Em Mogi das Cruzes, quem reinou com a bola nos pés foi o pai de Neymar

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Não é novidade para ninguém que acompanha futebol que Neymar, astro do Barcelona e da Seleção Brasileira, é filho de um ex-jogador. Mas o que você sabe a respeito de Neymar da Silva Santos, pai do camisa 11 do clube catalão? O que você sabe a respeito de um dos principais jogadores da história do União Mogi?

A verdade é que não há tantos dados a respeito de Neymar pai como jogador. Ao longo da carreira, passou por clubes como Coritiba, Catanduvense, Linense, Lemense, Portuguesa Santista, Bragantino e Paraná Clube. No entanto, foi na equipe de Mogi das Cruzes que “Neymar pai” mais se destacou.

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Neymar, em 1995

O meia-atacante chegou ao clube em 1989 para disputar a então Divisão Intermediária (atual Série A2) do Campeonato Paulista. O União fez campanha discreta naquela ocasião, terminando o torneio com a quarta posição em seu grupo. Mesmo assim, foi o suficiente para que Neymar entrasse na mira do Rio Branco, de Americana – a negociação só não saiu porque dez empresários de Mogi das Cruzes juntaram dinheiro e bancaram a permanência do jogador.

Em fevereiro de 1992, Neymar teve o primeiro de seus dois filhos, Neymar Júnior. Quatro meses depois, um susto: viajando com a família para o litoral paulista, Neymar sofreu um grave acidente de carro.

”Eu ainda jogava como profissional na época. Eu tinha jogado no domingo, peguei minha família e estava descendo para Santos para visitar nossos parentes que eram todos daqui. E descendo a serra, um dia meio de chuva, a rodovia era de mão dupla e a gente foi de encontro. Quando eu consegui desviar do carro, eu fui para o acostamento mas eu estava em quinta marcha e então eu tive que brecar o carro; busquei a aceleração, mas não dava mais tempo”, contou, em junho de 2013, à Rede Globo. O então jogador estava no carro com a mulher e o filho.

Ninguém morreu no acidente, mas Neymar se machucou com gravidade, e ainda quase perdeu o filho. “Eu sofri uma luxação de bacia muito grave, que me impossibilitou de jogar futebol durante um ano praticamente. E o Neymar tinha quatro meses de idade, ele sumiu do carro. Eu e minha esposa, naquele momento… A gente achou que tinha perdido ele, porque ele sumiu”, contou.

A partir daí, sem a mesma velocidade, Neymar passou a ser emprestado a diversos clubes. O União, por sua vez, foi o oitavo colocado da Divisão Intermediária em 1993 – mas acabou rebaixado para a Série A3 naquele ano, em decorrência de uma reformulação do Campeonato Paulista imposta pela Federação Paulista de Futebol (FPF). Na terceira divisão, foi sétimo colocado em 1994, quarto em 1995 e oitavo em 1996, sem conseguir o acesso.

neymar_pai_x_edinho_1Entre estas passagens, uma em especial teve Neymar pai em campo. Em 31 de maio de 1995, o União Mogi realizou um amistoso para reinaugurar o Estádio Municipal Francisco Ribeiro Nogueira. O adversário? O Santos Futebol Clube, justamente o clube pelo qual o filho de Neymar (então com três anos) viria a se consagrar pouco mais de uma década mais tarde.

Na ocasião, o Santos atuou com diversos jogadores do time que viria a ser vice-campeão brasileiro no mesmo ano – entre eles, o goleiro Edinho, o volante Gallo, o meia Jamelli e o atacante Camanducaia. A partida terminou 1 a 1, com gols de Jamelli (Santos) e Da Silva (União Mogi).

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“Eu me lembro muito bem daquele amistoso e do duelo com o Edinho porque era eu quem batia as faltas. E o cara não caia no chão. Tinha uma facilidade muito grande de chegar na bola sem precisar se jogar. Ele era tão rápido que parecia que eu tinha batido mal a falta”, relembra Neymar.

“Para o nosso time foi uma grande festa. Vários ídolos do outro lado, o filho do Pelé. Era muito importante. Queríamos mostrar o nosso valor. Fiz de tudo para tentar ganhar, mas não tinha jeito. Era uma das maiores fases da carreira do Edinho”, completa.

Quem jogou com Neymar pai, guarda boas lembranças até hoje. “O ataque era eu e o Neymar. Foi na época que ele voltou a UTI, depois do acidente. O Neymar (Júnior), eu peguei no colo – ele e a Rafaela (irmão do craque do Barcelona)”, conta Gil Paulista, ex-jogador do União Mogi, em entrevista ao Última Divisão. “Ele era um velocista. Não era duro. Éramos eu e ele no ataque. O Waldir Peres era o técnico, depois veio o Paulo Comelli. Ficamos três anos juntos morando no mesmo lugar. É um amizade que dura até os dias de hoje”, completou Gil, hoje treinador.

No entanto, a trajetória de Neymar pai no União Mogi e no futebol não durou muito mais. Em 1997, foi negociado com o Operário-MT. E foi pelo clube de Várzea Grande que conquistou o principal título de sua carreira: o Campeonato Matogrossense, derrotando o União Rondonópolis nas finais.

Em pé: Paulo, Marcelo Henrique, Araújo, Carlinhos, Márcio, Laércio, Chiba e Edílson. Agachados: Laurinho, Niltinho Goiano, Bimba, Neymar, Jonas, Renatinho, Josenílson e Dito Siqueira
Em pé: Paulo, Marcelo Henrique, Araújo, Carlinhos, Márcio, Laércio, Chiba e Edílson.
Agachados: Laurinho, Niltinho Goiano, Bimba, Neimar, Jonas, Renatinho, Josenílson e Dito Siqueira

Naquele ano, aos 32 anos, pendurou as chuteiras e virou um ex-jogador. Poucos anos depois, porém, estava de volta ao noticiário esportivo – agora, como pai e representante de um dos principais jogadores do mundo.

Fotos e informações: Globo Esporte.com, Fernando Martinez (Jogos Perdidos), Sempre Peixe e Click nos Campeões.

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