Guaratinguetá: do voo alto ao futuro nebuloso

Leandro Oliveira/Na Gaveta Esportes
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Fora da Série D do Campeonato Brasileiro e da Segunda Divisão Paulista (equivalente ao último patamar do futebol estadual) em 2017, o Guaratinguetá segue sem previsão para voltar aos gramados.

A dívida do clube com a Prefeitura beira os R$ 400 mil. Esse montante é relacionado ao aluguel do Estádio Dário Rodrigues Leite e a contas de água e luz. Só os pagamentos desse montante, além de acertos com a Federação Paulista de Futebol, podem fazer com que a Garça do Vale volte a atuar.

João Telê (Crédito: Rogério Moroti/Agência Botafogo)

João Telê, colaborador do Guaratinguetá, disse, em entrevista ao GloboEsporte.com em julho de 2017, que o plano era reestruturar o clube. O dirigente estava envolvido na Portuguesa Santista, que disputou a Copa Paulista no mesmo ano.

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“Planejo voltar, sim (a Guaratinguetá). Temos que rever esse parcelamento das dívidas, trabalhar com o pessoal do jurídico e ver com a prefeitura o que pode ser feito. Eu estou à frente desses estudos, desse início das tratativas”, disse João, à época.

Longe do Ninho

Proibido pela Prefeitura de Guaratinguetá de atuar no Dário Rodrigues Leite, o Guará ficou sem casa já em 2016. Na disputa da Série A3 do Campeonato Paulista e na Série C do Campeonato Brasileiro, o time se deslocou para estádios de Limeira (Agostinho Prada), Guarulhos (Antônio Soares de Oliveira), São Paulo (Nicolau Alayon) e Sertãozinho (Frederico Dalmaso).

O Secretário de Esportes de Guaratinguetá, Joel Pinho, afirmou que, até o momento, nenhum representante do Tricolor do Vale o procurou para renegociar as dívidas e acertar um possível retorno.

“Até o momento, ninguém nos procurou. Para voltar a jogar, o clube tem que acertar as pendências que tem com a Prefeitura”, explicou Joel, por telefone, ao Última Divisão.

Não conseguimos contato com João Telê para explicar o assunto e ver a possibilidade do retorno. Procurada, a Federação Paulista de Futebol ainda não retornou o contato da reportagem.

História e conquistas: época de ouro

Fundado em outubro de 1998, Guaratinguetá entrou no mapa do futebol paulista somente em 2006, quando consegue o acesso inédito para a elite do Estadual. Em 2007, conquistou o Campeonato do Interior ao superar o Noroeste, de Bauru, na grande decisão.

Guaratinguetá em 2008: o caçula surpreendia e
mostrava a força dos clubes-empresa do interior (Crédito: GloboEsporte.com)

Em 2009, o torcedor teve muitos motivos para se orgulhar da equipe. Como havia ficado em quarto lugar no Campeonato Paulista do ano anterior, ganhou a vaga para disputar pela primeira vez a Copa do Brasil do ano seguinte. Na primeira fase, eliminou o Caxias. No jogo de ida, venceu por 2 a 0; na volta, derrota por 2 a 1, mas vaga garantida na segunda fase, onde encarou o Atlético-MG.

Na primeira partida, no Dário Rodrigues Leite, paulistas e mineiros ficaram no empate por 2 a 2. O destaque foi o atacante Diego Tardelli, que marcou os dois gols. Na volta, no Mineirão, o Atlético fez valer o mando de campo e venceu por 2 a 0, com gols de Tardelli e do lateral Júnior, eliminando o Guaratinguetá.

Clube-empresa e decadência

Porém, em 2010, a história virou do avesso. No lugar das glórias e o apoio incondicional que tinha da torcida, lamentações e falta de identidade. O clube decidiu se mudar para Americana (SP), a 273 km de sua cidade-natal. Nos jogos da Série B daquele ano, a diretoria do clube decidiu subir o preço do ingresso: de R$ 20 para R$ 50.

Mas a mudança gerou frustrações. Responsáveis por comandar o clube-empresa afirmaram que Americana não tinha estrutura para um “possível crescimento” da equipe. Assim, o retorno para Guaratinguetá não tardou.

Dentro de campo, a equipe conseguiu se manter no Campeonato Paulista e na Série B do Campeonato Brasileiro.

A venda, mais decepções e parcerias

(Crédito: Filipe Rodrigues/GloboEsporte.com)

Em dezembro de 2013, após ser rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro do ano seguinte, a diretoria do Guaratinguetá tomou uma medida drástica: colocou-o à venda. Os dirigentes da época citaram os prejuízos que estavam tendo com a equipe.

Com elenco limitado, o jeito foi fazer parcerias. Em 2014, o clube fez uma união com Audax Osasco. Fernando Diniz foi o técnico. O clube não passou da primeira fase. Ficou em quinto, com 25 pontos.

Já na gestão João Telê, o Guaratinguetá beirava o rebaixamento para a quarta divisão nacional. Porém, um acordo com Atlético-PR – que cedeu 13 jogadores, além da comissão técnica, liderada pelo português Sérgio Vieira – evitou mais uma vez a queda. O time terminou em oitavo, com 16 pontos.

Em 2016, para o Brasileiro, a Garça tentou negociar com o São Caetano, mas não obteve êxito. A saída foi se juntar ao Independente de Limeira, que cedeu o Estádio Agostinho Prada e alguns atletas. Mas o esforço de nada adiantou. O clube foi rebaixado para a Série D, após somar apenas quatro pontos em 18 jogos. E em 2017, o time parece extinto e com muitas dificuldades para voltar a voar.

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