirmou que a possibilidade de ter Adhemar no clube “é uma questão de saber o que a pessoa quer fazer”. “Uma hora ele está dando entrevista, outra hora está comentando jogo, depois está com escolinha de futebol. Eu não sei a ocupação dele hoje. Mas não tenho nada contra – muito pelo contrário, é bem-vindo”, disse Nairo, que faz uma ressalva: “se eu for dar emprego a todo ex-jogador do São Caetano, tenho que montar uma indústria”.

Nairo abre portas para ex-jogadores, mas quer preparo e projeto sério: ”se eu for dar emprego a todo ex-jogador do São Caetano, tenho que montar uma indústria” (Crédito: São Caetano/Site oficial)
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