Calma, Anzhi!

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A cidade de Makhachkala está situada em um ponto inóspito da Rússia: mesmo estando a sudoeste do país, no Daguestão, tem o litoral do Mar Cáspio a leste. Porém, apesar de ter sido oficialmente fundada em 1844, só foi entrar no mapa do futebol em 1991. E vinte anos depois, passou a figurar no mapa do futebol mundial, graças ao Football Club Anzhi Makhachkala.

Escudo do Anzhi na década de 90:
sim, parecia uma empresa de ônibus

Fundado há duas décadas, o Anzhi começou sua história de forma modesta. Em 1992, disputou pela primeira vez a terceira divisão, disputada por zonas regionais. No ano seguinte, faturou a Zona 1 e subiu para a segunda divisão. Em 1999, foi campeão da competição, e ascendeu à elite do Campeonato Russo pela primeira vez. Em 2000, a estreia na primeira divisão não foi das piores: um quarto lugar, com uma vaga na Copa da Uefa da temporada 2001/2002. O destaque do time na época era o sérvio (hoje montenegrino) Predrag Randelovic.

O time ainda foi vice-campeão da Copa da Rússia no meio de 2001, perdendo o título nos pênaltis para o Lokomotiv Moscou. Mas a partir daí, a coisa degringolou: no segundo semestre, o Anzhi foi eliminado pelo Glasgow Rangers logo na primeira fase da Copa da Uefa, com uma derrota em campo neutro (1 a 0, em Varsóvia). E pior: sem Randelovic, no CSKA Moscou, o time foi 13º colocado do Campeonato Russo de 2001, a quatro pontos da zona de rebaixamento. No ano seguinte, a equipe do Daguestão foi vice-lanterna da competição nacional e acabou rebaixada.

Foi assim até 2009, quando o time do técnico Omari Tetradze foi novamente campeão da divisão de acesso. Tetradze, ex-jogador da Roma na década de 90, atuou pelo Anzhi em 2003, justamente em sua única temporada como jogador na segunda divisão. Em 2005, aposentou-se dos gramados pelo Krilya Sovetov. Em 2010, na volta à primeira divisão, o Anzhi Makhachkala foi o 11º colocado, mais uma vez escapando por poucos pontos (três, no caso) de ser rebaixado.

Tetradze como técnico: uma aposta certeira

Foi assim até 18 de janeiro de 2011, quando a coisa mudou de figura. O clube foi vendido ao bilionário Suleyman Kerimov, filantropista e investidor do ramo de óleo, combustível e extração de minérios – o negócio, como esperado, foi um tanto quanto obscuro, e teria sido intermediado por Magomedsalam Magomedov, governador do Daguestão. Com 100% das ações do clube, Kerimov prometeu rapidamente investir no clube, e cumpriu a promessa.

Menos de um mês depois de se tornar acionista do clube, Kerimov mostrou a que veio. Em 16 de fevereiro, foi anunciada a contratação do lateral Roberto Carlos, 37 anos, então no Corinthians e com o ambiente instável diante da eliminação do clube na pré-Libertadores para o Tolima. Dias depois, o clube paulista também negociou o volante Jucilei. Do Atlético-MG, veio o atacante Diego Tardelli, então nome constante nas convocações da Seleção Brasileira. Em 10 de março, último dia da janela de transferências, o contratado foi o marroquino Mbark Boussoufa, do Anderlecht.

No meio do ano, mais contratações de peso. Primeiro, veio Yuri Zhirkov, do Chelsea. Depois, a principal da história do clube: o atacante camaronês Samuel Eto’o, ex-Inter de Milão, negociado pela bagatela de 28 milhões de euros – curiosamente, o mesmo Eto’o já fora sondado pelo Bunyodkor, do Uzbequistão. Balasz Dzsudzsak, do PSV Eindhoven, veio na mesma janela.

Mesmo assim, o clube não escondeu os problemas que teve na sua primeira temporada entre os emergentes. Em setembro, o clube demitiu o técnico Gadzhi Gadzhiev, e ficou sem um nome para substituí-lo – sobrou para o capitão Roberto Carlos, que passou a dividir a função com o assistente técnico Andrei Gordeyev. Para ocupar a vaga, a imprensa internacional logo passou a sondar o holandês Guus Hiddink, recentemente demitido da seleção da Turquia.

No Campeonato Russo, o time terminou com a modesta oitava colocação, longe das vagas para competições europeias e atrás de rivais tradicionais, como Zenit St. Petersburg, CSKA Moscou, Dínamo Moscou e Spartak Moscou (respectivamente os quatro primeiros colocados). De quebra, o elenco ainda se mostrou irregular, com figurões estrangeiros dividindo espaço com jovens da casa – Kamil Agalarov, Viktor Kuzmichyov, Sharif Mukhammad, Ilya Kukharchuk e Yevgeny Pomazan, entre outros, têm todos menos de 23 anos, e ainda não mostraram tanto talento. Ou seja: por enquanto, o Anzhi é um time comum, com alguns figurões espalhados pelo campo.

Obviamente, são problemas de fácil resolução diante da fortuna de Kerimov. O mecenas já deve ter observado como se faz, graças aos exemplos de clubes como Shakhtar Donetsk (o exemplo mais próximo do Anzhi Makhachkala) e Manchester City. Não será nos próximos meses que o clube do Daguestão irá incomodar os figurões da Europa. Mas diante dos investimentos maciços que deverão chegar, alguém quer apostar em um prazo para tal?

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