A piscina de plástico, a solidão e o acesso: Quem é quem no confronto mais alternativo da Série C?

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O mais alternativo dos confrontos que definem os acessos para a Série B de 2019 será entre Atlético Acreano e Cuiabá. As duas equipes, vencendo as longas viagens, a falta de estrutura e de apoio popular, chegam motivadas para brigar pela vaga na Série B e fazer história.

Dos times classificados para o mata-mata da Terceirona, Atlético e Cuiabá são os únicos que nunca disputaram a Segunda Divisão Nacional. O Galo Carijó, como é conhecida a equipe de Rio Branco, subiu para a Série C em 2017 no primeiro acesso de um clube do Acre numa edição de Campeonato Brasileiro. E, um ano antes, foi eliminado nas quartas de final para o Moto Club-MA e viu os maranhenses alcançarem o terceiro escalão do futebol nacional.

Jogando na Arena Pantanal, Cuiabá possui baixa média de público. (Pedro Lima/Cuiabá E.C.)

O Cuiabá, por sua vez, ascendeu à Série C em 2011. Fundado dez anos antes, o Dourado mato-grossense disputa a competição desde 2012 e nunca havia chegado à Segunda Fase. Este ano, a equipe terminou o Grupo B na terceira colocação e terá a oportunidade de brigar por uma vaga na Série B de 2019.

Desde a participação de Independência e Rio Branco na Segundona de 1991, o Acre não teve nenhum representante nas duas principais divisões do Campeonato Brasileiro. O Mato Grosso possui apenas um ano de jejum, já que o Luverdense disputou a Série B de 2017 e acabou rebaixado.

No entanto, além do adversário, outros fatores podem interferir na busca das equipes pelo acesso inédito. Ambas não contam com o apoio maciço dos torcedores das suas cidades. Como mandante, o Atlético Acreano possui média de 1.238 espectadores por jogo, enquanto o Cuiabá tem 845 pessoas por partida. Vale ressaltar que o Dourado está entre os clubes com as cinco piores médias de público do ano, se avaliadas as participantes das três primeiras divisões do Brasileirão, com a ocupação média da Arena Pantanal sendo inferior a 1%.

Parte do elenco do Atlético-AC fazendo crioterapia em piscina de plástico (Reprodução/Rede Amazônica Acre)

O Galo Carijó também tem suas limitações. O clube ficou nacionalmente conhecido pela fotografia de seus jogadores fazendo crioterapia em uma caixa d’água, após o empate em 1 a 1 contra o São José-RS, pelo mata-mata decisivo da Série D de 2017, mostrando a falta de melhores condições de trabalho para o elenco. Hoje, a equipe conta com uma piscina de plástico para a realização do tratamento.

Em 2018, o Atlético Acreano conseguiu montar um time com jogadores trabalhando exclusivamente no futebol, o que, até o ano passado, não era viável financeiramente, já que grande parte precisava fazer “bicos” para complementar a renda familiar.

Superando toda a dificuldade inerente à Série C do Campeonato Brasileiro, veremos um estreante na Segunda Divisão de 2019 que subirá provando aos seus concorrentes que existe organização no futebol que não aparece na grande mídia e que a Amazônia tem clubes competitivos no cenário nacional.

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