A eliminação da Bósnia em 9 problemas

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O Última Divisão sempre acreditou. Desde que foi lançada a campanha para torcer pela Bósnia e Herzegovina na Copa do Mundo, ficou avisado: o time tinha totais condições de alcançar pelo menos as oitavas de final.

Não foi o que aconteceu. O sonho acabou cedo, na segunda rodada da fase de grupos, após derrota para Nigéria. Mas o time criou dificuldades para a Argentina e foi melhor do que Nigéria e Irã nos jogos seguintes. O Última Divisão tinha razão: era possível classificar. Mas por que isso não aconteceu? Listamos nove possíveis motivos:

1. Arbitragem

A Bósnia abriu o placar no jogo contra a Nigéria, mas o juiz Peter Leary, da Nova Zelândia (!!!), invalidou o lance por impedimento. Porém, Dzeko estava a uma África de distância para o último defensor. Além disso, no gol de Odemwigie, da Nigéria, houve uma falta de Emenike em Spahic. Bastaram esses dois erros para inverter o placar correto da partidas.

Um erro que mudou toda a história do Grupo F
Um erro que mudou toda a história do Grupo F

2. Escolha errada de sede

A Bósnia optou por fazer sua concentração no Guarujá. A cidade não causou problemas, mas o local de treino, o Estádio Municipal Antonio Fernandes, não foi reformado como deveria. No dia em que os bósnios chegaram, não havia sequer linhas no gramado para identificar o meio-campo ou a área. Era melhor ter escolhido um lugar mais seguro.

3. Polêmica pré-Copa

A pré-lista de convocados da Bósnia tinha 24 jogadores. Era preciso cortar apenas um jogador, mas isso virou um problema. Ervin Zukanovic, que não seria cortado, teve com problemas com visto para entrar nos Estados Unidos e criticou a federação por isso. O mau-estar resultou na saída dele, que poderia ter ajudado a melhor a defesa da Bósnia na Copa. O Última Divisão contou essa história completa AQUI.

4. Erros táticos

Não foram apenas problemas extra-campos que atrapalharam a Bósnia. Com a bola rolando, ficaram evidentes algumas falhas táticas e de escalação do técnico Safet Susic. A principal delas foi a ausência do atacante Ibisevic como titular nos dois primeiros jogos. Ele poderia ter feito uma boa companhia a Dzeko, inclusive dando mais espaço para o astro do time. Foi de Ibisevic o primeiro gol da Bósnia em Copas, contra a Argentina. Mesmo assim ele ficou no banco contra a Nigéria – e novamente jogou bem quando saiu de lá. O técnico só colocou ele como titular no último jogo e então a Bósnia venceu o Irã com facilidade.

Contra a Argentina era compreensivo não jogar com dois atacantes. Mas contra a Nigéria era possível jogar no 4-3-1-2 perfeitamente. Os três volantes atrás de Pjanic dariam liberdade para a dupla de ataque brilhar. Outro erro evidente no jogo contra a Nigéria foi escalar Lulic, que costuma jogar como meia ofensivo, na lateral esquerda. A Nigéria aproveitou a avenida criada por lá, que poderia ter sido fechada por Kolasinac, titular nos primeiro e terceiro jogos.

5. Nervosismo

Nos dois primeiros jogos o time sofreu uma pane ao levar o primeiro gol. Contra a Argentina foi ainda pior, pois foi um gol contra de Kolasinac. Contra a Nigéria os jogadores erraram muitos passes, finalizaram errado e até protagonizaram lances bizarros. Veja essa furada absurda de Misimovic, um dos jogadores mais técnicos e experientes do elenco:

6. Ousadia demais

Foi irritante observar como a Bósnia tocava a bola na defesa e até arriscava dribles. Não é preciso dar chutões toda hora, mas o excesso de ousadia pode custar caro. Diversas vezes os adversários roubavam a bola com facilidade, o que comprometeu a quantidade de ataques bósnios.

7. Falta de experiência

Ficou evidente que a Bósnia ainda não tem malícia suficiente para disputar uma Copa do Mundo. Não falo de morder o adversário, no pior estilo Luis Suárez, mas é preciso fazer alguma catimba, matar contra-ataques e procurar faltas perto da área. Isso só é possível obter com o passar do tempo.

Os jogadores bósnios precisam atuar cada vez mais na elite da Europa e, mais importante que isso, é preciso contratar um técnico experiente em treinar seleções. Susic já anunciou que vai sair, mas a escolha do substituto está preocupante: cogita-se contratar o ex-goleiro Sergej Barbarez, ídolo bósnio como jogador, mas que nunca foi treinador. Dušan Bajević, outro cotado, é uma escolha melhor, já que tem um grande currículo no futebol grego.

Não faltou torcida, mas sobrou decepção
Não faltou torcida, mas sobrou decepção

8. Briga no elenco?

Boatos da imprensa bósnia dizem que teria havido uma briga no elenco bósnio. O lateral Kolasinac e o zagueiro Bicakcic teriam discutido pouco antes do jogo contra a Nigéria, o que explicaria o fato de ambos terem ficado na reserva. Nada foi confirmado, mas isso pode ajudar a explicar o próximo problema…

9. Má vontade

Não foram todos, mas alguns jogadores da Bósnia pareciam estar sem vontade alguma contra a Nigéria. Edin Dzeko foi o símbolo disso, já que sempre se livrava da bola rapidamente e nunca brigava para recuperá-la.

Conclusão

Apesar de todos problemas, a Bósnia deu trabalho para seus três adversários. Além disso, o mais importante foi conquistado: unir o país em prol de uma causa só. A Bósnia e Herzegovina ainda enfrenta sérios problemas por causa de divisão religiosa, mas a Copa teve sua função social no país. Se não deu certo em campo, pelo menos foi um grande passo para evoluir no futuro. O time jogou bem, tem talentos jovens e ganhou experiência. Imagina na Copa de 2018!

Volte sempre, Bósnia e Herzegovina!
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