Copas Estaduais: a solução do calendário do futebol brasileiro

Rodrigo Corsi/FPF
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Há anos é discutido o calendário do futebol brasileiro. O maior questionamento é a falta de calendário de inúmeras equipes pequenas. Só este ano, 638 equipes entraram em campo para disputar algum campeonato profissional. Dessas, pouquíssimas jogaram mais que três meses do ano ou mais que 10 partidas.

Equipes atuantes em 2018 por Estado

ESTADOEQUIPES ATIVASDIVISÕES
AC102
AM132
AP51
RR81
RO81
TO172
PA252
MA152
PI61
CE293
RN142
PB222
PE262
AL132
SE282
BA162
DF172
GO283
MT132
MS152
ES162
MG373
SP924
RJ674
PR313
SC283
RS393

Entre essas centenas de clubes, temos os mais novos do Brasil: América de Pedrinhas (SE); Barra (SE) e Santa Cruz (SE), todos filiados em 2018 e que se limitaram a jogar apenas 6 jogos (Barra e América) neste ano. Entretanto, a cada ano se diminui o número total de clubes registrados a CBF. Podíamos listar infinitas razões para essa queda e propor outras dezenas de soluções, mas, neste texto, pretendo sugerir um calendário (nada de BOM SENSO FC) viável e que foge da incerteza que rodeia as copas estaduais que é a maior solução para nosso calendário.

Copas Estaduais

As Copas Estaduais ganharam ênfase nesse último milênio devido ao surgimento delas em vários estados. Entretanto, a primeira copa estadual (limitamos o estudo a copas realizadas no semestre oposto à primeira divisão local) foi a COPA GOVERNADOR WALTER PERACCHI realizada no Rio Grande do Sul no ano de 1970. Ela surge com o intuito de manter os clubes do interior em atividade. Na ocasião, participaram 10 equipes e tendo o Cruzeiro de Porto Alegre como campeão. A partir daí ela teve outros focos, inclusive servindo de seletiva para o Campeonato Gaúcho.

Neste ano de 2018, ocorreram apenas 7 Copas Estaduais, tendo o cancelamento da Copa Piauí e Copa Federação Paranaense que foram realizadas em 2017. Chama a atenção que algumas obtiveram nomes comerciais do patrocinador, ou seja, o reconhecimento das mesmas.

ESTADOCOPACAMPEÃOVICEEQUIPESPRÊMIO
CECopa Fares LopesFerroviárioCaucaia8vaga na Copa do Brasil (CB)
ESCopa ES Loterias CaixaVitória Atlético10vaga na CB e Copa Verde
MACopa Federação MaranhenseNão houveNão houve6vaga na Série D
MTCopa FMFMixtoDom Bosco7vaga na CB
RJCopa RioAmericanoItaboraí25vaga na CB ou série D
RSCopa Wianey CarletAvenidaGaúcho22vaga na CB ou série D
SCCopa Santa Catarina SICOOBBrusqueHercílio Luz12vaga na CB
SPCopa PaulistaVotuporanguenseFerrroviária32vaga na CB ou série D

Entre as copas realizadas neste ano, a nossa reportagem reconhece a importância de todas, pois objetiva a extensão do calendário para as equipes regionais, porém vamos destacar a Copa Santa Catarina. O destaque ocorre, pois ela se encontra a mais próxima que nossa reportagem considera viável a todas as federações estaduais.

A Copa Santa Catarina SICOOB 2018 foi disputada por equipes da primeira e segunda divisão local e justamente vinte dias após o término da segunda local e aproximadamente 45 dias anteriores à primeira divisão do ano seguinte. Contudo, a excelência seria a inclusão das equipes da terceira divisão que justamente na mesma época realizam o último certame estadual.

Copa SC 2018 teve o Brusque como campeão (Marcelo de Negreiros/FCF)

Calma, parece confuso? Todas as federações ou grande parte delas possuem duas divisões. Então, um calendário padronizado e estabelecido pela CBF proporcionaria a realização das primeiras divisões locais entre janeiro a abril, segundas divisões entre maio a agosto e as copas estaduais e demais divisões a partir de setembro.

Com essa ideia, as equipes da segunda divisão estariam em atividade para iniciarem a disputa das copas e as equipes da primeira estariam selecionando seus atletas ou realizando a pré-temporada para o início da primeira divisão e nas federações maiores as equipes de divisões inferiores (terceiras e quartas divisões) disputariam um campeonato maior e com equipes mais qualificadas enquanto tentam o acesso. Entretanto, para a realização deste é necessário “costurar” a participação das equipes no estadual e na copa, ou seja, só participam de algum campeonato quem consegue comprovar (assim como ocorre em outras modalidades) disponibilidade financeira e estrutural para se manter no mínimo 8 meses em atividade.

Enfim, não é complicado! Mais trabalhadores do futebol se manteriam empregados durante todo ano e grandes partes das equipes conseguiriam manter suas atividades por grande parte do ano, inclusive mantendo e proporcionando atividade física e lazer aos seus moradores. Diferente de Jacareí, Guaratinguetá, Bom Jesus-GO, Vilhena, clubes que não participaram de competições ou abandonaram em 2018 . Fica a dica!

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