Chegou a hora de palpitar sobre a Série B

André Jonsson/OFEC/ Divulgação
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Esse texto faz parte do “Projeto Série B de Primeira”, que pretende gerar uma cobertura intensa da Série B de 2021 no Última Divisão. Atingimos a 1ª meta do financiamento coletivo e portanto haverá uma coluna semanal aqui no site. Atingimos a 2ª meta e passamos a publicar vídeos extras no YouTube. Agora queremos criar um podcast. Clique aqui e apoie o projeto.

Desde que o UD lançou o projeto Série B de Primeira, ouço a pergunta: “Quem vai subir pra Série A?”

Sempre respondi que era muito cedo pra falar. Mas agora falta menos de uma semana pra Série B. Vai começar na sexta-feira, dia 28 de maio. Chegou a hora de dar um palpite.

A Série B é muito imprevisível. É bem mais surpreendente do que a Série A. Até os times se surpreendem. Por exemplo: a campeã do ano passado, Chapecoense, começou a temporada falando que só ia lutar contra o rebaixamento. 

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No ano passado, fiquei feliz por acertar os palpites dos acessos de América-MG e Cuiabá. Mas errei FEIO ao falar que o Juventude podia cair, afinal o time subiu. Acontece.

Diante disso, acredito que o mais importante não é acertar palpite. O mais importante é mostrar bem os motivos do palpite. E nessa coluna vou poder explicar tudo.

Quem vai subir?

  • Avaí, Cruzeiro, Operário e Vasco

Explicando…

Avaí: é um clube que conhece o caminho do acesso, comandado por um treinador (Claudinei Oliveira) que tem moral no clube e, talvez o mais importante, tem uma defesa muito sólida. Contar com uma marcação forte e experiente, como é o caso do Avaí, costuma dar muito certo na Série B. O ataque tem evoluído ao longo da temporada e ainda precisa de ajustes, talvez contratações. Mas o Avaí pode até apostar na base, com o time que está na semifinal da Copa do Brasil sub-20 e tem futuro.

Cruzeiro: a Raposa aprendeu, sob duras penas, a lição mais difícil – jogar a Série B é diferente de jogar a Série A. Não basta achar que vai subir por causa da camisa. O clube passou a contratar profissionais que conhecem a segunda divisão e tem evoluído. O técnico Felipe Tigrão tem ideias interessantes e está conseguindo aplicar a maioria delas. Ainda falta encontrar a formação ideal, principalmente no ataque, mas há boas peças no elenco para achar soluções.

Operário: até acho que outros times têm credenciais tão boas quanto o Fantasma. Mas quero apostar em um time que seria surpresa para a maioria das pessoas. É um alerta: não se surpreenda se o Fantasma chegar na Série A. Há anos o clube tem trabalhado muito sério pra isso. Foi campeão da Série D em 2017, da Série C em 2018 e fez duas campanhas acima das expectativas na Série B. Agora tem investido bem para dar um passo adiante. Fez contratações interessantes, sem apelar para nomes conhecidos nem exagerar na quantidade. E começou bem o ano, liderando a primeira fase do Campeonato Paranaense, com um time bem treinado pelo jovem Matheus Costa. Talvez falte experiência para ele (e para o clube) em momentos mais agudos, mas o potencial pro sucesso é grande.

Vasco: é meu palpite pro título da Série B. Marcelo Cabo conhece bem a Série B e está fazendo um bom trabalho no Vasco. O time já chega bem organizado e com boas peças em todos setores. A diretoria fez um ótimo trabalho nas contratações, atraindo jogadores que estão acostumados a disputar a Série A. Se eles entenderam que na segunda divisão é diferente e precisa “sofrer” um pouco, o Vasco subirá. Só vale fazer o alerta sobre os salários, pois aparentemente o time tem feito gastos acima da média pra Série B. Atrasos podem ampliar uma possível crise e atrapalhar a campanha. Mas por enquanto não há sinais que isso vai acontecer.

Quem vai cair?

  • Brasil, Brusque, Confiança e Londrina.

Explicando…

Brasil: é louvável como o time tem conseguido se firmar na Série B mesmo com orçamentos menores do que a média. Mas em uma Série B mais complicada que as anteriores, isso deve pesar pro Brasil. E dessa vez a temporada não começou bem, com um 9º lugar decepcionante no Campeonato Gaúcho e contratações pouco animadoras pra Série B.

Brusque: é um clube que tem patrocinador forte, então pode investir bem durante a Série B, pra aumentar as expectativas. Mas hoje vejo um time com limitações, sem experiência e sob comando de um técnico inexperiente, pressionado e sem grandes soluções, Jerson Testoni. Um técnico melhor e novos reforços podem mudar totalmente esse quadro. Mas por enquanto o cenário não é animador pro time catarinense.

Confiança: tem sido bonito ver um clube sergipano se superar na Série B. Na temporada passada, o Dragão ameaçou até ficar na briga pelo acesso. Mas infelizmente dessa vez as perspectivas são mais negativas. O time foi reformulado totalmente e aconteceram muitas contratações fracas. Sem resultados, houve troca de técnico. E Rodrigo Santana, apesar de ter boas ideias, ainda não passa confiança. Sem trocadilho. Não parece ser o perfil de técnico que o Confiança precisa agora – alguém com mais experiência e com mais talento para fortalecer a defesa. A chance de dar errado e isso atrapalhar o campeonato é grande.

Londrina: às vezes tenho a impressão que o Londrina ainda não entendeu que saiu da Série C. O time precisa subir de nível, mas as contratações de início de temporada foram modestas demais. O técnico Roberto Fonseca tem qualidades, mas não é tão acima da média pra fazer esse time atual render. O começo de temporada foi bem ruim e agora parece haver uma evolução, mas pra Série B ainda é pouco.

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