Como acabar com a discussão “pontos corridos x mata-mata”

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Digníssimo Romildo Bolzan, presidente do Grêmio,

O senhor é um chato! E existe algo mais chato que o senhor: a velha discussão entre quem prefere mata-mata ou pontos corridos no Campeonato Brasileiro. Foi o senhor que ressucitou essa conversa e por isso envio esse e-mail, para apresentar-lhe um argumento infalível.

A Espn disse que o senhor já conversou com outros dirigentes do futebol brasileiro sobre a volta do mata-mata. Mal consigo imaginar como são divertidas essas conversas. O senhor Modesto Roma Júnior, por exemplo, tem uma eloquência impressionante, mais forte do que qualquer sonífero que já tomei. E ele veio a público dizer que concorda plenamente com o senhor. Enfim, ele também é bastante chato.

Não quero dizer, porém, que o mata-mata é ruim. Existem vantagens, como a possibilidade de termos mais emoção, mais audiência e público maior nas finais.

Mas quem defende a disputa por pontos corridos tem o melhor dos argumentos. E não falo sobre o clamor por justiça ou a exigência de um planejamento maior dos clubes.

A questão é simples, Bolzan: se existe Copa do Brasil, por que fazer outra competição nacional decidida no mata-mata?

Permita-me lembrar de um detalhe importante: atualmente a Copa do Brasil conta com todos grandes clubes do país. Até dois anos atrás, ela era desvalorizada, já que não contava com os times da Copa Libertadores. Mas isso acabou, Bolzan. Foi a única boa notícia do futebol brasileiro nos últimos anos.

Permita-me também lhe dar uma sugestão de leitura: o Guia Improvável da Copa do Brasil de 2014. É a página especial que o Última Divisão fez para valorizar a competição, mostrando o valor dos times pequenos, as histórias inesquecíveis, as zebras memoráveis, os títulos importantes, detalhes curiosos, etc…

Sigam-nos os bons! Valorizem também a Copa do Brasil. Isso tem que partir dos dirigentes. Enquanto eles insistirem em olhar apenas para o passado, vou me sentir obrigado a entrar nessa discussão velha e ser chato também.

Sem mais. Atenciosamente,

Allan Brito
Jornalista por opção e chato por profissão

*Este texto é de responsabilidade do autor e não representa necessariamente a opinião do site.
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