A nova fronteira

Luverdense, com a taça. Crédito: Reprodução/TVCA
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Por muito tempo, falar do futebol do Mato Grosso foi falar de clubes como Mixto, Operário de Várzea Grande, Dom Bosco e Sinop. No entanto, na última década, este quadro vem se transformando. Não por acaso, no Campeonato Matogrossense de 2012, o Luverdense bateu o Cuiabá nos pênaltis e conquistou o bicampeonato estadual.

Luverdense, com a taça. Crédito: Reprodução/TVCA

A final, bastante sintomática, mostra que novos tempos se desenham no Mato Grosso. Afinal, mesmo com times tão tradicionais no estado, a final do torneio foi disputada entre dois clubes que disputam competições nacionais na temporada, que têm calendário para o ano todo e que começam a se afirmar como as potências matogrossenses dos próximos anos.

A história começa a mudar no começo do século XXI, quando o Juventude era o principal time do Mato Grosso. O Cuiabá Esporte Clube foi fundado em dezembro de 2001, enquanto o Luverdense Esporte Clube nasceu em janeiro de 2004. O Cuiabá, nascido de um projeto do ex-jogador Gaúcho, deixou o amadorismo em 2003, e não decepcionou: conquistou o primeiro título de campeão matogrossense de sua história e levou a vaga para a Série C, onde caiu na segunda fase. No ano seguente, levou o bi no MT e o vice na Copa Mato Grosso. Na Copa do Brasil, participou em 2004 e 2005.

Neste intervalo, surgiu o Luverdense em 2004, fundado após uma proposta da Federação Matogrossense de Futebol à cidade de Lucas do Rio Verde – esta, por sua vez, mobilizou importantes setores da sociedade local para criar o clube. Em 2004, o time conquistou a Copa Mato Grosso, mas não deixou de ser um coadjuvante em seus primeiros anos de futebol.

Em 2006, Luverdense e Cuiabá estavam na elite do MT, mas o campeonato estadual foi duro para ambos. O time de Lucas do Rio Verde até esteve bem perto de chegar à final, mas uma derrota em casa para o Grêmio Jaciarense (1 a 0), combinada a uma vitória do Operário (2 a 1 sobre o Vila Aurora) tirou o LEC da decisão e colocou o Operário, que seria campeão. Os cuiabanos foram ainda piores: com fraca campanha na segunda fase, a equipe foi apenas a nona colocada entre 12 times. Assim, por falta de recursos, o Cuiabá se licenciou do futebol profissional e deixou o Campeonato Matogrossense de 2007.

A história passa a mudar para os dois clubes em 2009. Na capital do MT, o empresário Aron Dresch adquire de Gaúcho o Cuiabá Esporte Clube e passa a investir nele. Resultado: é vice-campeão da segunda divisão do Campeonato Matogrossense e garante o acesso para disputar a elite em 2010. Na primeira divisão, o Luverdense conquista o título pela primeira vez, vencendo o Araguaia nos pênaltis. No ano seguinte, caiu na primeira fase da Copa do Brasil ao perder seus dois jogos para o Coritiba por 1 a 0.

Coritiba x Luverdense, ou o contrário, em 2010. Crédito: Luverdense/Site oficial

Aron Dresch e seu irmão Cristiano são os proprietários da Drebor, indústria local do ramo de borrachas e principal patrocinadora do Cuiabá. Graças aos investimentos, em 2010, o time – de escudo novo – 0 conquistou o título da Copa Mato Grosso, garantindo sua vaga para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2011 – vaga que também seria assegurada pelo título do Campeonato Matogrossense de 2011. Na competição nacional, com o melhor ataque (19 gols), o “Dourado” chegou às semifinais (perdeu para o Santa Cruz) e subiu à Série C.

O Luverdense, por sua vez, foi campeão da Copa Mato Grosso de 2007 e garantiu vaga na Série C do Campeonato Brasileiro de 2008 – então a última divisão nacional. Graças à classificação para a terceira fase do torneio, o clube permaneceu na Série C em 2009, quando a divisão foi reformulada e passou a contar com 20 clubes. A partir daí, conseguiu se manter no torneio, com algumas boas posições: 11° em 2009, oitavo em 2010 e sétimo em 2011, quando se envolveu em um grande imbróglio com o Rio Branco-AC – lembra?

Fredson chegou com pompa ao Cuiabá no início de 2012. Crédito: Robson Boamorte/Divulgação

Em 2012, o Cuiabá contou com nomes rodados no futebol nacional, como o goleiro Gatti (remanescente do acesso na Série D), o zagueiro Fernando Lombardi e o volante Fredson. O Luverdense tinha como principal nome o atacante Valdir Papel, ex-Vasco da Gama. Os dois times chegaram à final do Campeonato Matogrossense, e o Luverdense venceu a melhor: venceu nos pênaltis, conquistou a vaga para a Copa do Brasil de 2013 e se tornou o primeiro campeão estadual do país no ano. Valdir Papel, com 12 gols, foi o artilheiro do torneio.

Mesmo derrotado, o Cuiabá sonha alto e não esconde que sua meta é estar na Série B em 2014, quando a Arena Pantanal – que está sendo construída para a Copa do Mundo no Brasil – estiver pronta. O Luverdense, por sua vez, parece seguir o mesmo caminho. Enquanto isso, os tradicionais levam a pior em sua queda de braço: o Mixto, campeão em 2008, quase foi rebaixado em 2010. O Operário não teve a mesma sorte, caiu em 2011 e disputou a segunda divisão em 2012. Enquanto isso, em céu de brigadeiro, Luverdense e Cuiabá se preparam para representar o estado na Série C 2012. Se chegarem à Série B em 2013, LEC e Dourado recolocam o MT na segunda divisão nacional, o que não acontece desde que o Barra do Garças participou do torneio em 1995.

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