A silenciosa aposta indiana na NBA do futebol

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A Índia é o segundo país mais populoso do mundo, atrás da China, mas só agora começa a despertar para o futebol mundial. Dispostos a explorar seu potencial humano e aproveitar sua economia ascendente, os indianos darão em fevereiro o pontapé inicial à Premier Soccer League (PSL), competição que pretende colocar a nação no mapa do futebol mundial a curto prazo.

A PSL será uma competição curta, disputada entre 25 de fevereiro e 8 de abril no país. A organização ficará por conta do Celebrity Management Group (CMG), empresa que divulgou os primeiros dados a respeito da competição: durante sete semanas, equipes de seis cidades (Calcutá, Barasat, Howrah, Haldia, Durgapur e Siliguri) jogarão partidas entre si no estado de Bengala; os quatro melhores times avançam a uma fase final que definirá o campeão.

Se o modelo da liga, semelhante a torneios já vistos em outros países, não surpreende, os jogadores que farão parte da PSL chamam mais atenção. Fabio Cannavaro, Juan Pablo Sorín, Hernan Crespo, Jay-Jay Okocha, Robbie Fowler e Robert Pires foram atraídos para a competição por meio dos grandes investimentos. O espanhol Fernando Morientes também disputaria a competição indiana, mas desistiu por motivos pessoais.

Os grandes nomes contratados para “engrenar” a PSL já foram distribuídos através de um leilão, semelhante ao draft da NBA. Crespo, o mais caro da lista, foi arrematado pelo time de Barasat por US$ 840 mil. Na sequência, vieram Cannavaro (Siliguri, por US$ 830 mil), Pires (US$ 800 mil, Howrah), Okocha (US$ 550 mil, Durgapur) e Fowler (US$ 530 mil, Calcutá). Nomes como Fernando Couto e Marco Etcheverry trabalharão como treinadores.

A ideia do CMG é misturar veteranos do futebol europeu a jogadores de América Latina, África e Ásia, somando a eles jovens jogadores indianos. “Esperamos uma reação espetacular da comunidade internacional. Vamos quebrar o gelo na Índia”, afirmou o secretário da All Indian Football Federation, Kumar Ganguly.

Imagine um leilão de gado. Agora troque o gado pelo melhor jogador do mundo em 2006 segundo a Fifa.

Ao todo, cerca de US$ 7 milhões foram gastos pelas equipes para promover a miniliga. “Esse leilão é inédito não apenas na história do futebol indiano, mas também para o futebol mundial”, disse Bhaswar Goswami, diretor-executivo do CMG. “Há um limite de gastos e devo dizer que as franquias gastaram o dinheiro com sabedoria”, completou, otimista.

Porém, em um país tradicionalista, fanático pelo críquete e de 1,2 bilhão de habitantes, não tem sido fácil emplacar novidades. Ao mesmo tempo em que os indianos torcem para uma equipe de Fórmula 1 local, ou comparecem ao Autódromo de Buddh para assistirem corridas da categoria, varrem para baixo do tapete os problemas encontrados nos Jogos da Commonwealth de 2010, em Nova Dehli. Como será para o futebol?

Para o futebol, porém, os indianos parecem mais animados. Depois do fiasco da National Football League, fundada em 1996 e encerrada em 2007, os indianos criaram a I-League, disposta a colocar sua principal competição em um nível aceitável. Não por coincidência, a pedido da Fifa, Argentina e Venezuela se enfrentaram no Salt Lake Stadium, em Calcutá, para ajudar a popularizar a modalidade no país. E provando que as coisas começam a mudar no Sudeste Asiático, Lionel Messi foi aclamado no país.

A PSL, que tende a ser apenas uma espécie de “torneio início”, não deve roubar a vaga da I-League, competição nacional realizada desde 2007. No entanto, se a aposta da CMG der certo, é possível imaginar que o futebol indiano atraia patrocinadores, cotas de televisão e visibilidade a curto prazo; depois disso, os indianos podem até sonhar com democratização do futebol local (hoje concentrado no sul e no leste do país), na formação de jogadores e na consolidação da seleção local.

Informações e fotos: EFE/Terra, Reuters/Terra, Wikipédia e Times of India (foto do leilão).

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