[Anões Olímpicos] Diego e Robinho dançaram ‘galopeira’, e o Paraguai brilhou em 2004

0 164
Diego, Robinho e Dagoberto simbolizavam o "futebol moleque" que prometia o primeiro ouro para o Brasil
Diego, Robinho e Dagoberto simbolizavam o “futebol moleque” que prometia o primeiro ouro para o Brasil

Comandada por Ricardo Gomes, a Seleção Olímpica do Brasil contava com uma das gerações mais talentosas da sua história em 2004: do Santos campeão brasileiro dois anos antes, estavam presentes Elano, Alex, Paulo Almeida, Diego e Robinho. Também cultuados, Edu Dracena, Maicon, Maxwell, Dudu Cearense, Daniel Carvalho, Fábio Rochemback, Dagoberto e Nilmar eram outras estrelas juvenis. Nas Olimpíadas, o time poderia contar ainda com Kaká, Júlio Baptista e Adriano, que não foram liberados pelos clubes europeus para disputar o Pré-Olímpico no Chile.

O que parecia mera formalidade, no entanto, se transformou em um imenso vexame. Já na primeira fase, os brasileiros deram suas tropeçadas, com empates diante de Chile e Uruguai. Na estreia pelo quadrangular final, derrota por 1 a 0 para a Argentina, mas bastaria então vencer os dois jogos seguintes para assegurar ao menos uma das duas vagas em Atenas.

Robinho e Diego brincam em sessão de fotos antes do Pré-Olímpico
Robinho e Diego brincam em sessão de fotos antes do Pré-Olímpico

Depois de superar com tranquilidade um novo encontro com os chilenos, pelo placar de 3 a 1, o time verde-e-amarelo foi beneficiado por uma vitória argentina contra o Paraguai e teve a missão facilitada: bastaria um empate no último jogo, contra a seleção guarani, para fazer a festa (que já estava presente no espírito dos jogadores desde o começo do torneio, como ficou evidente no clássico episódio em que Robinho abaixou o calção de Diego em sessão de fotos).

Na primeira fase, o Brasil venceu o Paraguai por 3 a 0, com amplo domínio e direito a gol maradoniano de Maicon. Mas foi o jogo pela rodada final da competição que ficou para sempre.

Aos 32 minutos do primeiro tempo, De Vaca balançou as redes de Gomes, aproveitando cruzamento de Edgar Barreto, e abriu o placar para o Paraguai. O Brasil teve o resto do jogo para reagir, mas falhou. Resultado final: a Seleção Brasileira não se classificou para as Olimpíadas e Diego e Robinho foram questionados pela primeira vez.

Paraguaios em Atenas

Um zagueiro (Gamarra), um volante (Enciso) e um atacante (Cardozo) foram os escolhidos com mais de 23 anos para se juntar ao grupo, treinado por Carlos Jara Saguier. Outro atacante, Roque Santa Cruz, com exatos 23 anos, ganhava espaço no Bayern de Munique e também chegava a Atenas com grande responsabilidade.

Pirlo tenta sair da marcação paraguaia em vitória diante da Itália na 1ª fase
Pirlo tenta sair da marcação paraguaia em vitória diante da Itália na 1ª fase

Logo na estreia, o ataque mostrou serviço, em um emocionante 4 a 3 contra o Japão. O time ainda seria derrotado, diante de Gana, por 2 a 1, mas uma vitória por 1 a 0 sobre a Itália, com gol de Barreiro, classificou os sul-americanos como líderes do grupo.

Nas quartas, o Paraguai chegou a abrir 3 a 0 contra a Coreia do Sul, porém sofreu 2 gols em 5 minutos e passou aperto até o apito final. Pela semi, de novo a equipe abriu 3 a 0, contra o Iraque, e, desta vez, mesmo um gol sofrido no fim não ameaçou a vaga na decisão. A primeira medalha olímpica da história paraguaia já estava garantida, só faltava definir a cor.

A final era contra o outro representante sul-americano no torneio, a Argentina de Carlitos Tévez, que já era o artilheiro do campeonato àquela altura, com 7 gols. Entre outros nomes famosos, o time tinha Javier Saviola, D’Alessandro, Mascherano e  Lucho González. No banco, “El Loco” Bielsa.

O dia era 28 de agosto, histórica data em que a Argentina venceu a Itália e conquistou oouro olímpico no basquete masculino – entrando para um seleto grupo que até então tinha apenas os americanos (com 12 títulos), soviéticos (2) e iugoslavos (1).

Os paraguaios eram fortes, mas os argentinos estavam em estado de graça.

De uniforme amarelo, o Paraguai caiu diante dos vizinhos. Tévez, logo aos 18 minutos de jogo, aproveitou bobeira da zaga para fazer o único gol do jogo. A seleção guarani lutou até o fim pelo empate e encerrou a campanha de cabeça erguida. No final, o mundo reconheceu a garra do pequeno país e não foram só Diego e Robinho que dançaram galopeira.

Valdez parece decepcionado, mas a medalha de prata é até hoje a maior glória paraguaia em Olimpíadas
Valdez parece decepcionado, mas a medalha de prata é até hoje a maior glória paraguaia em Olimpíadas

A série Anões Olímpicos conta a história dos 26 países que conquistaram apenas uma medalha na história olímpica entre 1896 e 2012. Os textos são reedições atualizadas do post O que esses caras estão fazendo nesse blog?, publicado por Diego Freire, em 2012. Para ler as outras reportagens da série, CLIQUE AQUI.

Você pode gostar também
Comentários
Carregando...