Agora vai? O calvário do Remo na Série D

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A torcida do Remo já viu o mesmo filme três vezes… O clube avança com tranquilidade na primeira fase da Série D, jogando contra adversários de estados periféricos, como Acre, Rondônia e Roraima. O problema é quando surge o primeiro mata-mata, fase máxima já atingida pela centenária equipe. Será que dessa vez a sorte mudará?

Maurilio (esq.), AQUELE ex-Palmeiras, estava no único título nacional do Remo
Maurilio (esq.), AQUELE ex-Palmeiras, estava no único título nacional do Remo

Antes do surgimento da quarta divisão, o “fundo do poço” da rica história remista havia sido uma rápida passagem pela Série C, em 2005, encerrada com título. Porém, quando disputou a terceirona novamente, em 2008, o “Leão do Norte” se viu diante de um desafio muito maior. Naquele ano outras camisas tradicionais, como Guarani, América-MG e Santa Cruz, além do eterno rival Paysandu, também lutavam pelo acesso. Pior: dos 63 participantes daquele torneio, apenas os 20 melhores colocados teriam vagas garantidas em divisões nacionais na temporada seguinte – todos os outros seriam “rebaixados”.

Até que o Remo começou bem, assegurando lugar na segunda fase com tranquilidade. Na sequência, tudo indicava que conseguiria estar entre os dois primeiros em um quadrangular com Holanda (AM), Luverdense (MT) e Rio Branco (AC), condição que garantiria ao menos um lugar na Série C do ano seguinte. Foi aí que o pesadelo começou…

A duas rodadas do fim, era necessária apenas uma vitória para ter enormes chances de avançar. Mas tudo desmoronou após derrota em casa diante do Holanda e, na partida final, uma dolorosa queda por 3 a 0 contra o Rio Branco, jogando na capital acriana (sim, “acrEana” está incorreto).

É claro que a torcida do Paysandu aproveita para tirar muito sarro do rival
É claro que a torcida do Paysandu aproveita para tirar muito sarro do rival, que já ficou sem divisão 3 vezes desde 2009

A exemplo do Santa Cruz, o Remo ficou “sem divisão” e passou a depender de bons desempenhos nos Estaduais para poder jogar a Série D. Apesar da gigantesca torcida, o clube permanece nessa condição até hoje, conseguindo a proeza de sequer chegar à final do Estadual algumas vezes nos sete anos seguintes – perdendo assim sua vaga no Brasileiro.

Clubes como São Raimundo (2009), Cametá (2011) e Paragominas (2013) foram mais bem-sucedidos que o “Leão” nos anos mostrados em parênteses. Em 2010 o time também não jogou a decisão regional, mas conseguiu lugar na quarta divisão porque tanto Paysandu quanto Águia de Marabá estavam na Série C.

Em meio a essa imensa crise, mesmo quando disputou o torneio nacional, a equipe de Belém jamais conseguiu passar perto do acesso. O roteiro sempre foi o mesmo, com o clube se classificando facilmente na primeira fase, geralmente contra rivais de Estados nortistas poucos tradicionais, e sendo eliminado no primeiro mata-mata.

Nas duas primeiras oportunidades, os carrascos foram mato-grossenses: Vila Aurora (em 2010, classificado após dois empates graças a um gol marcado fora de casa) e Mixto (em 2012, que venceu por 2 a 0 o jogo em Cuiabá e perdeu por 2 a 1 em Belém). Por fim, na terceira tentativa, em 2014, o sonho foi encerrado com uma derrota e um empate diante do Brasiliense.

Eis que agora a torcida azulina se vê diante de uma nova chance de acesso. O primeiro adversário será o Palmas e, se vencer, ainda terá que passar por outro time nas quartas de final. Mesmo com tantos traumas e dificuldades, a expectativa é otimista. Afinal, a fé faz parte do hino remista: “em cada um de nós mora a esperança/ a nossa pujança, o nosso ideal/ e como somos do Clube do Remo/ o nosso amor diremos que não tem igual“.

Essa torcida merece uma divisão
Essa torcida merece uma divisão
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