A falta que vocês fizeram: as seleções mais fortes que não foram para Copas

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A Copa de 2018 não terá a tetracampeã Itália. Também ficou sem a Holanda, semifinalista dos últimos dois Mundiais. Nem terá o Chile, bicampeão da Copa América. Os Estados Unidos estão fora após 7 participações consecutivas. Há tempos não havia uma Copa tão “desfalcada” de equipes que tinham grandes expectativas. Mas isso está longe de ser algo inédito.

Relembre as ausências que causaram mais impacto na história das Copas:

Inglaterra de 1930 até 1950

Seleção inglesa em 1892, Até o Pós-Guerra, quando começou a disputar Copas, a Inglaterra manteve isolamento

A primeira grande ausência aconteceu por puro boicote. Os ingleses criaram o esporte e pareceram não gostar da forma que ele foi popularizado no início do século XX, o que gerou diversos desentendimentos com a Fifa.

Por conta dessas divergências políticas e até sobre as regras do jogo, a Inglaterra se negou a disputar todas as Copas do Mundo antes de 1950. Também havia uma certa empáfia e sentimento de superioridade, afinal, o Reino Unido venceu 3 das 4 primeiras disputas de futebol nas Olimpíadas.

Quando finalmente jogaram um Mundial, deram o vexame de perder para um time amador dos EUA logo na estreia, mas mantiveram a mística de ser “um dos melhores times do mundo” por todo o tempo que boicotaram a Copa.

Áustria 1938

Pintura mostra o Wunderteam austríaco, um dos grandes esquadrões europeus dos anos 30

O time da Áustria nos anos 30 era conhecido como o Wunderteam, algo como “time maravilhoso”, de toques rápidos e muitos gols. Em 1934, perderam para a Itália nas semifinais da Copa, mas relatos da época creditam o revés à forte chuva e ao campo castigado, pois os austríacos tinham um jogo muito mais plástico.

Em 1938, conseguiram se classificar pelas Eliminatórias Europeias, porém um fato histórico impediu que jogassem o Mundial: alguns meses antes da disputa o país foi unificado com a Alemanha, por decisão do regime nazista, e perdeu sua vaga.

Alguns atletas austríacos jogaram pela seleção alemã em 1938, mas não Matias Sindelar – considerado o grande craque europeu da época – que se recusou a defender outro país. Um ano depois, em 1939, ele morreu com apenas 35 anos. A causa apontada foi suicídio, mas há quem diga que os nazistas o mataram por sua resistência. Mais de 40 mil pessoas foram ao enterro.

Argentina 1950 e 1954

Jogadores da Argentina campeã do Sul-Americano de 1947 – entre eles, Di Stéfano

A Argentina tinha uma seleção muito boa na década de 40, quando não houve Copa por conta da II Guerra Mundial. Nomes como Labruna e Di Stéfano estavam entre os melhores do mundo – tanto que, de 1940 a 1957, a albiceleste ganhou 6 vezes o Campeonato Sul-Americano de Seleções.

Mesmo envelhecida, essa geração ainda poderia brilhar, porém o país boicotou os Mundiais de 1950 e 1954. O primeiro, em muito por más relações com o Brasil, após uma batalha campal em um jogo em 1946. Também pela greve de jogadores que fez a maioria dos craques abandonar os clubes argentinos e disputar a liga pirata colombiana, não filiada à Fifa.

Em 1954, os maiores jogadores seguiam indisponíveis para torneios da entidade máxima do futebol, jogando sem registro na Colômbia, e a Argentina desistiu. Finalmente voltou a uma Copa, em 1958, quando foi eliminada pela Tchecoslováquia com um acachapante 6×1.

Alemanha 1950

Seleção alemã faz saudação nazista; após a queda de Hitler o país foi impedido de jogar um Mundial

Apenas Brasil e Alemanha jamais perderam vagas em Eliminatórias. Os alemães tiveram duas ausências, em 30 e 50, mas por fatores extra-campo: na primeira oportunidade, a desistência ocorreu por razões financeiras, enquanto em 50, no primeiro Mundial do pós-guerra, a Alemanha Ocidental não tinha permissão para competir por ainda ter seu território ocupado após a II Guerra Mundial. No Mundial seguinte, em 1954, conquistaria o primeiro de seus quatro títulos.

Itália e Espanha 1958

A Copa de 1958 foi outra que perdeu Di Stéfano – mas, desta vez, ele defendia a Espanha

A Copa de 1958 ficou marcada pela ausência da Itália. A então bicampeã mundial não conseguiu classificação nas Eliminatórias para o torneio na Suécia, superada pela Irlanda do Norte. Essa foi a única ausência da Azzurra, ao lado de 1930, quando não viajou por conta dos altos custos de transporte até o Uruguai.

Mas talvez tenha sido ainda maior o choque pela não classificação da Espanha, que possuía jogadores como Alfredo Di Stéfano e Francisco Gento, astros  de um Real Madrid que ganhou cinco edições consecutivas da Champions League entre 1956 e 1960 – além de Luis Suárez e Ladislao Kubala, ídolos do Barcelona.

Mesmo com um esquadrão no plantel, os espanhóis foram mal nas Eliminatórias. Só o melhor de cada grupo europeu iria para o Mundial – e a seleção foi a segunda em uma chave com Escócia (líder) e Suíça.

Argentina 1970

A Argentina de 1969 – quando a albiceleste caiu nas Eliminatórias

Essa história foi relatada com mais detalhes aqui. A Argentina tinha ídolos históricos como Roberto Perfumo o Marechal, um dos maiores zagueiros de seu tempo; Miguel Brindisi (“mentor” do jovem Maradona no Boca) e Silvio Marzolini, considerado por alguns o maior lateral esquerdo argentino da história.  Se deu até ao luxo de abrir mão de “la bruja” Juan Ramón Verón (pai de “la brujita” Juan Sebastian Verón) e outros astros do Estudiantes de La Plata, tricampeão da Libertadores entre 1968 e 1970, que disputavam o Torneio de Carranza, na Espanha, no mesmo dia em que o país ficou fora da Copa.

A albiceleste tinha um elenco com bons nomes, mas a desorganização afundou o time. O ditador militar do país à época, Juan Carlos Onganía, nomeou seguidos interventores na presidência da AFA (Associação de Futebol Argentino), trocando o comando quatro vezes em quatro anos. Consequentemente, foram também seis treinadores no período.

Nas Eliminatórias, o país ficou na humilhante terceira colocação em um grupo com Bolívia e Peru. Perdeu para os dois rivais fora de casa, ganhou dos bolivianos na Bombonera e depois empatou por 2 x 2 com os peruanos no mesmo estádio (sofrendo dois gols do carrasco Cachito Ramirez).

Nas Eliminatórias para a Copa de 74, ciente da dificuldade de se jogar contra a Bolívia na altitude, a Argentina convocou a chamada “seleção fantasma“, que passou semanas treinando em La Paz, à parte do time titular, para se adaptar aos efeitos de se jogar nas alturas e vencer os rivais. Sem repetir os erros de quatro anos antes, a classificação foi tranquila.Foram necessários 28 anos até que a “amaldiçoada” Bombonera voltasse a receber um jogo de Eliminatórias.

União Soviética 1974

A União Soviética vice da Euro de 1972

A União Soviética havia sido vice-campeã da Eurocopa de 1972, com um dos melhores times que o antigo país já produziu. Dois anos depois, disputou uma repescagem intercontinental com o Chile por uma vaga na Copa de 1974, na condição de favorita. Na ida até decepcionou e ficou no 0x0 em Moscou, mas tinha plenas condições de sair com a vaga no jogo da volta.

O tal jogo de volta, porém, não aconteceu. Os soviéticos perderam de W.O., pois se recusaram a disputar uma partida no Estádio Nacional de Santiago, usado pelo governo do general Pinochet como campo de concentração, palco de assassinatos e torturas. O ditador chileno havia assumido o poder um ano antes, com apoio dos EUA, e o mundo vivia a Guerra Fria.

Tchecoslováquia 1978

Tchecoslováquia, campeã da Euro de 1976

Só três vezes uma seleção ficou fora da Copa logo depois de ter conquistado a Euro. Duas delas eram “zebras”: a Dinamarca em 1994 e a Grécia em 2006. Mas não era o caso da Tchecoslováquia, campeã da Euro de 1976. Derrotou o Carrossel Holandês no torneio continental e bateu a Alemanha, campeã do mundo, na final. Mas, nas Eliminatórias, fizeram campanha ruim em um grupo com País de Gales e Escócia (classificada).

Holanda 1982, 1986 e 2002

Grande time holandês que ficou fora da Copa de 2002

Os holandeses conseguem sucesso com grandes gerações, mas depois sofrem com “entressafras”. Após encantar o mundo com dois vices nas Copa de 1974 e 78, ficaram fora das Copas de 82 e 86, com campanhas ruins nas Eliminatórias.

Em 86, o país ficou fora contando com craques como Ruud Gullit, Frank Rijkaard e Marco van Basten (o famoso “trio holandês do Milan”, base do time depois campeão da Euro de 1988). Mesmo com o lendário Rinus Mitchels comandando a seleção por parte das Eliminatórias, caiu na repescagem para a Bélgica (depois terceira colocada no Mundial).

Nas Eliminatórias para 2002, após ser semifinalista da Copa de 1998, a Holanda ficou fora com uma geração que tinha nomes como Edwin van der Sar, Michael Reiziger, os irmãos Frank e Ronald de Boer, Edgar Davids, Clarence Seedorf e Patrick Kluivert, treinados por Louis van Gaal. Apesar do talento, o time foi muito irregular e terminou em terceiro em seu grupo, atrás de Portugal e Irlanda.

México 1990

Hugo Sanchez perdeu a Copa de 90, no auge, por erro da Federação Mexicana

O México – presença constante em Mundiais pelo baixo nível técnico nas Eliminatórias da Concacaf – foi desclassificado da Copa de 1990 por conta de uma punição bizarra: o país utilizou jogadores acima do limite de idade permitido na fase de qualificação para o Mundial Sub-20 de 1989.

A pena seria, a princípio, aplicada apenas às categorias de base, mas depois se estendeu para o time principal. Na época, o país contava com o atacante Hugo Sánchez, 5 vezes artilheiro do Campeonato Espanhol (por Atlético e Real Madrid) entre 84 e 1990, que ficou fora do Mundial.

França e Inglaterra 1994

Cantona lamenta derrota para a Bulgária, que os tirou da segunda Copa seguida

Dois gigantes ficaram fora da Copa de 1994, a última a contar com 24 seleções.

A França já tinha falhado para se classificar em 1990, mas em 94 sua ausência era difícil de imaginar – com uma geração que tinha Marcel Desailly, Laurent Blanc, Franck Sauzee, Jean-Pierre Papin e Eric Cantona. Ainda assim, o país ficou em terceiro em um grupo no qual se classificaram Suécia e Bulgária (duas semifinalistas da Copa). A eliminação teve requintes de crueldade: veio com um gol búlgaro no último minuto, no Parc de Princes, do atacante Kostadinov (na época jogador do Porto). Em 98, recebendo o Mundial, os franceses conseguiriam o seu primeiro título.

Já a Inglaterra havia sido semifinalista do Mundial de 1990. Tinha estrelas como Gascoigne e Alan Shearer, dois dos mais talentosos ingleses de todos os tempos. Mas ficou atrás de Noruega e Holanda em seu grupo das Eliminatórias. Tanto holandeses quanto noruegueses venceram os ingleses em casa e arrancaram empates no Estádio de Wembley.

Portugal 1998

Após fracassar nas Eliminatórias para a Copa de 98, Portugal fez boa campanha na Euro 2000

Portugal, no século passado, disputou apenas as Copas de 66 e 86. Essa realidade mudou a partir de 2002, quando o país subiu de patamar e passou a jogar todos os Mundiais desde então. Uma ausência específica, porém, causa grande trauma até hoje.

Nas Eliminatórias para 98, os lusos tinham um time com craques como Figo e Rui Costa – símbolos de uma geração bicampeã mundial Sub-20 em 89 e 91. Caíram no grupo da Alemanha, mas eram favoritos para ir ao menos à repescagem. Porém, ficaram a 1 ponto da Ucrânia, em campanha na qual perderam pontos nunca perdoados (como empatar com a Armênia).

Suécia 2010 e 2014

Ibrahimovic perdeu Copas no auge

Ibrahimovic disputou as Copas de 2002 e 2006, ainda com 20 e 24 anos. Mais maduro, participou de duas Elminatórias decepcionantes para os suecos.

Em 2010, a seleção ficou com a terceira colocação em seu grupo, atrás de Dinamarca e Portugal (perdendo pontos bobos, como empatar fora de casa com a Albânia). Em 2014, foi segunda em uma chave com a Alemanha e deu muito azar no sorteio da repescagem.

Pegou Portugal, de Cristiano Ronaldo, e saiu derrotada nos dois jogos: 1×0 em Lisboa (gol de Cristiano Ronaldo) e 3×2 em Estocolmo (3 de Cristiano Ronaldo e 2 de Ibra – um duelo particular entre os dois).

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