A melhor seleção do mundo – no papel

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Quem não gostaria de ver em ação um time com os melhores jogadores em atividade no mundo, a tal Seleção do Mundo? Seria uma equipe imbatível? A história mostra que não é bem assim.

rofwA primeira vez que a tal Seleção do Mundo propriamente dita entrou em campo foi em 23 de outubro de 1963, contra a Inglaterra, em Wembley. Na ocasião, a Fifa comemorava os cem anos da publicação das primeiras regras do futebol (“Laws of the Game”, datadas de 26 de outubro de 1863). Para isso, nada melhor que enfrentar os responsáveis diretos pela legislação referente aos gramados.

De fato, a organização contou com boa parte dos melhores jogadores do mundo na ocasião – principalmente com base na Copa do Mundo do ano anterior, uma vez que seleções como Brasil, Tchecoslováquia e Chile serviram como base para a escalação.

Assim, quando o árbitro escocês Bob Davidson autorizou o começo do jogo por volta das 14h145 (horário local), o time do resto do mundo tinha Lev Yashin; Djalma Santos e Schnellinger; Pluskal, Popluhar e Masopust; Kopa, Denis Law, Di Stéfano, Eusébio e Gento. O técnico era o chileno Fernando Riera.

O meio de campo da equipe era basicamente da Tchecoslováquia
O meio de campo da equipe era basicamente da Tchecoslováquia

Os ingleses, sob a batuta do técnico Alf Ramsey, entraram em campo com Banks; Armfield e Wilson; Milne, Norman e Bobby Moore; Paine, Greaves, Smith, Eastham e Bobby Charlton. E jogando em casa, os Three Lions venceu por 2 a 1 – Paine abriu o placar, Denis Law empatou e Greaves garantiu a vitória no fim.

O time da Fifa voltou a entrar em campo em 1967, vencendo a Espanha por 3 a 0 em Madri no aniversário de 65 do ex-goleiro Ricardo Zamora. Desta vez, apenas jogadores europeus atuaram no Santiago Bernabéu, em partidas com gols de Alessandro Mazzola, Eusébio e Fernand Goyvaerts.

Em 1968, foi a vez de o Brasil entrar em campo contra os melhores do mundo, em partida no dia 19 de dezembro para comemorar os dez anos de sua primeira conquista em Copas do Mundo. Na ocasião, o Brasil venceu de virada por 2 a 1 – o argentino Brindisi abriu o placar, mas Pelé e Luis Pereira deram a vitória à Seleção.

Na ocasião, o Brasil jogou com Félix (Leão); Carlos Alberto Torres (Zé Maria), Brito (Luís Pereira), Piazza e Everaldo (Marinho Chagas); Clodoaldo (Zé Carlos) e Rivellino; Garrincha (Zequinha), Jairzinho (André), Pelé (Ademir da Guia) e Paulo César Caju (Mário Sérgio). Já o “Fifa XI” atuou com Yashin (Mazurkiewicz); Novak, Shersterniov, Schulz (Perfumo) e Marzolini; Beckenbauer e Szucs; Amâncio (Metreveli), Albert (Rocha), Overath e Dzajic (Farkas).

Vedete mundial, a Seleção da Fifa passou a participar de diversos amistosos. Em 1979, comemorando um ano de seu primeiro título mundial, a Argentina recebeu os melhores do mundo no Monumental de Núñez – e perdeu por 2 a 1. Depois, em 1982, enfrentou a Seleção da Europa em partida beneficente em prol da Unicef; aí, com uma base brasileira “incrementada” com jogadores de Peru, México, Colômbia, Argélia, EUA e Kuwait, perdeu por 3 a 2 no Giants Stadium. Em 1986, na “revanche”, a seleção das Américas venceu nos pênaltis por 4 a 3, depois de empatar por 2 a 2 – a renda, novamente, foi toda revertida para o fundo da ONU para a infância.


Com Leão no gol, a Seleção do Mundo venceu a Argentina em 1979

Neste momento, a equipe da Fifa já havia se transformado em uma ferramenta política da Fifa, que procurava utilizá-la da melhor forma possível. Em 1991, também pela Unicef, a equipe enfrentou a então campeã mundial Alemanha, que venceu por 3 a 1. Cinco anos depois, o Brasil voltou a jogar uma partida beneficente, e venceu por 2 a 1. Em 1997, na comemoração da reunificação de Hong Kong à China, a Fifa venceu a Seleção da Ásia por 5 a 3.

E assim foi em jogos contra Rússia (1997), Europa (1997), Liga Turca (1998), Itália (1998), Austrália (1999), Seleção Africana (1999, em homenagem a Nelson Mandela), Bósnia (2000), França (2000) e Japão & Coreia do Sul (2001). Evidentemente, ninguém esperava jogos disputados, testes reais antes de competições e coisas do tipo.

Mas eis que veio uma cartada para confundir as estatísticas. Em 2001, segundo a RSSSF, “a FIFA decidiu não mais computar os jogos da sua seleção como oficiais”. Assim, jogos como Brasil x Seleção da Fifa em 1968 entraram para a lista dos que não podiam ser considerados válidos, entrando para uma lista que continha jogos contra adversários como Bayern de Munique (despedida de Breitner em 1983) e New York Cosmos (partida pela Unicef em 1984).

Curiosamente, a Seleção da Fifa entrou em ação apenas uma vez desde então – em 2002, no centenário do Real Madrid. Na ocasião, Luiz Felipe Scolari comandou jogadores como Cafu, Rafa Márquez, Maldini, Rivaldo e Klose, mas também outros como Du-Ri Cha, Aliou Cissé e Kaká (ainda um jovem meia do São Paulo). No fim, empate por 3 a 3 no Estádio Santiago Bernabéu.

Apesar de um belo espetáculo, a Seleção da Fifa é responsável também por estatísticas confusas. O número de partidas da equipe seria de 17 segundo a entidade e de 18 segundo a RSSSF. Porém, em jogos extra-oficiais, a “Seleção do Mundo” teria atuado em pelo menos outras 34 ocasiões, segundo o site World XI – entre elas, na despedida de Zico em 1989 e no 50° aniversário de Pelé, em 1990.

Fonte Paul Kabrna's website Foot Nostalgie World XI.com
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