Uma breve história dos números das camisas de futebol

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Os números sempre fizeram parte do futebol, seja para anotar o placar, para trazer estatísticas ou ainda para representar a quantidade de títulos vencida por um clube. Mas os números também tiveram outro papel importantíssimo no futebol: enumerar os jogadores.

Essa prática começou no final dos anos 20 em um jogos entre Sheffield Wednesday e Arsenal. Porém, oficialmente, algo assim só foi registrado na partida final da FA Cup de 1933 entre Everton e Manchester City, em que os números foram distribuídos do 1 ao 11 para o time de Liverpool, enquanto os Citizens jogaram com a numeração do 12 ao 22. Com o sucesso da adoção dessa prática, os clubes passaram a utilizá-la. Contudo, a Fifa apenas a adotou em Copas do Mundo a partir de 1950 no Brasil.

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Como tudo que envolve o futebol, a numeração dos jogadores em seus uniformes guarda muitas histórias. A mítica camisa 10, por exemplo, tornou-se tão famosa por conta de um acaso na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Naquele Mundial, a numeração era dada pelo registro do jogador na federação dos países e para a seleção brasileira o décimo número caiu com o jovem Edison Arantes do Nascimento, também conhecido como Pelé.

Nas palavras do próprio Pelé, em entrevista à Agência Futebol Interior, o Rei disse:

“Até a Copa de 58, a numeração não tinha nenhuma importância. Depois que fomos campeões, eu usando a 10 — o jogador mais novo do time e de uma Copa —,  ela passou a ter essa importância que vemos até hoje. Antes disso, o único número importante era o 1 do goleiro. Por isso, brinco com meu filho Edinho, que jogou com essa camisa no Santos, que Deus foi muito bom com nossa família, dando essa responsabilidade em dobro pra nós”.

Contudo, nem sempre os goleiros foram exclusividades usando a camisa 1. Isso mesmo, ela jé foi usada por vezes por jogadores de linha. Talvez o caso mais famoso seja o do volante argentino Osvaldo Ardiles, que disputou a Copa do Mundo de 1982 com a camisa 1. Tudo porque a numeração era feita de acordo com a ordem alfabética. Com isso, boa parte do plantel argentino é um caso de numerações bizarras. Ardiles, inclusive, já havia vestido o número 2 em 1978, quando a seleção conquistou seu primeiro título. Já o camisa 10 do River Plate na época, Norberto Alonso, vestiu a número 1. O único jogador que fugiu à regra foi Maradona, que utilizou a camisa 10.

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Ardiles em ação contra o Brasil na Copa de 1982 (Imagem: Peter Robinson/Getty Images)

Consequentemente, o oposto também aconteceu. Ou seja, alguns goleiros utilizaram números referentes a jogadores de linha em certas edições da Copa do Mundo. Também no primeiro título brasileiro, em 1958 na Suécia, o goleiro Gilmar da seleção canarinho, disputou o Mundial com a camisa 3.

Ocorre que a numeração oficial foi decidida por um funcionário, de nome desconhecido, do comitê organizador da copa – o mesmo que deu a 10 a Pelé — algo que era comum naquela época, enquanto hoje em dia são as próprias seleções que decidem a numeração de 1 a 23. Ao que parece, o funcionário não tinha muita noção das numerações por posição e resolveu dar a camisa 3 ao goleiro.

O sistema que conhecemos hoje nas Copas do Mundo, em que é obrigatório ter do número 1 ao 23 e o nome dos respectivos jogadores, foi adotado em 1994 no Mundial dos EUA. Contudo, hoje o que vemos nos clubes é algo muito parecido com a numeração dos esportes americanos, como por exemplo a camisa 99 usado por Ronaldo no Milan, 49 usada por Ronaldinho Gaúcho no Atlético Mineiro, entre outros.

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O Bruxo trocou a 10 pela 49 para homenagear a mãe (Imagem: Rudy Trindade/Agência Estado)

Além disso temos outros casos de numerações diferentes, como o 01 de Rogério Ceni ou a infinidade de clubes que homenageiam seus jogadores quando batem alguma marca de jogos e presenteiam seus atletas com a oportunidade de jogar com a camisa 100, 200 e daí por diante.

Fica talvez mais uma prova de como um esporte mágico como o futebol, pode transformar algo tão simples como números em algo místico e cheio de histórias para nos contar.

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