Giro UD #7: racismo na Série A2 de SP, e nada mais

(Crédito: TV Tem/Reprodução)
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O Giro UD costuma reunir histórias diversas que rolaram durante a semana no mundo da bola para, na sexta-feira, relembrá-los a você que nos acompanha.

Excepcionalmente, nesta semana, a coisa será diferente por aqui. Desta vez, abordaremos uma questão só. Por causa de mais um episódio de racismo no futebol brasileiro. Não será o primeiro, infelizmente não será o último.

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Aconteceu no último sábado (22), durante a oitava rodada da Série A2 do Campeonato Paulista. Naquele dia, a Portuguesa foi ao estádio Tenente Carriço e venceu o Penapolense por 1 a 0, graças ao gol de Roger Gaúcho no fim do jogo.

Fora de campo, os minutos finais também reservaram ao jogo uma cena inominável. Contamos a seguir:

Um torcedor do Penapolense resolveu fazer gestos imitando um macaco para provocar Léo Pereira, zagueiro da Portuguesa que havia feito falta dura em um jogador do time da casa e foi advertido com um cartão amarelo. Eduardo Durú, cinegrafista da TV Tem (afiliada da Rede Globo), registrou a cena nas arquibancadas. O Globoesporte.com noticiou o caso na segunda-feira (24).

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Também na segunda-feira, a Lusa emitiu oficial. “A Portuguesa repudia todo e qualquer ato de preconceito praticado em qualquer ambiente, contra qualquer pessoa. Em 2020, não há mais espaço para preconceitos”, diz o comunicado da equipe, que ainda presta apoio e solidariedade a Léo Pereira, “um jogador que tem demonstrado todo seu amor, toda sua dedicação e toda sua alegria vestindo a camisa do clube”.

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No mesmo dia, o Penapolense colocou-se ao lado do adversário alvo das agressões. “Repudiamos totalmente as cenas exibidas pela TV como também a outro qualquer ato envolvendo homofobia, violência ou racismo. Somos contra, como sempre fomos”, comunicou o presidente do CAP, Nilso Moreira, em nota da assessoria de imprensa. “É ridícula esta cena grotesca que não cabe hoje em nosso cotidiano, como já não cabia no passado.”

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A súmula do jogo, que não registrava o incidente racista, ganhou uma retificação na terça-feira (25). No documento, o árbitro Rafael Gomes Felix da Silva informou à FPF que o caso não havia sido comunicado antes por inconsistência nas informações; no entanto, ao ter contato com a gravação nos telejornais, encaminhou reportagem e vídeo à entidade.

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Por fim, o criminoso – a lei n.º 7716, de 5 de janeiro de 1989, tornou o racismo crime inafiançável no Brasil – foi identificado: Eder Alves Garcia, que não responderá na Justiça comum porque Léo Pereira não fez denúncia formal. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele pediu desculpas e se disse “muito arrependido”. Via Globoesporte.com.

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No Última Divisão, a luta contra o racismo no futebol sempre terá espaço. Além disso, nós recomendamos sempre o trabalho do Observatório da Discriminação Racial no Futebol. O antirracismo precisa ser um sentimento de todos, dentro e fora de campo.