As cidades pequenas que ainda respiram futebol

Carla Belke/Wikipédia
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O conflito “Davi versus Golias” sempre chamou atenção em qualquer modalidade esportiva — e no futebol não é diferente. Jogos entre times pequenos e medianos sempre chamam a atenção, ainda mais na reta final de competição. Todos lembram e torcemos por aquele São Caetano de Adhemar na Copa João Havelange, e que saudade daquela final caipira no Campeonato Paulista de 1990 (Bragantino x Novorizontino).

Entretanto, o futebol cada vez mais envolve cifras milionárias. Maximizando esse conflito e distanciando a vitória do nosso Davi. Olhando para campeonatos europeus, ainda encontramos o Leicester City recentemente, mas cada vez mais a taça se limita a dois ou três clubes. No Brasil, ampliamos para mais alguns times, mas continuamos sempre nos mesmos.

Os pequenos, cada vez menores, ainda sonham. Fazem seus planejamentos estratégicos em busca da utopia. Os clubes do interior, com suas dificuldades, ainda dependem das prefeituras. Graças a elas, centenas de cidades pequenas ainda respiram o futebol. Futebol tradicional: de estádios sem estruturas e campos “lameados”. Futebol esse que a CBF buscar acabar, mas que ainda impulsiona milhares de brasileiros.

Entre tantas cidades pequenas (população abaixo de 100 mil) que sediam equipes profissionais no Brasil, condecorarei 5. Nas três principais divisões brasileiras, entre 60 clubes, temos 3 cidades pequenas (Ceará-Mirim-RN, Tombos-MG e Lucas do Rio Verde-MT) representadas e podendo aumentar para cinco caso Itabaiana-SE e Jacuipense-BA ascendam a série C. Vamos lá!

 

Ceará-Mirim (RN)

Ceará-Mirim é uma cidade localizada na grande Natal, ficando apenas 28 km da capital. O Censo 2016 estimou sua população em 74 mil habitantes.

A pequena cidade já foi sede do CLUBE ESPORTIVO E ATLÉTICO (1 participação da segunda potiguar) e LUZITÂNIA FUTEBOL CLUBE (1 participação da segunda potiguar) em décadas anteriores.

Igreja Matriz de Ceará-Mirim (Carla Belke/Wikipédia)

Em outubro de 2012, foi fundado o GLOBO FUTEBOL CLUBE, clube que foi criado a partir da ideia do empresário Marconi Barreto e atual prefeito da cidade. Ele não só criou como estruturou a equipe com estádio e centro de treinamento próprio. O ápice da equipe foi o vice-campeonato da Série D (2017) e do Potiguar (2014 e 2017).

O estádio Manoel Dantas Barreto, mais conhecido como Barretão, tem capacidade para 10 mil pessoas (13% da população). O seu recorde de público foi em 2013 com o América-RN. A média de público nesta Série C é de apenas 290 pessoas(apenas a 17ª de 20 clubes), sendo o seu maior público no jogo contra o Treze (386 pagantes).

Estádio Barretão (Foto: Augusto Gomes/Globo Esporte)

 

Lucas do Rio Verde (MT)

Lucas do Rio Verde é uma cidade do interior do Mato Grosso e a 335 km da capital Cuiabá. O censo 2016 estimou sua população em 64mil habitantes.

O LUVERDENSE ESPORTE CLUBE surgiu em 2004, de um convite do presidente da FMF ao prefeito de Lucas do Rio Verde para participarem do campeonato mato-grossense. Pessoas da cidade foram convidadas a fazerem parte do projeto e dali surgiu a primeira equipe de futebol profissional da cidade.

BR 163 em Lucas do Rio Verde (Cimamaga/Wikipédia)

A equipe ficou conhecida nacionalmente quando conseguiu se manter na Série C em 2009, ano de criação da Série D. O auge da equipe foi quando disputou a Série B nacional (2014 a 2017) e conquistou o título da Copa Verde em 2017.

O estádio municipal Passos das Emas tem capacidade para 13 mil pessoas (20% da população). O seu recorde de público foi em 2013 quando a equipe local recebeu o tradicional Corinthians-SP pela Copa do Brasil. A média de público nesta Série C é de apenas 495 pessoas(a 13ª de 20 clubes), sendo o seu maior público no jogo contra o Remo (801 pagantes).

Estádio Passo das Emas (Divulgação)

 

Tombos (MG)

Tombos é uma cidade localizada na Zona da Mata Mineira, distante 370 km de Belo Horizonte. O censo 2018 estimou sua população em apenas 8.200 habitantes.

A minúscula cidade apareceu na mídia devido ao clube local, TOMBENSE FUTEBOL CLUBE. Clube que foi fundado em 1914,mas foi profissionalizado apenas em 1999. A profissionalização se deve aos empresário Eduardo Uram.

Vista aérea de Tombos (Divulgação)

Quem vê hoje o clube não imagina que o mesmo disputou 4 vezes a última divisão mineira, pois apenas em 2003 ascendeu ao módulo 2 mineiro. Este ano completou sua sétima participação na elite mineira. O ápice da equipe foi o o título da Série D em 2014. Hoje se encontra na Série C em sua quinta participação.

O estádio Antônio Guimarães de Almeida, mais conhecido como Almeidão, tem capacidade para 3 mil pessoas (36% da população). Não se tem dados sobre recorde de público do estádio até porque em grandes jogos a Tombense manda em estádios vizinhos. A média de público nesta Série C é de apenas 389 pessoas( 15ª de 20 clubes), sendo o seu maior público no jogo contra o Remo (618 pagantes).

Estádio Almeidão (Divulgação)

 

Itabaiana (SE)

Itabaiana é uma cidade localizada no centro do estado sergipano, ficando apenas 54 km de Aracaju. O censo 2018 estimou sua população em 95 mil habitantes.

A cidade já foi sede de outra equipe de futebol profissional: CORITIBA FOOT-BALL CLUB (4 participações na primeira sergipana e atualmente na segunda local).

Em 1938 foi fundado a ASSOCIAÇÃO OLÍMPICA DE ITABAIANA, fruto da fusão de duas equipes amadoras locais. O clube é o terceiro do estado com mais participações na elite sergipana e detentor de 10 títulos sergipanos. O clube já participou de 5 Campeonato Brasileiros (elite) sendo o último em 1982. Atualmente ostenta, para a tristeza da cidade, os 4 último vice-campeonatos sergipanos.

O estádio Etelvino Mendonça, mais conhecido como Mendonção, tem capacidade para 12 mil pessoas (13% da população). Devido a tradição e força da equipe em vários momento a lotação do estádio foi total. A média de público na Série D 2019 é aproximadamente de 658 pessoas(23ª de 68 clubes), sendo o seu maior público no jogo contra o Fluminense-BA (2900 pagantes).

Estádio Mendonção (Betel Filmagens e Imagens Aéreas/Divulgação)

 

Riachão do Jacuípe (BA)

Riachão do Jacuípe é uma cidade baiana, localizada a 190 km da capital Salvador, pertencendo à região metropolitana de Feira de Santana. O censo 2018 estimou sua população em 33 mil habitantes.

Após 16 anos afastada da elite do futebol baiano, a cidade retornou em 2012 com o seu clube tradicional ESPORTE CLUBE JACUIPENSE, clube este criado no ano de 1965 e soma 12 participações na primeira divisão.

Riachão do Jacuípe-BA (SkyVision Imagens Aéreas/YouTube)

Apesar da tradição no futebol local, somente em 2014 participou da sua primeira competição nacional: Série D do Brasileiro. O ápice da equipe foi nessa mesma competição, pois ficou a uma vitória do acesso, sendo eliminado pelo Confiança-SE.

O estádio Eliel Martins, mais conhecido como Valfredão, tem capacidade para 5 mil pessoas (15% da população). A média de público nesta Série D é de 790 pessoas (18ª de 68 clubes), sendo o seu maior público no jogo contra o América-RN (1800 pagantes).

Estádio Valfredão (Reprodução/A Tarde)
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