Como Corinthians e Santos chegaram na final do Brasileirão Feminino

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Corinthians e Santos chegaram na final do Campeonato Brasileiro de futebol feminino de 2017. Serão disputados dois jogos, em 13 e 19 de julho. São duas equipes gigantes no futebol masculino e que almejam ter as mesmas glórias entre as mulheres.

Mas como chegaram até aqui? Quais as características do modelo de jogo de cada equipe? Quais são as principais jogadoras? Quem leva o título de 2017? Tentaremos responder estas questões a seguir.

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Os dois times possuem características próximas, até em números na competição. O Corinthians foi dono da melhor campanha da primeira fase, se classificando em primeiro lugar de seu grupo com 88% de aproveitamento. No grupo 2, o Santos também se garantiu para a fase seguinte na ponta, com 80% de aproveitamento.

Nas quartas de final, o Timão cumpriu com o favoritismo ao vencer os dois jogos diante da Ferroviária. Já as Sereias da Vila venceram a equipe do Audax fora de casa e, em seus domínios, não conseguiram marcar, mas foi o suficiente para se classificar sem maiores problemas.

Os papéis se inverteram nas semifinais. As meninas da Vila Belmiro garantiram a vaga com duas vitórias sobre a boa equipe do Iranduba, enquanto as alvinegras do Corinthians sofreram para passar pela tradicional equipe de Rio Preto após perder o primeiro confronto. A simples vitória pelo placar de 1 a 0 levou o time à grande final, com a vantagem de definir o título em casa, a Arena Barueri.

Modelo de jogo: posse de bola e muita marcação

Neste aspecto mais similaridade entre elas. Ambas as equipes gostam de ter a posse de bola com muita circulação de passe, apoios e aproximações desde o terço mais defensivo de campo (mais próximo da própria baliza).

O Santos se articula muito bem com as presenças de Maurine e Brena iniciando a construção do jogo ofensivo. Outra forte característica das Sereias da Vila é a busca constante por triangulações no campo, principalmente na exploração de corredores laterais. Amplitude e profundidade são conceitos bem utilizados por elas, com os movimentos de ultrapassagens das laterais ou infiltrações em diagonais das jogadoras de meio-campo, assim como a participação incisiva de suas atacantes.

O Corinthians também se apropria desses conceitos e tenta executá-los durante suas partidas. As alvinegras também gostam de explorar espaços no centro do jogo e busca por infiltrações pra deixar suas atacantes na “cara do gol”. Byanca Brasil e Nenê conseguem oportunizar o conceito de mobilidade ao ataque. Quando não recebem em boas condições, criam espaços para infiltrações de suas companheiras.

A ofensividade dos times também pode ser percebido pelo saldo de gols. Até aqui, as meninas do Timão tem um saldo de 44 gols. Por outro lado, as Sereias da Vila somam 22 gols em saldo.

Outro aspecto a ser observado é a solidez defensiva. O Corinthians sofreu 10 gols, contra 13 tentos sofridos pelo Santos.

Postada em duas linhas de quatro, na maioria das vezes bem compactadas, a equipe do Corinthians nega espaços para os seus adversários, buscando sempre a superioridade numérica no setor da bola, para mais rápido recuperá-la. A solidez apresentada nos jogos contra a Ferroviária teve dificuldades contra o Rio Preto. Espaços entrelinhas apareceram e as velocidades das adversárias somadas à boa organização ofensiva de Darlene desequilibraram o forte sistema defensivo das finalistas.

As Sereias da Vila também têm uma organização defensiva difícil de ser quebrada. Com algumas variações de linhas de quatro, que por vezes, por estar posta em um 4-1-4-1, as meninas ocupam bem os espaços do campo e gostam de atacar a portadora da bola. Este tipo de marcação foi muito eficiente e eficaz diante da equipe do Iranduba, carimbando o passaporte santista para a tão sonhada final.

Ambas as equipes marcando de maneira zonal buscam jogar o adversário para os corredores laterais do campo, protegendo bem o centro de jogo e a “área de funil”. Em alguns momentos pressionam o adversário sem deixá-lo sair do campo defensivo. O segundo tempo de Corinthians x Rio Preto, salve todas as confusões da partida, foram assim.

Principais destaques

Byanca Brasil e Sole Jaimes são as referências no ataque (Leandro Martins/Allsports)

A briga pela artilharia é o grande destaque dessa final. Byanca Brasil (Corinthians), com 15 gols, e Sole Jaimes (Santos), com 16 gols, apimentaram o duelo. A velocidade da argentina e a forte presença na área prometem assustar a defesa adversária.

Com jogadores de Seleção Brasileira dos dois lados, temos outros destaques. Maurine e Brena são ótimas articuladoras, como citamos acima. Ketlen e Sochor são velozes, inteligentes e incisivas nas construções ofensivas das Sereias da Vila.

Nenê, referência frontal do Timão ao lado de Byanca, também se movimenta muito, contribuindo para as triangulações e tabelas pelas laterais do campo, assim como as saídas de Gabi Nunes do meio paras as laterais. Fato este que oportuniza abrir a defesa adversária e progredir no campo, ganhando profundidade.

A individualidade somada ao coletivo é mais um aperitivo dessa grande final, recheada de jogadoras inteligentes e criativas taticamente.

Crédito: Leandro Martins/Allsports
Crédito: Leandro Martins/Allsports
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