Farah revela histórias inéditas sobre a bíblia do futebol alternativo

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No final dos anos 90, dois amigos percorreram diversas cidades do interior de São Paulo atrás de equipes e estádios esquecidos. O resultado foi a elaboração do revolucionário Almanaque do Futebol Paulista, tido por muitos fanáticos como a bíblia do esporte bretão.

Lançado pela primeira vez em 2000, o anuário compilou informações de todos os clubes que disputaram as divisões profissionais do estado. O livro assinado pelo jornalista José Jorge Farah Neto e pelo publicitário Rodolfo Kussarev Júnior fez grande sucesso. A publicação do almanaque durou quatro anos e fez a cabeça de uma geração de apaixonados pela bola.

As quatro edições do Almanaque ainda são disputadas nos sebos. Para saber mais histórias dos bastidores do livro, Última Divisão conversou com exclusividade com José Jorge Farah Neto, atual presidente da Federação Paulista de Futebol de Mesa e um dos autores da obra.

Última Divisão- Na sua opinião pessoal, qual é o maior mérito do livro?

Farah Neto- O maior mérito foi o ineditismo do projeto, pois até então nunca se havia feito um trabalho tão profundo dos clubes que disputaram as competições da Federação Paulista. Com a primeira edição pronta, ficou mais fácil dar seqüência.

UD- Qual foi a maior dificuldade na elaboração da primeira edição?

FN- A primeira edição foi a mais trabalhosa. Tudo começou com algumas cartas enviadas a clubes que já haviam parado com o futebol profissional, ao obter algumas respostas, fui à sede da federação na época localizada na (avenida) Brigadeiro Luís Antonio. Fiquei uma semana dentro de um arquivo empoeirado, que praticamente nunca tinha sido mexido. Me diverti descobrindo papéis timbrados incríveis de clubes que até nunca tinham participado, porém haviam requerido sua inscrição na FPF. Levantei assim todos os campeonatos em suas diversas divisões com o nome de todas as agremiações que haviam participado da época dos campeonatos de acesso a partir de 1947 e alguns até antes disto.

UD- Você e o Rodolfo percorreram todo o interior de São Paulo realizando a pesquisa. Conte algum episódio interessante ou engraçado que vocês vivenciaram durante esse período.

FN- Fizemos uma viagem enorme por todo o interior do estado de São Paulo, focando sempre nas cidades que haviam tido alguma equipe em alguma divisão da FPF. Porém, não nos restringimos a isto porque existiam muitos clubes que nunca foram profissionais e tinham um nome muito forte no interior. Houve um momento em uma cidade, que o Rodolfo sumiu, e eu fiquei a procurá-lo. Sai andando para o lado que ele havia ido e ao andar um quarteirão encontrei-o dentro da casa de um ex-jogador. O ex-atleta lhe deu uma faixa de quando ele foi campeão e até cafezinho a esposa deste senhor nos serviu. Quanto aos nomes já não me lembro mais, devo ter escrito em algum lugar em meus papéis de anotação. Em uma fazenda no interior (prefiro não dar o nome) nós quase fomos presos. Porque era proibido tirar fotos e os guardas (ou seguranças) queriam tomar nossas máquinas de fotografia. As fotos estão comigo até hoje e assim muitos fatos ocorreram.

UD- Qual foi a equipe mais difícil de ser pesquisada?

FN- Talvez o time desta fazenda tenha sido uma das mais difíceis. Houveram equipes que foram muito complicadas de conseguir dados, algumas tinham a história, mas não tinha um distintivo. Outras tinham o distintivo, mas não tinham história. Precisaria olhar no próprio livro para lhe dizer o que foi fácil e o que foi difícil. Mas posso dizer que foi prazeroso demais, e sempre com objetivo de conseguir fomos em frente. Não desistimos em um só momento da empreitada.

UD- Passados 11 anos, o livro é disputado nos sebos e é tido como a bíblia do futebol alternativo. Vocês esperavam todo esse sucesso?

FN- Quando a ideia veio na minha cabeça, eu tinha certeza do sucesso.  Porém, lamento muito ter parado o projeto. Gostaria de retomar o livro, um dia quem sabe retomo. Mas fico muito feliz com o sucesso da obra 11 anos depois. Ainda tenho uns poucos exemplares e a procura ainda é grande.

UD- Você já pensou em fazer um almanaque do futebol brasileiro?

FN- Já. Tenho inclusive um projeto prontinho e faço as pesquisas por conta própria. Lançaram alguns livros com a minha ideia, mas nenhum conseguiu atingir o objetivo. Para isto é preciso ter a historia na mão o que eu e alguns outros pesquisadores temos. Ainda tenho esperança de fazer este livro algum dia. No momento, necessito de um patrocinador.

UD- Você acredita que um almanaque como esse poderia ter uma carreira comercial satisfatória se lançado hoje para o grande público?

FN- Nada supera a leitura. Nem a poderosa internet. Pesquisar é preciso e dar aos leitores um texto saboroso é sempre bom. Como lhe disse pretendo me unir aos amigos pesquisadores e ainda fazer estes livros que irão encantar a todos.

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