Gavião Kyikatejê, uma ave sorrateira pelos campos do Pará

Imagem: Ricardo Lima/Futura Press, via Globoesporte.com
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Por Ruan Silva

O Gavião Kyikatejê Futebol Clube é um clube sediado na cidade de Bom Jesus do Tocantins, no Pará, divisa com Tocantins. Tem como principal característica sua raiz indígena, com destaque para ser o primeiro time de um povo tradicional a disputar a divisão principal de um estadual, no ano de 2014. Anteriormente formado totalmente por indígenas, chega a 2020 como um time misto.

O Gavião Kyikatejê é o antigo Castanheira Esporte Clube, que foi fundado na década de 1980. E era uma equipe tradicional do futebol local de Marabá, no sudeste do estado.

Em 2007 o povo Kyikatejê-gavião adquiriu os direitos do Castanheira para poder disputar a primeira divisão do certame municipal. Como a liga marabasense não permite a menção do nome do povo indígena no título da agremiação, o Gavião continuou a disputar o campeonato com o nome de Castanheira EC. Neste mesmo ano, ficou com o vice-campeonato; em 2008 sagrou-se campeão da liga local.

Com os bons resultados, o Gavião conseguiu sua profissionalização junto da Federação Paraense em 2009, e finalmente com seu nome conhecido até hoje: Gavião Kyikatejê Futebol Clube. Nesse mesmo ano disputou a segunda divisão do Campeonato Paraense, mas não passou da primeira fase.

Em 2010, o time chegou ao terceiro lugar do campeonato, mas ainda sem o tão sonhado acesso. Nos anos seguintes, o clube volta a não ter resultados expressivos – até 2013, quando chegou ao vice campeonato e, enfim, ganha o direito de disputar o degrau mais alto do Pará no ano seguinte.

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Chegando lá, o time acabou sendo o lanterna em 2014 e novamente voltou para a segunda divisão de onde não saiu mais. Em 2018, o clube não passou da primeira fase, no grupo que tinha tradicionalíssima Tuna Luso.

O Gavião manda seus jogos no Estádio Municipal Zinho de Oliveira, conhecido também como o Velho Zinho. O local foi construído na década de 1970 e teve esse nome em homenagem a Zinho Oliveira, um paraense da Ilha do Marajó que chegou a Marabá por volta de 1920. Como era uma pessoa muito expansiva, trouxe o esporte no sangue, fundando em 1943 o Bangu Esporte Clube.

Zinho colecionou na carreira os cargos de vereador, delegado, mas também foi jogador, atuando como goleiro na equipe do próprio Bangu. Conviveu com o futebol até sua morte, em 1962.

O grande nome da história da equipe indígena foi Aru, atacante que era um dos símbolos não só do time, mas também da tribo que ele pertencia. Aru faleceu vítima de um acidente de carro em 2018. Ele tinha 31 anos e jogou também no Palmas-TO, Imperatriz e Parauapebas-PA. No primeiro Paraense da história do clube, Aru marcou 10 gols.