Especial Olímpico: A volta da seleção britânica e os estranhos no ninho

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Membros independentes da Fifa, cada um com seu respectivo selecionado, Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte entrarão em campo na Olimpíada de Londres defendendo uma única bandeira. Depois de um hiato de 40 anos, a Grã-Bretanha* voltará a ter uma seleção, responsável por envergar a Union Jack no torneio de futebol – competição, aliás, que é pródiga em participantes não tão comuns em outras disputas do esporte.

Ryan Giggs, Grã-Bretanha
O veterano galês Ryan Giggs tem pela Grã-Bretanha sua chance de atuar em um grande torneio de seleções.

Campeã em 1908, também em Londres, e quatro anos depois, em Estocolmo, na Suécia, a equipe britânica de futebol participou ao todo de oito edições dos Jogos Olímpicos – também disputou em 1920, 1936, 1948, 1952, 1956 e 1960. Os dois ouros foram as únicas medalhas conquistadas até então, em um retrospecto que conta como melhor resultado, na sequência, um quarto lugar na Olimpíada de 1948 – novamente na capital inglesa, quando perdeu a disputa do bronze para a Dinamarca por 5 a 3.

Nos anos subsequentes, o Team GB até disputou a classificação via pré-olímpico europeu, sendo a última tentativa em 1971, para os Jogos de Munique, na Alemanha, que seriam disputados no ano seguinte. Dois anos depois da Olimpíada em solo germânico, uma determinação da Federação Inglesa (FA) de não mais diferenciar atletas amadores de profissionais (o Comitê Olímpico Internacional, à época, só permitia a inscrição de atletas amadores), aliada também ao fato de que cada país do Reino Unido possuía sua própria seleção filiada à Fifa, acabou forçando a desistência britânica do futebol olímpico nos torneios seguintes.

No entanto, para a nova edição dos Jogos em Londres, em 2012, o comitê olímpico local entrou em acordo com as federações de cada um dos quatro países do Reino Unido para retomar a seleção britânica. Apesar de o escocês Alex Ferguson, do Manchester United, ser cotado para dirigir a equipe, o escolhido foi o inglês Stuart Pierce, então treinador do time sub-21 do seu país. Dentre os 18 convocados, nenhum nascido na Escócia ou na Irlanda do Norte: foram chamados 13 atletas oriundos da Inglaterra e os cinco restantes do País de Gales, sendo um deles o veterano Ryan Giggs, também do United e que será o capitão do time na luta pelo ouro.

*Originalmente, Grã-Bretanha é a denominação para a ilha na qual se localizam três dos quatro países do Reino Unido: Inglaterra, País de Gales e Escócia. O COI aceita Grã-Bretanha como abreviação do nome “Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte”.

Estranhos no ninho – O torneio de futebol nos Jogos Olímpicos começou a ser realizado oficialmente, como parte do programa, em 1908, também em Londres. Antes, em Paris-1900 e Saint-Louis-1904, o esporte foi disputado como exibição, tanto que equipes de colégios (e não seleções dos países) participaram das partidas.

Depois da entrada do futebol no programa olímpico, alguns países não tão assíduos em competições oficiais da Fifa marcaram presença no torneio:

– Boêmia: então parte do Império Austro-Húngaro, o Reino da Boêmia era um dos inscritos para a disputa dos Jogos em 1908. No entanto, às vésperas da competição, o país perdeu seu status de membro da Fifa e foi impedido de entrar em campo. Hoje, a Boêmia é uma das regiões que fazem parte da República Tcheca.

– França: campeã olímpica em 1984 e campeã do mundo em 1998, a França se faz presente nesta relação também por causa dos Jogos de 1908, quando inscreveu duas equipes para a disputa. Os franceses, no entanto, passaram vergonha duas vezes, ambas contra a Dinamarca: o time B foi eliminado na primeira rodada ao perder de 9 a 0, enquanto que a equipe A conseguiu ir ainda pior na semifinal, sendo derrotada por 17 a 1. Com tal resultado, os azuis até desistiram da disputa do bronze, abrindo espaço para a Suécia (que perdeu da Holanda por 2 a 0).

– Grão-Ducado da Finlândia: os finlandeses estrearam nas Olimpíadas em 1912, em Estocolmo. À época, o então Grão-Ducado da Finlândia era unido ao Império Russo, mas participou de forma independente dos Jogos. No futebol, estreou com um 3 a 2 diante da Itália, na prorrogação, e eliminou a própria Rússia nas quartas-de-final com um 2 a 1. No entanto, goleadas sofridas para a Grã-Bretanha, na semifinal (4 a 0), e para a Holanda, na disputa do bronze (9 a 0) deixaram o time no quarto lugar. A Finlândia ainda participou de mais uma edição dos Jogos, mas como país independente: em 1980, em Moscou, foi eliminada ainda na fase de grupos.

– Estônia, Letônia e Lituânia: como membros independentes, os três países bálticos participaram de uma mesma edição dos Jogos – Paris, em 1924. Os três, porém, foram eliminados em suas respectivas estreias. Na rodada preliminar, a Estônia perdeu dos Estados Unidos por 1 a 0 e a Lituânia foi goleada pela Suíça por 9 a 0. Com vaga antecipada na fase seguinte, a Letônia (que chegou a jogar a Eurocopa de 2004) também não foi adiante ao levar de 7 a 0 da França. Duas décadas mais tarde, os três países acabaram incorporados à União Soviética (consequência da Segunda Guerra Mundial) e voltaram a ser independentes novamente apenas nos anos 1990.

– Luxemburgo: costumeiro saco de pancadas nas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo, a seleção luxemburguesa participou de quatro edições dos Jogos no futebol. Em 1920, na Antuérpia, e em 1928, em Amsterdã, derrotas na estreia para Holanda (3 a 0) e Bélgica (5 a 3), respectivamente. A primeira vitória veio apenas na Olimpíada de 1948, em Londres, com uma goleada por 6 a 0 sobre o Afeganistão, na fase preliminar. Na rodada seguinte, uma derrota por 6 a 1 diante da Iugoslávia eliminou Luxemburgo. O ponto alto da seleção luxemburguesa veio quatro anos depois, em Helsinki, quando a equipe desbancou a Grã-Bretanha logo em sua estreia, com uma vitória por 5 a 3 na prorrogação (após empate por 1 a 1 no tempo normal). No entanto, na rodada seguinte, a equipe acabou eliminada ao perder para o Brasil por 2 a 1. Os gols brasileiros foram marcados por Larry, ex-Internacional e Fluminense, e Humberto Tozzi, antigo atacante de São Cristovão e Palmeiras.

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