Com aval da Fifa, Kosovo "estreia" nos gramados para conquistar soberania internacional

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Não passou despercebido, mas é claro que a estreia de Kosovo como seleção oficial não esteve no centro das atenções do mundo do futebol nesta quarta-feira (5), data Fifa que movimento mais de 100 seleções pelo mundo.

Ainda assim, a data merece menção. Jogando para 15 mil torcedores no Estádio Olímpico Adem Jashari, em Kosovska Mitrovica (Kosovo), a equipe comandada pelo técnico Albert Bunjaki ficou no 0 a 0 com o Haiti, que vinha de quatro derrotas seguidas (2 a 0 contra Honduras, 2 a 0 ante Trinidad e Tobago, 1 a 0 para El Salvador e 4 a 1 para a Coreia do Sul).

O resultado não foi o esperado, mas é bastante simbólico para o Kosovo, país que declarou independência da Sérvia em 17 de fevereiro de 2008. Os kosovares, que brigam por soberania desde a década de 90, são aceitos por uma lista restrita de países, que inclui os Estados Unidos. O Brasil não reconhece a soberania kosovar.

Apesar do jogo diante dos haitianos nesta quarta-feira, a história da seleção kosovar vem de antes. Em fevereiro de 1993, o time disputou pela primeira vez um amistoso como território independente, perdendo por 3 a 1 para a Albânia – não por coincidência, os albaneses foram os únicos a reconhecer a primeira declaração de independência do Kosovo, em 1990.

Desde a independência de 2008, porém, a presença da equipe balcânica nos gramados tem sido mais constante. A Federação de Futebol do Kosovo (FFK) tentou uma filiação à Fifa naquele mesmo ano, mas a entidade máxima do futebol mundial recusou – segundo o artigo 10 do estatuto do órgão, apenas “um estado independente reconhecido pela comunidade internacional” pode ter uma seleção filiada.

A partir daí, o Kosovo passou a contar com um apoio mais destacado para conquistar a simpatia da Fifa. Em setembro de 2012, jogadores de origem kosovar, como Xherdan Shaquiri (suíço do Bayern de Munique), Lorik Cana (albanês da Lazio) e Valon Behrami (suíço do Napoli) assinaram uma declaração a Joseph Blatter pedindo para que a Fifa aceitasse a presença da seleção em amistosos de datas oficiais.

Em 2012, nomes como Xherdan Shaqiri, Valon Behrami e Lorik Cana assinaram lobby junto à Fifa pela liberação do Kosovo para disputar amistosos; na final da Liga dos Campeões de 2013, Shaqiri comemorou título do Bayern de Munique com bandeiras da Suíça e do Kosovo (Crédito: Alex Livesey/Getty Images)

A equipe, porém, não esperou o aval para realizar seus amistosos. Na última década, além de encarar seleções não-oficiais (venceu a Lapônia por 4 a 1 em 2005 e a seleção de Mônaco por 7 a 1 em 2006), enfrentou seleções da Fifa (perdeu para a Albânia por 1 a 0 em 2002, mas venceu a Arábia Saudita em 2007 pelo mesmo placar).

Com tal apelo, a Fifa aceitou a presença kosovar em amistosos oficiais, em comunicado divulgado em janeiro de 2014, embora não conte com o país no seu quadro de filiados. A ressalva: a entidade proíbe amistosos oficiais contra países da ex-Iugoslávia, como Sérvia, Croácia, Montenegro e Eslovênia. Além disso, o Kosovo não pode executar seu hino ou hastear sua bandeira em partidas.

Não foi problema para o Kosovo entrar em campo nesta quarta-feira em Kosovska Mitrovica, em estádio que leva o nome de um dos líderes do Exército de Liberação Kosovar – o separatista Adem Jashari, que morreu em 1998. Para um território que conta com uma capital (Pristina), um presidente (Atifete Jahjaga), um campeonato organizado (12 times, com rebaixamento) e uma população bastante relevante (superior a 1,5 milhão de habitantes), a aceitação da comunidade internacional é apenas um detalhe.

No primeiro amistoso oficial com aval da Fifa, Kosovo empatou em casa com o Haiti por 0 a 0; jogo não teve hino nem bandeira dos anfitriões (Crédito: Marca/Reprodução)
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