Altos na Série C: o acesso do time que é feito pra atacar

Foto: Samila Milhomem/FFP
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O Altos é um exemplo para o futebol brasileiro: mesmo sem ter um elenco tão forte, partiu para o ataque durante toda a Série D. Desde a fase de grupos até o mata-mata, jogando em casa ou fora, sempre foi um time ofensivo. Pressionava na frente e ia pra o ataque com muitos jogadores. Tinha jogadas bem preparadas e entrosamento. Era corajoso. Foi assim que subiu pra Série C de 2021, com 41 gols em 20 jogos.

É um clube com apenas 7 anos de existência, mas tem uma trajetória impressionante. Já foi campeão piauiense duas vezes e emendou 5 participações seguidas na Série D. Chegou perto do acesso, fracassou, aprendeu e conseguiu o conhecimento necessário pra subir.

Campanha

O Altos liderou o Grupo 2, mas era uma chave bem fraca. Então, ainda que o time empolgasse pelo futebol ofensivo, causava desconfiança. Como seria diante de times mais fortes?

No mata-mata os adversários foram Rio Branco-AC, Salgueiro e Marcílio Dias. O time acreano era mais fraco. Mas o Salgueiro foi campeão pernambucano e tinha um time bem organizado. Só caiu nos pênaltis. Por fim, veio o Marcílio, que tinha uma defesa forte, mas não foi capaz de parar o Altos.

Ponto forte

Claro que o ponto mais forte é a organização ofensiva. Mas vale destacar também o entrosamento do time. A escalação base sempre era mantida, mesmo quando alguns jogadores entravam em má fase. E no fim esse entendimento gerou frutos. Em parte, a manutenção do time acontecia porque o elenco não tinha muitas opções. Mas tem o mérito do técnico também…

Técnico

Fernando Tonet merece ser muito valorizado depois desse acesso. Poucos técnicos conseguiriam fazer o que ele fez. Não só pelo resultado, mas pela forma como o time se comportou em todos jogos. Toda essa coragem ofensiva vem do trabalho dele, que já tinha mostrado essa mesma característica em outros trabalhos.

Craque do time

Manoel é um ídolo do Altos. Joga lá desde 2016, já participou de grandes campanhas e é o maior artilheiro da história do clube. Foi decisivo no jogo de ida contra o Marcílio Dias. Quando o time perdia por 1 a 0 e parecia entregue, ele insistia em driblar e chamar a responsabilidade. Pouco depois de um lance assim, fez o gol de empate de cabeça. Na campanha, ao todo, fez 7 gols.

Jovem destaque

Goleiro Marcelo, de 25 anos. Normalmente goleiros ficam prontos mais tarde, então dá pra dizer que ele ainda é jovem. E de fato está tendo a primeira grande oportunidade da carreira. Agarrou essa chance e foi importante, principalmente no jogo de ida contra o Marcílio. Antes, contra o Salgueiro, ele falhou em um lance e foi sincerão na entrevista: “Ser goleiro é foda, porque é o único que não pode errar”. Nos pênaltis, Marcelo se redimiu e pegou uma das cobranças.

Famoso

Betinho, ex-Palmeiras, foi o matador do Altos. Fez 9 gols na campanha, inclusive 2 no jogo decisivo contra o Marcílio. Ele está com 33 anos e passou alguns sufocos depois da passagem marcante pelo Palmeiras, em que fez o gol decisivo da Copa do Brasil de 2012. Betinho chegou a ficar sem clube e disputar campeonato amador. Mas aproveitou bem o futebol ofensivo do Altos e foi importante.

Juninho Arcanjo, meia do time, foi revelado no Atlético-MG e era visto como promessa no começo de carreira. Inclusive venceu um Mundial Sub-20 em 2003, sendo titular junto com Daniel Alves, Nilmar, Daniel Carvalho, Jeferson, entre outros nomes que se tornaram importantes. Ele sempre foi visto como o jogador “que não deu certo” daquele time, mas agora está redimido.

Outros destaques

Klenisson completa o quarteto ofensivo do Altos e foi muito importante para dar velocidade na construção das jogadas. E o lateral esquerdo Tiaguinho tem um um futebol interessante, com imposição física e boa técnica.

Curiosidade

O Estádio do Altos, Felipão, é acanhado e rendeu histórias engraçadas. A torcida subiu em árvores e escadas pra ficar acima do muro baixo e ver os jogos. Contra o Salgueiro, essa torcida ficou balançando uma árvore pra distrair os jogadores.

Antes do jogo contra o Marcílio, o técnico adversário, Waguinho Dias, reclamou do gramado e do calor. No intervalo da partida, proporcionou uma cena curiosa, ao não ir pro vestiário, por ser muito quente e ficar muito próximo do Altos.

Alguns podem até dizer que o Altos só subiu por causa dessas dificuldades causadas pelo estádio. Mas seria ótimo se todos enxergassem melhor e reconhecessem que a postura ofensiva, inclusive longe do Estádio Felipão, é a maior arma do Altos. Seria ótimo ver esse exemplo aplicado em mais times brasileiros.

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