E se houvesse campeonato estadual na Espanha?

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Dia desses, a imprensa da Catalunha estava enfurecida. Pudera: o Barcelona faria sete jogos em apenas 22 dias, média de um a cada três dias. O excesso de partidas era uma questão discutida em TVs e jornais, que não se cansavam de repetir: era preciso mudar o calendário do futebol local. E, para isso, talvez fosse preciso sacrificar os campeonatos estaduais da Espanha.

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Acredite, esta imagem aí é verdadeira (Crédito: Sport/Reprodução)

Na Espanha, a polêmica não era nova. Por um lado, os clubes menores eram muito dependentes dos confrontos com os grandes nos estaduais – mesmo que boa parte das cotas de TV, principal fonte de renda dos orçamentos, fossem dirigidas às agremiações maiores. Por outro lado, dirigentes e torcedores das agremiações maiores reclamavam do excesso de partidas no primeiro semestre de cada ano, em meio ao Campeonato Espanhol, à Copa do Rei, à Liga dos Campeões e à Liga Europa.

Em 2015, os dois lados se viram mais uma vez em meio ao mesmo dilema. Enquanto o Barcelona disputava a Liga dos Campeões, dividia o calendário com o Campeonato Catalão. A situação era bastante criticada, mesmo após a reformulação do torneio promovida pelo presidente da Federação Catalã de Futebol, Andreu Subies.

Naquele ano, o torneio contou com apenas 16 times, que dispunham de 16 datas para a definição do campeão. A solução então foi dividir as equipes em quatro grupos, cada um com quatro equipes cada. Na primeira fase, cada equipe enfrentaria apenas as outras 12 equipes das outras chaves, em 12 partidas. Após tais rodadas, os dois primeiros colocados de cada chave avançariam às quartas de final, que definiriam semifinalistas em confrontos únicos. As semis repetiriam o confronto único, antes que os dois finalistas decidissem o campeão em jogos de ida e volta.

O formato simples do Campeonato Catalão foi bastante criticado na Espanha por inchar ainda mais o calendário do Barcelona, mas dividiu as redes de TV por todo o mundo. Mesmo em meio à indefinição, o torneio foi levado adiante, com jogos nos meios e nos finais de semana.

Com base nos desempenhos nacionais das equipes participantes, a FCF sorteou os grupos, tendo os times das primeira e segunda divisões espanholas como cabeças de chave. O Grupo A tinha Barcelona, Gimnástic Tarragona, Lleida e Sabadell; o Grupo B contaria com Espanyol, Badalona, Olot e Sant Andreu; o Grupo C foi formado por Llagostera, Cornellà, Pobla de Mafumet e Palamós; por fim, o Grupo D teria Girona, L’Hospitalet, Reus e Jupiter.

Barcelona x Gimnástic Tarragona (Crédito: FC Barcelona)
Uma partida Gimnástic Tarragona x Barcelona (Crédito: FC Barcelona)

Ao fim das 12 primeiras rodadas, os resultados não fugiram muito à lógica. Barcelona e Espanyol sobraram, somando respectivamente 32 e 35 pontos. No fim, classificaram-se às quartas de final ao lado de Gimnástic (25), Baladona (19), Llagostera (22), Cornellà (19), Girona (27) e L’Hospitalet (19). Os donos das quatro piores campanhas foram rebaixados, independente dos grupos: Sabadell (6 pontos), Sant Andreu (6), Palamós (3) e Jupiter (3).

Nas quartas de final, dividindo-se com as últimas rodadas da fase de grupos da Liga dos Campeões, o Barcelona passou pelo Badalona sem dó: 5 a 1, com cinco gols ainda no primeiro tempo. Espanyol (1 a 0 sobre o Gimnástic) e L’Hospitalet (2 a 0 sobre o Llagostera) também confirmaram seu favoritismo. O Girona empatou em 0 a 0 com o Cornellà, mas foi às semifinais graças à melhor campanha em relação ao rival.

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Barcelona x Espanyol (Crédito: Portal VOX)

Nas semis, o Barcelona despachou o L’Hospitalet (4 a 1), enquanto o Espanyol derrotou o Girona (2 a 0). Como esperado, Barcelona e Espanyol foram às finais, e os blaugrana não tomaram conhecimento na decisão: 3 a 0 no Cornellà-El-Prat, com empate por 1 a 1 no Camp Nou. No fim, o Barça faturou o Campeonato Catalão, enquanto David Haro (L’Hospitalet) foi o artilheiro do torneio, marcando 11 gols e assinando com o Espanyol para a disputa do Campeonato Espanhol.

Ao fim do torneio, a discussão continuou por mais um ano. Para as equipes grandes, como Barcelona e Espanyol, talvez não valesse a pena disputar o Campeonato Catalão naqueles moldes; para os demais times, mudar o formato da competição poderia ser o tiro de misericórdia nos orçamentos ano após ano. O que fazer?

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