Elizeu e o churrasco das virtudes

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Elizeu Rolim de Moura Neto, meio-campista, não sabia, mas de um pouco além do futebol viria uma das maiores alegrias de sua vida.

Não foi em campo. Também não foi exatamente no dia em que o Coritiba Foot Ball Club venceu o Campeonato Brasileiro em 1985, diante do Bangu, do Rio de Janeiro. Naquele torneio, ele fez parte do elenco do Verdão na fase inicial.

Porém, por causa de sua mãe, Mirtes Dione Calvetti de Moura, um jogo em 1983 se tornou especial.

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Elizeu foi escolhido o melhor em campo. A imprensa da época, como de costume, premiava o melhor jogador de cada partida com alguns mimos.

“Ganhei calças, uma hora de sauna e um jantar na Churrascaria Colônia.”

Da última premiação, conta ele, veio o maior dos prêmios por uma atuação. Poderia levar uma acompanhante para o jantar. Resolveu chamar a própria mãe para ir junto. Não sabia, mas aquilo que fazia em campo pelo Alviverde do Alto da Glória, da capital do Paraná, faria dele uma pessoa satisfeita com o futebol.

Não pelo próprio Elizeu, mas por sua mãe Mirtes.

Ao chegar na churrascaria, era comum torcedores pedirem um rabisco no pedaço de papel. Assim foi durante a noite, fazendo de dona Mirtes, aquela que lhe deu à luz, uma rainha em meio a um mundo de admiradores do esporte.

“A mãe ficou toda cheia de alegria. Os garçons queriam autógrafos a toda hora. No final, o proprietário trouxe uma camisa do Coxa e pediu para eu autografar. A mãe chegou a chorar de emoção quando o rapaz pediu para tirar uma foto comigo e depois comigo e com ela”, celebra.

Para Elizeu, mais do que a premiação da imprensa, o que valia era o sentimento de família sorrir naquele instante.

“A comida e a bebida estavam ótimas. Mas o melhor de tudo foi a alegria de ver a realização da mãe. Agora que estamos perto do Dia das Mães, lembro-me disso”, conta ele, que tem em mente um momento feliz para lembrar a data, embora a mãe tenha falecido há cerca de uma década.

Biografia

Nascido no dia 1º de outubro de 1961 em Piraí do Sul, interior do Paraná, Elizeu fez história no Coritiba. Inclusive, depois de encerrar a carreira, tornou-se apoiador do site Coxanautas, destinado a torcida do Alviverde paranaense.

Antes de ingressar nas categorias de base do Coxa, foi treinado por um padre. Posteriormente, também, por Paulo Vechio, atleta que no final da década de 60 ganhou renome entre os torcedores do Coritiba.

A partir daí, encontrou a porta do Couto Pereira aberta para poder vestir a camisa do clube dentro de campo. O primeiro treino ocorreu no Pilarzinho, em tempos do qual os clubes não contavam com a grande estrutura de centros de treinamento dos dias atuais.

Durante os momentos finais do Coxa em busca da conquista do Nacional de 1985, havia sido emprestado ao Pato Branco, um clube que se fortaleceu em busca de contratar grandes valores para o Estadual daquele ano. Um deles foi o atacante Brandão, do Londrina semifinalista do Campeonato Nacional de 1977.

O goleiro coxa-branca Gerson, criado no próprio clube e que fora um dos reservas de Rafael Cammarota, também havia sido emprestado ao Tricolor do Sudoeste. Ambos assistiram juntos a final do Maracanã, com narração do exemplar jornalista Vinicius Coelho, contra o Bangu, do Rio de Janeiro – fato ocorrido no domicílio de um diretor da equipe interiorana. Ajudaram a levar a festa pelo título da capital ao interior paranaense.

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