Água Santa-SP: ex-amador quer estar na elite em três anos

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Poucos clubes tem uma trajetória tão bonita quanto a do Esporte Clube Água Santa. Fundado em 27 de outubro de 1981 por migrantes nordestinos e mineiros, para quem o futebol era uma válvula de escape para as extenuantes jornadas nas indústrias de Diadema, o clube passou grande parte de sua história no amadorismo, onde conquistou tudo o que podia. Só se profissionalizou em 2011, quando um plano ousado começou a ser traçado: o de alcançar a elite paulista em poucas temporadas. Neste ano, o de sua estreia em torneios profissionais, a estratégia ousada começou a dar certo e o Água Santa não só conseguiu o acesso como se sagrou vice-campeão da Série B do Campeonato Paulista, a quarta e última divisão estadual.

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Capitão, AQUELE, hoje dirigente do Água Santa

“Nós temos um planejamento. Nosso sonho é conquistar um acesso a cada ano e estar na elite em 2016, mais ou menos nos moldes do que o São Caetano fez. Porém, ainda temos muito o que melhorar. O primeiro passo é conquistar o acesso à Série A3. Depois, precisamos aumentar a capacidade de público do estádio, trazer jogadores com a cara de cada divisão, além de patrocínio e mais investidores”, afirmou Capitão (sim, AQUELE, da Portuguesa) ao programa local “De Primeira”, cerca de dois meses e duas fases antes de o time confirmar a vaga na terceira divisão de 2014.

A trajetória da equipe na Série B do Campeonato Paulista foi tão fulminante quanto pretende ser sua arrancada para a divisão de elite. Na primeira fase, o time perdeu apenas dois dos 10 jogos que disputou, estes, ironicamente, para seu novo maior rival, o CA Diadema, clube-empresa que também estreou na última divisão deste ano. Nas segunda e terceira fases, outro bom desempenho: apenas uma derrota em 12 jogos disputados. Na quarta, a mesma eficiência: apenas um jogo perdido em seis disputados, resultado que deu ao novato o acesso e o direito de disputar a final contra a Matonense.

FASE AMADORA – ANOS 2000
Liga de Futebol Amador de Diadema

2000 – Campeão da 3ª Divisão
2001 – Campeão da 2ª Divisão
2002 – Vice-campeão da 1ª Divisão
2003 – Vice-campeão da 1ª Divisão
2004 – Campeão da 1ª Divisão
2005 – Vice-campeão da 1ª Divisão
2006 – Vice-campeão da 1ª Divisão
2009 – Campeão da 1ª Divisão
2010 – Campeão da 1ª Divisão
2011 – Campeão da Divisão Especial

Na primeira partida da decisão, na vizinha São Bernardo do Campo, quase 6 mil pessoas empurraram o anfitrião para virar o placar e vencer por 5 a 2, garantindo a vantagem de poder perder por até dois gols e ainda assim ser campeão. Porém, a vantagem parece ter relaxado a equipe, que acabou surpreendida pela pressão da Matonense e aceitou uma sonora goleada por 4 a 0, deixando escapar o título inédito. Mesmo assim, o desempenho geral em sua temporada de estreia agradou a diretoria e aos torcedores, já que foram apenas cinco derrotas em 30 jogos, um aproveitamento de 65% dos pontos disputados em todas as fases.

A torcida do Água Santa, aliás, é um espetáculo à parte. Segundo dados levantados pelo site Sr.Goool, a equipe encerrou sua participação no campeonato com média de 4.065 torcedores, mais do que o dobro do segundo neste quesito, o Tupã (1.658), e pouco mais de seis vezes a média geral do torneio (608). O mesmo site foi além e comparou a média de público do Água Santa com a dos clubes de todas as divisões nacionais, o que gerou um resultado ainda mais surpreendente: até aquele momento (21 de outubro, após a primeira partida da final, a última em casa), o Água Santa tinha o 39o. melhor índice de público entre 101 equipes, com performance superior a da Portuguesa (Série A, com 3.933) e de 11 clubes da Série B.

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Escudo antigo, dos tempos de amadorismo

No elenco, um dos destaques é Danilo, atacante de 22 anos e 11 gols no torneio. Apesar da pouca idade, o jovem já jogou estaduais, divisões inferiores do Brasileirão e a Copa do Brasil por Portuguesa e Avaí, time que o emprestou ao Água Santa. Além dele, o meia Lucas Limão e o atacante Marcelinho, ambos com 23 anos e poucos times no currículo, também têm feito seus gols e chamado a atenção. Limão soma os mesmos 11 gols de Danilo, enquanto Marcelinho tem um a menos.

Rodado e experiente mesmo, só o meia-atacante Ricardinho, de 37 anos. Ao todo, são mais de 20 clubes na carreira, entre eles São Paulo (campeão do Paulista/2000), Palmeiras, Botafogo-RJ, Internacional-RS, Coritiba, Vitória-BA e Paulista-SP (campeão Copa do Brasil/2005), além de times de Japão e Portugal. É considerado o ponto de equilíbrio emocional da equipe e leva no braço a faixa de capitão da equipe.

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Novo escudo, feito especialmente para a era do profissionalismo

Finalizada a Série B, o Água Santa já começa a pensar nos próximos passos. Uma das prioridades do ousado plano de dominação ascensão da equipe, aliás, passa pelo Estádio Distrital do Inamar, que foi usado no início da campanha, mas acabou trocado pelo melhor conservado Baetão, em São Bernardo. A diretoria do clube conseguiu junto à Prefeitura Municipal a concessão definitiva do campo e irá promover as reformas necessárias para disputar a Série A3 ainda mais perto de sua torcida. A cessão, porém, deve causar conflitos com o outro time da cidade, o CAD, já que seu presidente havia ameaçado retirar o time da cidade caso isso acontecesse.

Além disso, o presidente do Água Santa, Paulo Sirqueira, já declarou que pretende aumentar em 50% o investimento na formação do time para o ano que vem. “O projeto que tenho com o Márcio (Ribeiro, técnico) é de colocar o time na A-1 no menor tempo possível. E, se quisermos atingir esses objetivos, teremos que contratar reforços”, admitiu o dirigente ao jornal ABCD Maior. Só não quis dizer se a folha salarial, que seria de R$ 80 mil, aumentou durante o torneio. “Só digo que é menor do que a Matonense e maior que a do Cotia”, comparou.

Já Ribeiro (ex-Barretos, Ferroviária, CSA-AL, Goiatuba-GO, etc.) revelou que as duas derrotas para o rival local na primeira fase impulsionaram o time para o feito histórico. “Esse grupo não tem segredo, ele trabalha. Descobrimos que íamos chegar quando perdemos duas vezes o clássico, em cada um deles tiramos força e continuamos trabalhando com determinação. Trabalhamos mais do que todas as equipes”, disse ao jornal ABCD Maior, antes da decisão.

Ambição, trabalho e identidade com a torcida. É nesta trinca tão simples quanto poderosa que o Água Santa aposta para alcançar seus objetivos. Pode parecer um pouco utópico, mas depois do que mostrou em campo, em sua primeira experiência profissional, é melhor não duvidar da força do Netuno.

ÁGUA SANTA _ ENTRE ASPAS

Nosso sonho é conquistar um acesso a cada ano e estar na elite em 2016, mais ou menos nos moldes do que o São Caetano fez.

Capitão, ex-volante da Portuguesa e atual dirigente do Água Santa

O projeto que tenho com o Márcio (Ribeiro, técnico) é de colocar o time na A-1 no menor tempo possível. E, se quisermos atingir esses objetivos, teremos que contratar reforços.

Paulo Sirqueira, presidente do Água Santa

Esse grupo não tem segredo, ele trabalha. Descobrimos que íamos chegar quando perdemos duas vezes o clássico, em cada um deles tiramos força e continuamos trabalhando com determinação. Trabalhamos mais do que todas as equipes.

Márcio Ribeiro, treinador do Água Santa

ÁGUA SANTA _ IMAGENS

Foto: Amanda Perobelli/Jornal ABCD Maior
Atletas do Água Santa agradecendo a graça alcançada, o acesso à Série A3
Foto: Amanda Perobelli/Jornal ABCD Maior
Foto: Adonis Guerra/Jornal ABCD Maior
Torcida do Água Santa foi o 12o. jogador do time na Série B Paulista
Foto: Adonis Guerra/Jornal ABCD Maior

Fontes: Sr. Goool (1, 2), Diário Regional (1), Diário do Grande ABC (1), ABCD Maior (1, 2, 3)

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