Curta o Cinefoot!

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Nem precisamos repetir, como em 2011, que cinema e futebol combinam. E também não precisamos bater na mesma tecla de que um festival de cinema como o Cinefoot é legal pra caramba, principalmente para quem, como nós, gosta de conhecer novas e boas histórias de futebol. Agora, se você estiver longe do Rio e de São Paulo, onde acontecem as sessões, não precisa se desanimar.

Para amenizar um pouco esse problema e levar ainda mais longe o que de melhor você encontra nas salas de cinema do eixo durante o festival, o Última Divisão selecionou 10 curta-metragens que você pode assistir aí mesmo no seu computador, sem pagar nada – em alguns casos, até com alta definição e legendas em português (em outros não, você vai precisar se virar no inglês e na imagem VHS).

Portanto, separe um tempo do seu dia para degustar algumas destas histórias, que vêm de vários cantos do país e do mundo, tratando de temas que você nem imagina. Para facilitar a escolha, colocamos junto um comentário do curta, o que você também pode fazer nos comentários ao final do post. Bem, é hora de apagar a luz, aumentar o som, expandir a tela e… boa sessão!

Gaúchos Canarinhos
Dir. Rene Goya Filho (Doc, 15 min, cor, HD, RS, 2007)

O filme sobre a criação do mito da camisa canarinho faturou a Taça Cinefoot 2012 de Melhor Curta Metragem na edição carioca do festival, prêmio dado a partir de votação popular. Noves fora o gauchismo do título, da música e dos personagens (afinal, o curta é uma produção do grupo RBS), o filme é bem feito e cumpre um papel histórico necessário, o de manter viva a história de Aldyr Schlee, com quem tive o prazer de conversar em 2010, por telefone, para uma reportagem. O curta é, sem dúvida, uma grande chance de ouvir as boas histórias da época do concurso para a escolha do fardamento brasileiro e ver reproduzido os esboços dos mesmos, conservados até hoje pelo desenhista gaúcho.

Mauro Shampoo – Jogador, Cabelereiro e Homem
Dir. Leonardo Cunha Lima, Paulo Henrique Fontenelle (Doc, 20 min, cor, DVcam, RJ, 2005)

Este curta é um clássico. Mauro Shampoo não é apenas o nome mais representativo do auto-declarado pior time do mundo, o pernambucano Íbis Esporte Clube, mas também uma amostra de que o futebol é cheio de histórias deliciosas que só precisam ser descobertas e contadas – e estamos aqui para isto! Portanto, se você ainda não viu este filme, que venceu a edição inaugural do Cinefoot em 2010, interrompa seu dia por 22 minutos para conhecer a história do jogador, cabelereiro e homem, autor de apenas um gol na carreira e orgulhoso representante do Pássaro Preto. Show!?

ps. Atenção para a música original no fim do filme, de Oswaldo Montenegro e Mariana Rios – sim, a atriz.

Ernesto no País do Futebol
Dir. André Queiroz e Thaís Bologna (Fic, 14min30s, cor, 35mm, SP, 2009)

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O hino nacional brasileiro entoado com o sotaque espanhol do pequeno Ernesto nos primeiros segundos de filme já é suficiente para arrancar um sorriso do espectador. A partir daí, o que se vê são as dificuldades de relacionamento típicas de meninos na faixa dos 10 anos, com o adicional que Ernesto é argentino e não abre mão de torcer e defender a pátria-mãe. Sem dúvida, o curta paulista de 2009 é um dos filmes mais simpáticos que já vi sobre o tema. Se engana quem julga que o filme é apenas mais um infantil ou mais um a explorar a rivalidade Brasil-Argentina (que, diga-se, é mais valorizada por nós do que por eles). Quem pensa assim, perde uma grande chance de se surpreender (e se reconhecer, por que não?) com a história de Ernesto.

Espírito Santo FC
Dir. André Ehrlich Lucas e Lucas Vetekesky (Doc, 29 min, cor, HD, ES, 2012)

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Gay Talese, importante jornalista norte-americano, já havia dito nos anos 60 que a história dos derrotados é sempre mais interessante que a dos vencedores. E isso se confirma em Espírito Santo FC, documentário sobre o clube de mesmo nome criado em 2006 e recém-promovido à primeira divisão capixaba – 2011, ano da gravação, o time foi rebaixado. Fruto da loucura do presidente Carlos Stiebler, que acaba sendo o principal personagem, o curta expõe o dia-a-dia de um clube de futebol sem dinheiro e sem perspectivas. Das tentativas frustradas de encontrar o prefeito, principal patrocinador do time, até às inúmeras reuniões motivacionais com os boleiros, tudo parece melancolicamente fadado ao fracasso. E ainda que o filme não tenha um roteiro tão delineado, é uma boa oportunidade de ver como funciona o futebol longe dos holofotes.

Juventus Rumo à Tóquio
Dir. Andréa Kurachi, Helena Tahira, Rogério Zagallo (Doc, 15 min, cor, HD, SP, 2009)

Se você não teve a sorte de estar presente na mítica conquista do título da Copa Paulista 2007 pelo Juventus na Rua Javari, esta é uma boa chance de sentir o que foi aquele jogo. Particularmente, nunca tinha visto uma partida tão intensa e tão imprevisível como aquela. Neste curta, a visão do jogo é a dos torcedores, que sofrem tanto quanto comemoram no final. Sério, não há o que explicar. O negócio é ver mesmo como foi aquela partida que entrou para a história do Juventus e do futebol nacional.

O Pequeno Time
Dir. Roger Gómez, Dani Resines (Doc, 10 min, cor, HD, Espanha, 2011)

Margatània é um pequeno time da categoria sub-9 da Catalunha, na Espanha, que nunca viveu a emoção de comemorar um gol marcado. Neste simpático curta, as crianças tentam entender e explicar o mistério que os impede de conseguir balançar as redes adversárias e ainda mostram que o importante mesmo, sem clichês, é competir e seguir praticando o esporte bretão.

O Banco do Treinador
Dir. Martin Emmerling (Fic, 3 min, cor, HD, Alemanha, 2011)

Sabe aquele clichê “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”? Pois foi exatamente isso que fez o diretor alemão de O Banco do Treinador. Em apenas três minutos, o cara conseguiu reunir os amigos para reproduzir, num ponto de ônibus de Munique, atitudes e expressões futebolísticas. Para não estragar mais a surpresa, dá logo o play no vídeo. Esse você não tem a desculpa de que é grande demais…

Refait
Dir. Coletivo “Pied la Biche” (Fic, 16 min, cor, HD, França, 2009)

Mais elaborado que O Banco do Treinador (mas igualmente genial na ideia), o curta Refait se dedica a reproduzir cenas da disputa de pênaltis do jogo França x Alemanha pela Copa do Mundo de 1982, na Espanha, com trilha sonora composta pelos comentários originais e entrevistas com o público, gravados durante a filmagem. Quando vi, só consegui pensar em uma coisa: quanto tempo será estes malucos não ensaiaram cada movimento e expressão antes de gravar? Outro detalhe importante são os cenários escolhidos para reproduzir as cenas. O único porém é que a coisa se torna um pouco cansativa depois de um tempo – mas ainda assim vale ver o que aprontou esse coletivo francês.

Os Cervejeiros de Quilmes
Dir. Andreas Geipel (Doc, 31 min, cor, HD, Alemanha, 2011)

Este curta-quase-longa metragem conta a história do Quilmes Atletico Club, clube de futebol mais antigo da Argentina, através da ótica de seus fanáticos torcedores. Muito bem trabalhado narrativamente e bem bonito na estética, o filme conta histórias que interessam a todos os que gostam realmente do futebol, independente do escudo e da nacionalidade. Destaque para fotos e imagens feitas dentro da torcida, em trabalho que lembra (e muito!) o feito pelo nosso amigo e colaborador Gabriel Uchida, do FotoTorcida.

ps. As legendas do filme estão em alemão porque, pasme, o filme é uma produção da Alemanha, não da Argentina!

Dentro, Fora
Dir. Benoit Martin (Fic, 11 min, cor, HD, França, 2011)

A ficha diz que o filme é francês, mas ele é, na verdade, das Ilhas Maurício. Só isso já seria motivo para assistir (ou vai dizer que você já viu algo de lá?), mas o curta tem mais coisas interessantes. Uma delas é justamente para quem torcem os habitantes de lá – para times europeus, claro. No caso, a história aborda a rivalidade entre Manchester United e Liverpool a partir de um menino abusado, que se aproveita de uma situação adversa para “chantagear” o vizinho. Futebolisticamente, claro!

PRORROGAÇÃO

Porque hay cosas que nunca se olvidan
Dir. Lucas Figueroa (Fic, 13min, cor, 35mm, Espanha, 2008)

Acredite, este curta está no Guiness Book porque faturou mais de 300 prêmios em festivais pelo mundo – um destes o de melhor curta do Cinefoot 2011, aliás. E o filme faz jus à nomeação, afinal é muitíssimo bem produzido e conta uma história redondinha que envolve crianças, seus medos e uma bola de futebol que cai na casa da vizinha. Parece inocente, né? Mas não é.

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