“Os clubes do interior que não morreram estão lutando para sobreviver”

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O técnico Edson Fumaça está assumindo o maior desafio da sua nova carreira como treinador. O ex-zagueiro irá dirigir o tradicional Bandeirante de Birigui na Segundona, a quarta divisão do Campeonato Paulista, de 2011.

Aos 49 anos, Fumaça possui história no Leão da Noroeste. Ele fez parte do grupo que levou o time de Birigui para a primeira divisão do Paulistão em 1986. “A nossa motivação era muito grande. Mesmo Birigui sendo uma cidade pequena nós conseguimos mobilizar a torcida e os empresários da região”, relembra.

O ex-zagueiro colecionou passagens por Araçatuba, Rio Branco de Americana, Corinthians, Comercial de Ribeirão Preto e no próprio BEC. Nessa entrevista exclusiva ao Última Divisão, ele recorda alguns momentos da sua carreira e fala sobre as expectativas do Bandeirante para a disputa da Segundona 2011.

Última Divisão: O elenco do Bandeirante já está definido para a disputa do Paulista da Segunda Divisão?

Edson Fumaça: Ainda estamos definindo tudo. Queremos fechar um plantel de 25 a 28 atletas. Nós ainda estamos iniciando um trabalho. Todos sabem muito bem que as equipes do interior têm dificuldades grandes. Principalmente na parte de verba. Estamos também melhorando a estrutura do clube, reformando o refeitório e o dormitório.

O Bandeirantes de 1986. Em pé: Paulo César, Moreira, Jorge, Vicente, Edson (em pé) Fumaça e Almeida; Brinda, Osni, Rubão, Valmir e Pedrinho (agachados)
O Bandeirantes de 1986. Em pé: Paulo César, Moreira, Jorge, Vicente, Edson (em pé) Fumaça e Almeida; Brinda, Osni, Rubão, Valmir e Pedrinho (agachados)

UD: O senhor era zagueiro do BEC que foi campeão da segunda divisão em 1986. Qual a diferença do futebol do interior daquela época para hoje?

EF: Um ponto importante é que a nossa motivação era muito grande. Mesmo Birigui sendo uma cidade pequena nós conseguimos mobilizar a torcida e os empresários da região. O Bandeirante sempre foi um clube com uma torcida muito forte. A situação atual é diferente. Os clubes do interior que não morreram estão lutando para sobreviver de alguma maneira.

UD: O senhor acredita que a revelação de atletas é algo importante para os clubes tradicionais ?

EF: Sim. Temos que trabalhar forte nas categorias de base. Isso eu falei inclusive com o nosso presidente. Se no final do campeonato, nós conseguirmos vender de um a dois atletas podemos ter algum retorno financeiro satisfatório para a equipe.

UD: Na sua opinião, a Lei Pelé dificultou a vida das agremiações tradicionais como o Bandeirante?

EF: A Lei Pelé teve os seus prós e contras. Na minha época, você tinha muitos atletas bons no interior. Era muito difícil você ter uma oportunidade e muitas vezes essa oportunidade não aparecia. Atualmente, qualquer garoto que dá um chutinho acaba indo pra Europa. Na minha época, o atleta assinava com um time do interior no dia 1 de janeiro e tinha contrato até o dia 31 de dezembro. Recebia salário durante doze meses. O jogador tinha uma programação e recebia um salário maior que hoje. Quem economizava conseguia comprar uma casa. Hoje, o cara assina um contrato pra jogar dois ou três meses e não sabe se vai receber.

UD: Quais treinadores o senhor teve que o influenciaram a seguir a carreira?

EF: Os melhores que eu tive foram o Mário Travaglini e o Dudu. Seu Dudu foi meu técnico quando subimos com o Bandeirante. Ele sempre foi um grande profissional e é um exemplo em termos de caráter.

UD: O Travaglini dirigiu o senhor em qual time?

EF: No Corinthians. Eu tinha entre 17 e 18 anos. Fiquei no time do Parque São Jorge entre 1981 e 83. Na época, as oportunidades pra mim foram raras lá porque eles tinham na minha posição gente como Mauro, Rondinelli. O seu Orlando (Monteiro Alves) e o seu Adilson (Monteiro Alves) foram pessoas que me ajudaram muito. Mas eu era muito novo e não tinha juízo. Naquela época, você não tinha empresário ou pai para te acompanhar em tudo. Era bem mais difícil. Se eu tivesse a cabeça que eu tenho hoje, a minha história poderia ter sido diferente.

UD: O senhor jogou também no Araçatuba. Como era antigamente o clássico entre o Bandeirante e o Araçatuba?

EF: A rivalidade era muito grande. Veja você: Birigui e Araçatuba são cidades tão próximas que são quase emendadas uma na outra. Essa rivalidade era muito forte, era como Palmeiras e Corinthians em São Paulo.

FotoNoticia602UD: É a primeira vez que você irá dirigir um time na quarta divisão. O senhor costuma acompanhar a Segundona?

EF: Sempre procuro acompanhar a competição e assisto as partidas na Rede Vida. É um campeonato muito difícil e bastante competitivo. Para uma equipe conseguir subir é necessário um trabalho forte em cima disso. Por isso, estamos formando uma comissão técnica com profissionais qualificados e que tenham bom caráter. O presidente está me dando todas as condições, principalmente nessa parte de estrutura. Nosso objetivo é voltar para a Série A-3. Estamos entrando para ganhar e para formar bons jogadores.

UD: Qual é a sua análise sobre o grupo em que o Bandeirante irá jogar a primeira fase?

EF: É um grupo muito difícil. O Votuporanguense está formando um time forte e o Fernandópolis também. Outro time que preocupa é o José Bonifácio que todo ano chega nas fases decisivas da competição. Nossa estreia acontece somente na segunda rodada. Por isso, ainda iremos programar alguns amistosos.

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