Afinal, o Votoraty está de volta ou não?

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Fundado na cidade de Votorantim em 2005, o Votoraty traçava um caminho de ascensão nas divisões de acesso do futebol paulista. Vice-campeão da Segunda Divisão de SP em 2006, faturou a Série A3 em 2009 sob comando de Fernando Diniz, no mesmo ano em que conquistou a Copa Paulista. No ano seguinte, disputou a Copa do Brasil e foi eliminado pelo Grêmio na segunda fase.

(Crédito: Diego Vara/clicRBS)

No entanto, a derrota contra o Grêmio no Estádio Olímpico seria justamente o último jogo da breve história do Votoraty. Eliminado prematuramente da Série A2 de 2010, o time começaria ali mesmo a sumir do mapa.

Em abril de 2010, o CNPJ do Votoraty foi vendido à holding Manoel Leão S. A., de Ribeirão Preto. Na cidade, o grupo já era dono do Olé Brasil – segundo informações iniciais, os dois clubes se fundiriam no final daquela temporada para dar lugar ao Ribeirão Futebol Clube.

Ainda em Ribeirão, o Comercial – controlado pela Lacerda Sports, empresa de Nelson Lacerda – fracassara na Série A3 de 2010. Terceiro colocado de seu grupo na segunda fase, o time havia perdido a vaga na Série A2 por um ponto.

No entanto, a Lacerda Sports procurou a Manoel Leão em busca de um acordo. Assim, adquiriu o CNPJ que pertencia ao Votoraty e abriu uma vaga na Série A2, a ser ocupada pelo quinto colocado da Série A3 – no caso, o próprio Comercial. Tecnicamente, Comercial e Votoraty se fundiram, embora pouco tenha restado do clube de Votorantim na nova cidade.

A escalada então foi rápida. Promovido à Série A2 de 2011, o Comercial conquistou o acesso para a Série A1 no primeiro ano. Foi rebaixado da elite em 2012, mas reconquistou o acesso em 2013 e voltou a cair em 2014. Em 2015, foi o 17º colocado da Série A2 e caiu de novo para a Série A3.

O início da… Volta?

Só que foi aí que começou uma movimentação silenciosa. Em outubro de 2015, um grupo de empresários de Votorantim e Sorocaba, liderado por Elias Andrade, foi a Ribeirão Preto para recomprar o CNPJ do Votoraty. Segundo matéria publicada na época pelo jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba:

Os empresários contataram a proprietária do CNPJ do Votoraty – a LCF Participações, subsidiária do grupo Manoel Leão, de Ribeirão Preto – e iniciaram as negociações para a compra do registro do time – que havia sido transformado em Ribeirão Futebol Clube Ltda.

Na época, a diretoria chegou a realizar uma entrevista coletiva para divulgar seus planos para 2016 – incluindo um site oficial e novo distintivo. A meta era disputar competições de categorias de base, mas também retornar profissionalmente à Segunda Divisão do Campeonato Paulista. “Para isso”, dizia a matéria de outubro de 2015, “existem débitos a serem sanados com a Federação Paulista de Futebol (FPF), já que a equipe está inativa desde 2011, mas o presidente não soube responder qual o montante a ser pago”.

(Crédito: Votoraty/Divulgação)

Hoje, quem entra no site da Federação Paulista de Futebol encontra o Votoraty entre os clubes que são filiados à entidade, mas não disputam qualquer competição profissional. O time chegou a ser cotado para a disputa da Segunda Divisão do Campeonato Paulista em 2016 e em 2017, mas ficou de fora das duas edições da competição. Mas… Por que?

Pelos poucos registros do clube disponíveis, o Votoraty tem disputado competições em categorias de base, embora o clube também não conste em nenhuma das categorias da FPF (sub-11, sub-13, sub-15, sub-17 e sub-20) em 2017. Restariam apenas competições amadoras regionais.

Se voltou, o que acontece?

Ao longo do primeiro semestre de 2017, o Última Divisão tentou entrar em contato com o time para tentar explicar a situação. E, no fim, encontrou mais dúvidas do que certezas.

Em agosto de 2016, o jornal Gazeta de Votorantim anunciou “uma nova gestão administrativa” no clube. A meta seria recolocar o Votoraty novamente no cenário nacional “após uma volta fracassada no ano passado”.

No final de fevereiro, uma fonte da diretoria dizia que o momento era de “uma fase aí de negociação do clube”. “Possivelmente a gente já vai vender ele”, afirmou. Questionado a respeito, não respondeu mais.

Outra fonte consultada disse que um grupo de empresários recomprou o CNPJ que estava em Ribeirão Preto até 2015, “mas já vendeu para um vereador de Votorantim, que é quem hoje está com o clube e tocando ele”. Segundo o site da FPF, o clube é presidido pelo advogado Marcelo Parducci Moura, que não consta como vereador da Câmara Municipal de Votorantim. Moura, porém, é o presidente citado pela matéria de agosto de 2016.

O principal obstáculo: o estádio?

A pista mais quente a respeito dos problemas diz respeito ao Estádio Municipal Domenico Paolo Metidieri. Em setembro de 2016, matéria do jornal Gazeta de Votorantim dizia:

Para que o Tigre possa atuar na Quarta Divisão do Paulista, a arquibancada do Estádio Municipal Domenico Paolo Metidieri, que atualmente comporta mil lugares, terá de ser ampliada para receber público de cinco mil pessoas, o mínimo que a FPF exige para que um estádio possa ser utilizado nessa divisão

Em maio de 2017, Geraldinho, um ex-jogador do clube – que seria também um dos líderes da nova gestão – deu novas pistas a respeito do cenário. Segundo o agora dirigente, “pequenas definições” atrapalham o retorno nos últimos anos. A expectativa é de que a situação seja regularizada até 2018.

“Estamos aguardando pequenas definições para anunciarmos o retorno do Votoraty e o planejamento. Ainda não podemos dizer nada até que tudo se concretize – ou seja, que tenhamos a certeza da participação no Paulista no ano que vem”, disse Geraldinho. O problema, segundo ele, seria justamente o estádio a ser utilizado.

(Crédito: Notícias Votorantim)

“Está bem perto de sair a concessão do estádio. Pensávamos que era coisa rápida, mas o engenheiro está para entregar o projeto com os laudos de Polícia e Bombeiros para poder ir para a Câmara dos Vereadores. Por isso não estamos adiantando nada sobre o Votoraty: queremos ter a garantia da participação no ano que vem. Quero poder falar coisas concretas sobre o futuro do clube, por isso preciso esperar um pouco mais”, explicou.

O Última Divisão tentou entrar em contato com Valter Lopes – que, segundo noticiou o jornal Gazeta de Votorantim em agosto de 2016, foi escolhido para coordenar o processo de retomada do Votoraty. Lopes, que inclusive já deixou o clube, não respondeu aos contatos. Entretanto, segundo a matéria citada:

De acordo com Valter Lopes, a atual administração pública vai ceder os campos do Votoran, Centro Esportivo e Recreativo Aldovir Gori (Cermag), além do Estádio Municipal Domenico Paolo Metidieri, onde serão disputadas as partidas de amistoso e oficial. Ainda segundo Lopes, a prefeitura local também irá auxiliar na questão logística dos atletas

Ficam as dúvidas: o clube tem novos donos? Os donos conseguirão resolver os problemas com estádios para 2018? As perguntas seguem sem respostas.

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