Adhemar quase trocou o futebol pela NFL (e não seria o primeiro)

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Você se lembra de Adhemar, o atacante do São Caetano que se tornou referência da equipe no início do século XXI. Graças a gols, como a falta cobrada diante do Fluminense no Estádio do Maracanã pela Copa João Havelange, em 2000, o camisa 18 ajudou a equipe a conquistar importantes resultados no cenário nacional, além de garantir presença por si só entre alguns dos mais conhecidos nomes do futebol brasileiros da época. De quebra, ainda quase ganhou espaço na NFL, a mais importante liga de futebol americano do mundo.

A história é relativamente conhecida, mas tem muito de folclore em torno dela. Adhemar foi mesmo convidado para jogar por NFL? É verdade que fez testes para jogar em uma equipe nos Estados Unidos? Ele seria quarterback? Running back? Kicker? Como foi isso tudo? Seria lenda? Por que o atacante não foi jogar?

A história é legítima, segundo o próprio Adhemar, e aconteceu no começo de 2006. Após encerrar a carreira, o atacante – com passagens também por São Bento-SP, Stuttgart e futebol asiático – atraiu a atenção do Tampa Bay Buccaneers. A franquia da Flórida, que havia conquistado o único Super Bowl de sua história em 2002, decidiu apostar na pancada de perna direita do brasileiro para a função de kicker – no futebol americano, o jogador responsável por chutar os field goals, movimento que exige força e precisão no chute para mandar a bola para o meio dos postes de gol (os “uprights”) e ampliar a pontuação.

Com um aproveitamento de 90% em arremates de 50 jardas na ocasião, Adhemar convenceu o enviado dos Buccaneers. A oferta chegou, mas o camisa 18 não aceitou. Motivo: além de ter que passar por uma “escola de kickers” para a NFL, teria que viajar com o visto de estudante, provisório, sem poder levar a família aos EUA. Assim, perdeu a chance de se tornar o primeiro brasileiro da história da bilionária liga americana.

“Eu fiz um teste com um empresário americano aqui na Universidade Mackenzie, no Tamboré (bairro da cidade de Barueri). O empresário ficou encantado com a força do chute, com a precisão”, contou Adhemar ao blog. “Mas aí entrou todo o lado burocrático americano de visto, de escola de kicker, de não poder levar a família no começo. Eu preferi ficar aqui no Brasil, no nosso ventinho, do que ir para o furacão lá em Miami”, completou, de bom humor, lembrando os registros recorrentes de ciclones na Costa Leste dos EUA.

Adhemar: chutes fortes e precisos impressionaram Buccaneers e quase o levaram ao futebol americano (Crédito: AFP)

Caso isolado? Não!

Adhemar seria o primeiro brasileiro na NFL, especialmente oriundo do futebol, mas não seria o primeiro atleta a trocar o esporte mais popular do mundo pelo futebol americano. E o fato é encarado com relativa naturalidade por lá.

”Isso acontece muito por aqui. Vários kickers vieram do futebol. Isso não me surpreende, mas também entendo que jogar futebol e ser kicker são coisas muito diferentes em relação a vários aspectos, como a pressão e os movimentos necessários para jogar futebol americano”, contou ao blog Alexi Lalas (aquele mesmo), ex-jogador da seleção dos EUA na década de 90 e com passagens por equipes como Padova (Itália), Emelec (Equador), New England Revolution, New York MetroStars (atual New York Red Bulls), Kansas City Wizards e Los Angeles Galaxy, todas dos EUA.

Lalas (à esquerda) lembrou com naturalidade da passagem de jogadores do futebol pelo futebol americano (Crédito: AP)

O próprio Lalas jamais passou perto da NFL em nenhum momento sequer de sua carreira, é bem verdade, mas há casos conhecidos de jogadores do soccer que tentaram a sorte na NFL. Alguns até com sucesso.

Meola nos Jets (Crédito: AP)

O registro mais conhecido do grande público é o do ex-goleiro Tony Meola (foto), companheiro de Lalas na seleção americana que disputou a Copa de 1994 e que tentou a chance como kicker no New York Jets, sem ser aprovado nas avaliações. Outros exemplos de histórico discreto são os de Chris Bahr (jogador do Los Angeles Raiders na década de 80) e Josh Scobee (atual kicker do Jacksonville Jaguars).

Por outro lado, o austríaco Toni Fritsch é um exemplar de sucesso nessa transição – possivelmente, o maior deles. Considerado um dos destaque do Rapid Viena na década de 60, conquistando três títulos nacionais pelo clube (1964, 1967 e 1968), Fritsch aceitou o convite do técnico Tom Landry para se tornar kicker do Dallas Cowboys em 1971, conquistando o Super Bowl em 1972. O austríaco jogou ainda por San Diego Chargers, Houston Oilers e New Orleans Saints. Aposentou-se em 1985.

Morto em 2005, aos 60 anos, o ex-atacante chegou a defender a seleção austríaca na década de 60, com direito a gol marcado diante da Inglaterra no Estádio de Wembley; no entanto, após a transição, Fritsch seguiu morando no Estados Unidos.

Toni Fritsch (em pé, o primeiro à esquerda), no Rapid Viena em 1968 (Crédito: AP)
Toni Fritsch (camisa 15), jogando como kicker do Dallas Cowboys em 1975 (Crédito: AP)

(Colaborou Allan Farina)

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